Grandes laboratórios buscam cobaias humanas baratas no Brics

Revista ihu on-line

China, nova potência mundial – Contradições e lógicas que vêm transformando o país

Edição: 528

Leia mais

Ore Ywy – A necessidade de construir uma outra relação com a nossa terra

Edição: 527

Leia mais

Sistema público e universal de saúde – Aos 30 anos, o desafio de combater o desmonte do SUS

Edição: 526

Leia mais

Mais Lidos

  • "Pela Democracia, pelo Brasil". Manifesto contra candidatura de Jair Bolsonaro

    LER MAIS
  • Papa readmite os bispos chineses “ilegítimos” e cria uma diocese na China

    LER MAIS
  • Apelo de Francisco: ''Que o Senhor nos ajude a reconhecer a tempo as sementes de ideologias totalitárias"

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

16 Maio 2013

Por anos, grandes laboratórios farmacêuticos têm testado novas drogas em países em desenvolvimento como a Índia. A prática é proibida, mas o uso da terceirização torna difícil a detecção.

A reportagem é de Nicola Kuhrt, publicada na revista Der Spiegel e reproduzida no Portal Uol, 15-05-2013.

Em 2008, a Fundação Uday indiana publicou uma lista controversa. Nela, a organização de ajuda à criança identificou os nomes de todos os medicamentos que foram testados pelo All India Institute of Medical Sciences. Em dois anos e meio, 49 bebês morreram no hospital durante estudos clínicos.

Entre as várias substâncias testadas em crianças estava o anti-hipertensivo Valsartan. O composto foi produzido pelo laboratório suíço Novartis. A empresa nega qualquer culpa pelas mortes. "As crianças que participaram nos testes estavam muito doentes. Não pode ser determinado que a administração do Valsartan tenha sido a causa da morte em qualquer um desses pacientes", disse o porta-voz da Novartis, Michael Schiendorfer. Será que testes semelhantes seriam possíveis na Alemanha ou na Suíça? Como o público reagiria caso bebês tivessem morrido em uma clínica em Basel ou Frankfurt?

Os fabricantes internacionais de medicamentos evitam essas perguntas –enviando suas novas substâncias para todo o mundo para serem testadas. Índia, Brasil, Rússia e China - que, junto com a África do Sul, formam o bloco econômico conhecido pelo acrônimo de Brics - são todos destinos populares .

Vários estudos indicam que mais da metade de todos os testes de drogas em todo o mundo ocorre em países recém-industrializados. Não é apenas mais barato a realização dos estudos neles, mas muitos participantes são gratos por estarem recebendo algum tratamento. As empresas são atraídas pela perspectiva de os padrões internacionais estabelecidos serem aplicados menos rigidamente do que na Europa Ocidental, Japão ou Estados Unidos.

Padrões ignorados

A Declaração de Helsinque não deixa dúvida quanto ao procedimento de testes médicos. De autoria da Associação Médica Mundial em 1964 e revisado pela última vez em 2008, o documento determina como os participantes de testes médicos devem ser protegidos de qualquer mal. O texto diz: "Na pesquisa médica envolvendo cobaias humanas, o bem-estar do paciente submetido à pesquisa deve estar acima de todos os demais interesses". Além disso, ele estipula, as necessidades das pessoas em desvantagem econômica e médica devem ser levadas particularmente em consideração.

Mas quando se trata da prática diária dos pesquisadores, esses preceitos costumam ser desprezados. Se os laboratórios farmacêuticos cumprem todas as regras é muito difícil de monitorar. Muitos fabricantes terceirizam os testes frequentemente controversos de pílulas, os transferindo para empresas menores em países em desenvolvimento, as chamadas organizações de pesquisa clínica (CROs, na sigla em inglês). Entre as tarefas das CROs estão o planejamento, preparação e implantação dos estudos clínicos, juntamente com a gestão de dados, monitoramento e recrutamento dos pacientes.

O tamanho da Associação das Organizações de Pesquisa Clínica atesta quão poderosas as CROs se tornaram. Em 2008, as empresas contratadas por grandes empresas farmacêuticas planejaram e realizaram mais de 9 mil estudos envolvendo aproximadamente 2 milhões de pacientes em 115 países. As vendas representaram aproximadamente US$ 20 bilhões, segundo estimativas, o equivalente a um terço de todos os gastos globais em pesquisa de medicamentos.

Corrida pelos lucros

Rápidas, de custo-benefício eficaz e confiáveis, as CROs anunciam agressivamente seus serviços em seus sites. Essas promessas são bem recebidas pelos grandes fabricantes. Quanto mais rapidamente cada fase de um teste clínico puder ser completada, mais cedo as empresas podem lançar novas drogas lucrativas no mercado. Isso é algo que empresas como Bayer, GlaxoSmithKline e Pfizer aparentemente já reconheceram. Todas as três empresas já testaram medicamentos na Índia.

A empresa biofarmacêutica AstraZeneca testou seu medicamento para circulação Ticagrelor no Bhopal Memorial Hospital & Research Centre. O hospital foi fundado depois de mais de 10 mil pessoas terem morrido em um desastre químico na cidade de Bhopal, em 1984. Os sobreviventes recebiam tratamento médico na clínica. Mas alguns deles também serviram por acaso como cobaias de um medicamento para coração ainda não aprovado.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Grandes laboratórios buscam cobaias humanas baratas no Brics - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV