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22 Janeiro 2016

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus segundo Lucas 1,1-4; 4,14-21 que corresponde ao 3° Domingo do Tempo Comum, ciclo C do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

Fonte: http://www.periodistadigital.com/religion/

Antes de começar a narrar a atividade de Jesus, Lucas quer deixar muito claro aos seus leitores qual é a paixão que impulsiona o Profeta da Galileia e qual é a meta de toda a sua atuação. Os cristãos devem saber para qual direção o Espírito de Deus empurra Jesus, pois segui-lo é precisamente caminhar na sua mesma direção.

Lucas descreve com todo o detalhe o que faz Jesus na sinagoga da sua aldeia: põem-se de pé, recebe o livro sagrado, procura ele mesmo uma passagem de Isaías, lê o texto, fecha o livro, devolve-o e senta-se. Todos devem escutar com atenção as palavras escolhidas por Jesus, pois elas expõem a tarefa pela qual ele se sente enviado por Deus.

Surpreendentemente, o texto não fala de organizar uma religião mais perfeita ou de implantar um culto mais digno, mas de comunicar libertação, esperança, luz e graça aos mais pobres e desgraçados. Isto é o que ele lê. «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu. Enviou-me a anunciar a Boa Nova aos pobres, para anunciar aos cativos a liberdade, e aos cegos a vista. Para dar liberdade aos oprimidos; para anunciar o ano da graça do Senhor». Ao terminar, diz-lhes: «Hoje cumpre-se esta Escritura que acabais de ouvir».’

O Espírito de Deus atua em Jesus enviando-o aos pobres, orientando toda a sua vida para os mais necessitados, oprimidos e humilhados. É nesta direção que seus seguidores devem trabalhar. Esta é a orientação que Deus, encarnado em Jesus, quer imprimir à história humana. Os últimos devem ser os primeiros em conhecer essa vida mais digna, liberta e ditosa que Deus quer já desde agora para todos os seus filhos e filhas.

Não temos que esquecer. A «opção pelos pobres» não é uma invenção de uns teólogos do século XX nem uma moda posta em circulação depois do Vaticano II. É a opção do Espírito de Deus que anima a vida inteira de Jesus, e que os seus seguidores têm de introduzir na história humana. Dizia-o Paulo VI: é um dever da Igreja «ajudar a que nasça a libertação... e fazer que seja total».

Não é possível viver e anunciar Jesus Cristo se não é desde a defesa dos últimos e a solidariedade com os excluídos. Se o que fazemos e proclamamos desde a Igreja de Jesus não é captado como algo bom e libertador pelos que mais sofrem, que evangelho estamos a predicar? Que Jesus estamos a seguir? A que nos estamos a dedicar? Dito de forma mais clara: que impressão têm os cristãos? Estamos caminhando na mesma direção que Jesus?

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