Papa Francisco. “Defender os povos latino-americanos das tentativas de homogeneização”

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13 Dezembro 2017

Uma Igreja com rosto mestiço, indígena, afro-americano. Que tem o rosto de uma camponesa, de um pobre, de um desempregado, de uma criança ou de uma pessoa idosa. Esta é a Igreja que o Papa Francisco quer para que ninguém nunca mais no mundo se sinta “estéril ou infecundo”, e para que ninguém se envergonhe de si mesmo ou se defina um “nada”. Diante da imagem da “Morenita”, na presença de centenas de fiéis e sacerdotes da América Latina, com cantos e orações tradicionais, Francisco celebrou a missa na Basílica de São Pedro pela Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina, e rezou por todos aqueles que, ao olharem para a própria vida, exclamam como o jovem indígena Juan Diego: “Na verdade, eu não sou nada”.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 12-12-2017. A tradução é de André Langer.

São as comunidades indígenas e afro-americanas “que em muitos casos não são tratadas com dignidade e igualdade”, destacou Bergoglio; ou todas as mulheres, demais para este século, “excluídas por causa do seu sexo, raça ou situação socioeconômica”. Ou os jovens, “que recebem uma educação de baixa qualidade e não têm oportunidade de progredir em seus estudos ou de entrar no mercado de trabalho para desenvolver e construir uma família”; ou todos os “pobres, desempregados, migrantes, deslocados, camponeses sem terra”, que tentam “sobreviver na economia informal”; crianças sujeitas à prostituição infantil, muitas vezes ligada ao turismo sexual”.

Essas pessoas carregam “um sentimento de vergonha” em sua própria carne, acusou o Papa, o que pode acabar “paralisando toda a vida”. Como aconteceu com Isabel, prima de Maria, sobre quem pesava a esterilidade, considerada pela mentalidade da época como “um castigo divino, fruto do próprio pecado ou do pecado do marido”. Essa esterilidade no nosso tempo “pode assumir muitos nomes e formas cada vez que uma pessoa sente em sua carne a vergonha de ser estigmatizada ou de se sentir pouca coisa”, disse o Pontífice em sua homilia.

Ao lado da imagem desta mulher, já anciã e resignada, também se pode ver, lembrou o Papa, essa outra Isabel, “fecunda-maravilhada”. Maravilhada por ver cumprir-se em sua velhice, “em sua vida, em sua carne, o cumprimento da promessa feita por Deus. Aquela que não podia ter filhos, carrega no seu ventre o precursor da salvação”. Com Isabel, afirmou o Papa, “entendemos que o sonho de Deus não é nem será a esterilidade, nem estigmatizar nem envergonhar seus filhos, mas fazer brotar neles e deles um cântico de bênçãos”.

Este sonho também está impresso no rosto de Juan Diego, o jovem e humilde mexicano, a quem em 1531 apareceu quatro vezes a Virgem (uma Virgem “de pele morena e rosto mestiço, sustentada por um anjo com asas de quetzal, pelicano e araras”), que lhe pediu para que construísse um santuário em sua homenagem, mesmo que ele se sentisse completamente incapaz de fazê-lo. Isto é o que a Mãe faz, disse o Papa, que é capaz de “assumir os traços de seus filhos para fazê-los sentirem-se parte de sua bênção”.

“A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular”. E sobre essa pedra fala Cristo no Evangelho, lembrou o Pontífice: em meio à dialética da fertilidade e da esterilidade, devemos fitar “a riqueza e a diversidade cultural de nossos povos da América Latina e do Caribe”. Um sinal, disse, “da grande riqueza que somos convidados não apenas a cultivar, mas especialmente em nosso tempo a defender corajosamente de toda a tentativa de homogeneização que acabe impondo – com slogans atraentes – um único modo de pensar, de ser, de sentir, de viver, que acaba tornando inválido ou estéril tudo o que herdamos de nossos antepassados”.

E que acaba esmagando especialmente as novas gerações, que se sentem “pouca coisa” por “pertencer a essa ou aquela cultura. Em suma, a nossa fertilidade exige – afirmou Bergoglio – defender nossos povos de uma colonização ideológica que anula o mais rico deles, sejam indígenas, afro-americanos, mestiços, camponeses ou suburbanos”.

Suas últimas palavras foram para animar para a esperança: cada um de nós, concluiu, é “portador de uma promessa” e cada um pode dizer: “Abba!, isto é, Pai!”, sentindo-se parte de um “mistério dessa filiação que, sem anular os traços de cada um, nos universaliza constituindo-nos povos”.

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