A ‘uberização’ e as encruzilhadas do mundo do trabalho é o debate da revista do IHU desta semana

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24 Abril 2017

A Revolução 4.0, a internet das coisas, a inteligência artificial, impressão 3D, já impactam e cada vez mais abalarão os fundamentos da organização do mundo do trabalho na contemporaneidade. A grande mutação do mundo do trabalho significará um avanço civilizatório ou radicalizará a barbárie? Eis a questão.

A revista IHU On-Line, por ocasião do 1º de Maio, Dia dos Trabalhadores e das Trabalhadoras, debate o tema no contexto das discussões que o Instituto Humanitas Unisinos – IHU, tem promovido constantemente na sua página eletrônica, atualizada diariamente, nas suas publicações, nos seus eventos, no curso EAD que iniciará proximamente e no ObservaSinos. O debate assume maior urgência e densidade no momento em que o Brasil vive um momento de regressão civilizatória claramente delineada na proposta governamental da reforma previdenciária e da reforma trabalhista, tendo como palavras de ordem, flexibilização, precarização e terceirização que objetivam devastar o campo dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras.

Contribuem com o debate Andrea Fumagalli, economista, professor e pesquisador da Universidade de Pavia, na Itália, que explica como a vida, em sua totalidade, transformou-se em uma usina de produção ininterrupta de mais-valia. “Estamos na presença da subsunção formal e da extração de mais-valia absoluta. Quando a vida se torna força de trabalho porque o cérebro se torna máquina”, pontua.

Jamie Woodcock, doutor em Sociologia pela Universidade de Londres, aborda as possibilidades de se pensar um tipo de flexibilização que beneficie os trabalhadores. “Muitos de nós queremos uma relação de emprego mais flexível, que se adapte a nossas vidas e a outros compromissos. No entanto, muitas vezes essa flexibilidade é oferecida via marketing, mas a realidade é que se trata de flexibilidade apenas nos termos do capital, criando trabalho flexível que assume os riscos”, destaca.

Ludmila Costhek Abílio, doutora em Ciências Sociais Unicamp e pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho – Cesit, analisa as relações entre trabalho, tecnologia e precarização. “Ao mesmo tempo em que se livra do vínculo empregatício, a uberização mantém, de formas um tanto evidentes, o controle, gerenciamento e fiscalização sobre o trabalho”, sustenta.

Já o professor Ricardo Antunes, doutor em ciências sociais pela Universidade de São Paulo - USP, analisa com o trabalho se subordinou ao capital financeiro, criando uma morfologia totalmente nova e marcada pelo retrocesso. “Isso significa dizer que a ponta produtiva do capital financeiro, uma vez que ele não pode prescindir do trabalho, quer que ele funcione sob sua forma mais aviltada, mais vilipendiada, que é pelos modos da informalidade, da precarização, da flexibilidade e da devastação de todas as conquistas do mundo do trabalho”, critica.

José Dari Krein, doutor em Economia Social e do Trabalho pela Unicamp, onde atualmente é professor no Cesit, analisa uma das principais questões em jogo no Brasil atual, as terceirizações. “A reforma em discussão no Congresso retira direitos e não cria empregos. Por motivos humanos e civilizatórios, a proposta de reforma do governo federal precisa ser combatida. Ela serve para desenvolver negócios privados, um mercado, mas mata a perspectiva de construir uma nação”, acentua.

Josué Pereira da Silva, doutor em Sociologia pela New School for Social Research, Nova Iorque, e professor na Unicamp, discute como as transformações do mundo trabalho tornaram a renda básica universal uma política necessária. “A renda básica universal enquanto política social pode beneficiar principalmente a população em condições de pobreza, mas pode beneficiar também os trabalhadores que aparentemente não precisam de uma renda desse tipo”, pondera.

Um exemplo dramático da barbárie brasileira é a situação de marginalização, exclusão e morte a que são submetidos os povos indígenas. Não por nada, Martírio é o título do importante e imprescindível documentário de Vincent Carelli que precisa ser visto e ampla e exaustivamente debatido. Fernando Del Corona, crítico de cinema, comenta o filme nesta edição.

Por ocasião dos 50 anos da encíclica Populorum Progressio, de Paulo VI, de amplo impacto, especialmente, na América Latina, republicamos a entrevista com Carlos Josaphat, frade dominicano, sob o sugestivo título “Encíclica da Ressurreição”.

Também podem ser conferidas a entrevista com Moysés Pinto Neto, mestre em Direito e doutor em Filosofia, propondo transformar "os muros do condomínio esquerdista em pontes de diálogo pragmático com a maioria inconformada com o mundo como está", com Kathrin Rosenfield, professora e pesquisadora na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, que descreve a importância e o legado da literatura de Guimarães Rosa, com Guido Liguori, autor do recém publicado Dicionário Gramsciano e o artigo ‘A guerra e o uso do poder militar no subcomplexo de segurança do Levante no Pós-11 de setembro”  de Carla A. R. Holand Mello.

A revista IHU On-Line estará disponível na segunda-feira, a partir das 17h, nesta página, nas versões html, pdf e ‘versão para folhear’.

A edição impressa circulará na terça-feira, no campus da Unisinos São Leopoldo, a partir das 8h e no campus Unisinos Porto Alegre, a partir das 12h.

 A todas e a todos, uma boa leitura e uma excelente semana.

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