Ascensão e queda de Eike espelham trajetória recente do Brasil, afirma jornal

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01 Novembro 2013

Uma reportagem publicada nesta quinta-feira no jornal americano New York Times afirma que a ascensão e queda do empresário Eike Batista espelha a trajetória recente do Brasil, que vinha crescendo rapidamente, impulsionado pelo boom das commodities, mas agora está declinando.

"O mercado de ações no Brasil caiu mais de 11% neste ano, enquanto os principais mercados ao redor do mundo vêm acumulando ganhos", afirma o diário.

A reportagem foi publicada por BBC Brasil, 31-10-2013.

Ainda segundo o jornal, os protestos que tomaram conta das ruas brasileiras em junho refletem o ressentimento dos brasileiros com um governo que vem canalizando recursos para projetos controlados por magnatas como Batista.

A OGX, petroleira de Batista e considerada a joia da coroa de seu conglomerado EBX, entrou com pedido de concordata na quarta-feira após terem fracassado as negociações com credores.

Um analista ouvido pela reportagem do NYT afirma que já estava claro, desde 2011, que a OGX não seria tão bem sucedida como divulgava.

Marcus Siqueira, do Deutsche Bank, menciona um relatório em que a petroleira afirmava ter 10 bilhões de barris em reservas. Mas, segundo o analista, para atingir esse número, a companhia acrescentou reservas que ainda não estão confirmadas.

"Apesar desta discrepância ter estado lá para todo mundo ver, poucos prestaram atenção", disse Siqueira.

"É o mesmo (como) em toda bolha. Há um momento em que todo mundo só quer ouvir boas notícias".

Lição para investidores

Uma análise publicada nesta quinta-feira pelo diário financeiro britânico Financial Times questiona se o naufrágio do império de Batista pode se tornar uma dor de cabeça para investidores americanos e europeus que detêm bonds de companhias latino-americanas.

Analistas ouvidos pelo jornal opinam que, apesar de a região ter assistido a algumas derrocadas corporativas, como a de empreiteiras mexicanas, o desfecho da crise na OGX não deve afastar investidores.

"A situação com a OGX foi bem divulgada e os investidores mais dedicados sabem que os problemas com a companhia eram bem específicos e não impõem um risco sistêmico maior", afirmou Daniel Shirai, analista da Brasil Plural, em Nova York.

Ainda assim, o jornal avalia que o caso OGX deve deixar uma lição para os investidores, já que, em retrospecto, eles foram "prematuros" ao ampliarem injeção de recursos na companhia em meio a um cenário em que muitos dados não estavam claros.

"Mas o problema é que o mercado tem memória curta. Podemos esperar que novos erros serão cometidos novamente".

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