Thomas Merton: um precursor da espiritualidade da libertação

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06 Setembro 2012

Thomas MertonEstudioso de Thomas Merton, o professor Dr. Getúlio Antonio Bertelli coordenará o minicurso O mistério da Igreja e o silêncio de Deus. Uma reflexão a partir de Thomas Merton. O minicurso é uma das atividades que ocorrerá no XIII Simpósio Internacional IHU: Igreja, cultura e sociedade. A semântica do Mistério da Igreja no contexto das novas gramáticas da civilização tecnocientífica.

Bertelli se formou em Filosofia, pela Universidade de Passo Fundo, e em Teologia, pela Escola Superior de Teologia (EST) em São Leopoldo. Realizou estudos de mestrado e doutorado em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Atualmente é professor na Universidade Estadual do Paraná (Unespar). É autor da obra Mística e compaixão: A teologia do seguimento de Jesus em Thomas Merton (São Paulo: Edições Paulinas, 2008).

Em entrevista à IHU On-Line (08-12-2008), Bertelli apresenta Thomas Merton (1915-1968) como um dos maiores místicos do século XX. “Ele ficou conhecido no mundo inteiro a partir da publicação de sua autobiografia intitulada A montanha dos sete patamares. Essa obra foi escrita sete anos depois de ele entrar no Mosteiro Trapista de Nossa Senhora de Gethsemani, em Kentucky, centro sul dos Estados Unidos. Foi o seu abade Dom Frederick Dunne que pediu para que ele escrevesse a história de sua vida, na expectativa de que servisse de exemplo para outros jovens como ele. Mas a obra teve tal acolhida, que de repente se tornou um best-seller mundial, e – contra sua própria vontade – Merton virou celebridade. Isso porque ele apresentou ao mundo valores descobertos no escondimento da solitude monástica e que estavam escamoteados pela Segunda Guerra Mundial. Tais valores são basicamente uma teimosa esperança, uma fé ardente e um inflamado amor, todos componentes essenciais da mística e da contemplação, bem como da compaixão”.

Dentre os principais conceitos implicados na espiritualidade de Merton, está a ideia de compaixão. Nas palavras de Bertelli, a compaixão é uma “metáfora includente em Merton [...]. Compaixão não é um conceito psicológico, mas ontológico. Não é sentimentalismo nem assistencialismo. É um dos elementos constitutivos das grandes religiões da humanidade, base comum dos diálogos entre as místicas cristã, budista, judaica (cabala) e sufi (islâmica). Compaixão é uma metáfora polissêmica, que hoje podemos compreender como sinônimo de solidariedade, justiça, ternura, amor. Era um termo periférico no passado. No mundo atual, porém, tornou-se um conceito central, diante do oceano de sofrimento humano, e de tantas vítimas: das guerras, dos desastres climáticos, da Aids, da ganância sem medida e da competição promovida pela ideologia neoliberal, da violência endêmica e pandêmica em nossa sociedade e no mundo.”

Para Merton, conclui Bertelli, “a compaixão é um corretivo da mística. Nenhuma mística é autêntica se não se converter em compaixão. [...] Foi no seguimento de Jesus, em sua prática feita de compaixão, sabedoria e coragem, que Merton se inspirou para fazer dela uma das colunas mestras de sua espiritualidade”.

A nota é de Luís Carlos Dalla Rosa, doutor em Teologia

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