Manifestantes param quatro capitais contra aumento de tarifa

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14 Junho 2013

Protestos liderados por jovens contrários ao aumento da tarifa do transporte público pararam ontem o centro de quatro capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Maceió. Nas mobilizações mais radicais, como em São Paulo, o confronto entre a tropa de choque da Polícia Militar e os estudantes transformaram o centro da cidade numa praça de guerra. O Movimento Passe Livre, fundado há dez anos, apartidário, iniciou a onda de manifestações mas não controla mais os protestos.

A reportagem é de Cristiane Agostine e Raphael Di Cunto e publicada pelo jornal Valor, 14-06-2013.

Em São Paulo, de braços dados, estudantes com camisetas de movimentos sociais e de partidos, punks com o rosto coberto, garotas segurando flores e jovens com faixas contra o aumento da tarifa de ônibus formavam, na noite de ontem, um cordão que ocupava a rua Consolação, importante via da capital. Atrás deles, seguiam mais de cinco mil jovens, embalados por gritos como "Vem para a rua, vem contra o aumento", em direção à avenida Paulista. A manifestação seguia pacífica até encontrar uma fila de motocicletas da Polícia Militar. Menos de dois minutos depois de um dos jovens avisar a PM do itinerário do protesto, começaram as bombas de efeito moral e o gás pimenta, jogados pela barreira policial que estava perto. Jovens corriam e gritavam "sem violência, sem violência" até a quinta bomba jogada pela polícia. O confronto tomou conta da situação.

Os manifestantes que se esconderam em um posto de gasolina próximo mal conseguiam respirar com o gás pimenta, tampouco abrir os olhos com a fumaça das bombas de efeito moral. Parte do grupo correu para ruas paralelas e voltou a protestar gritando "sem violência". Outros começaram a quebrar placas de concreto da calçada e a revirar sacos de lixo para pegar garrafas long neck e jogar na polícia. Alguns jovens sacavam da mochila latas de spray e pichavam lojas, muros, agências bancárias, chutavam as portas de comércios e destruíram tudo o que viam pela frente.

O quarto protesto contra o aumento da tarifa de R$ 3 para R$ 3,20 do ônibus, metrô e CPTM em São Paulo repetiu o conflito que marcou as outras manifestações, porém a repressão policial foi intensificada. Pelo menos 60 jovens foram presos, inclusive jornalistas A Tropa de Choque reprimiu os manifestantes e tiros de bala de borracha, gás pimenta e bombas de efeito moral da PM seguiram até o fim do protesto. Policiais estouraram o vidro de um carro com bombas que jogaram.

Ainda na concentração do protesto, em frente ao Theatro Municipal, no fim da tarde, o clima já era de preocupação com o acirramento entre os manifestantes e a PM. Plínio de Arruda Sampaio, candidato do PSOL à Presidência em 2010, pegou o megafone para incentivar os jovens. "Me convidaram a participar porque havia perigo aos manifestantes. Não vou deixar machucar crianças. A reivindicação é justa e a tarifa deveria ser de graça", disse.

Dezenas de jovens carregavam flores e diziam que era preciso evitar a violência. "Vamos tentar manter a paz. Lutamos por uma causa muito importante", disse o universitário Pedro Henrique, de 25 anos. "O protesto não é feito por vândalos".

As ruas da região central abrigaram a diversidade social da cidade e misturaram aqueles que estão acostumados a viver segregados. Jovens da periferia estavam lado a lado com garotos de classe média e alta.

Bandeiras do PSTU e PSOL eram minoria em relação aos cartazes erguidos por jovens que declaravam não ser filiado a nenhum partido nem ligado a movimento social, mas que estava lá para protestar contra o aumento da tarifa. "O protesto é muito maior do que os R$ 0,20 centavos. O povo vive apertado nos ônibus e o transporte individual impera na cidade", disse o assistente jurídico Fernando Araújo, de 29 anos. "O governo federal isenta o IPI para carros. O prefeito isenta a inspeção veicular. Mas ninguém subsidia os R$ 0,20".

Em meio aos protestos, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), lançou consulta pública para a licitação do transporte público, que irá renovar a concessão das empresas de ônibus e a permissão para os perueiros atuarem. A estimativa da prefeitura é pagar até R$ 46 bilhões pelo serviço.

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