A tecnologia pode ser a locomotiva de mudanças

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01 Abril 2013

Entre críticos ou entusiastas do uso da tecnologia na sala de aula, há uma ideia em comum: a tecnologia precisa ajudar concretamente na aprendizagem. Não basta tablets ou lousas eletrônicas nas salas - que representam investimentos altos - se não houver um projeto educacional.

A reportagem é de Paulo Saldaña e foi publicada no jornal O Estado de S. Paulo, 30-03-2013.

Na opinião da diretora executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, essa concepção tem evoluído nos últimos anos. "A vantagem é que para ter um projeto que funcione bem é preciso mexer em vários outros fatores, como ter um currículo definido, formar o professor, mudar o espaço físico", diz ela. "A tecnologia, nesses casos, é a locomotiva de mudanças que puxa outros vagões, e isso é a transformação."

Priscila diz que, assim como nas experiências internacionais, é necessário investimento na consolidação das ferramentas. "Percebe-se, por exemplo na Summit, que houve muito esforço, avaliaram, aperfeiçoaram. Há um acúmulo e assim que se consegue colocar em escala."

A utilização da tecnologia em escala no Brasil começa exatamente na definição clara de como a tecnologia vai ajudar no aprendizado, segundo o diretor executivo da Fundação Lemann, Denis Mizne. "O segundo desafio é construir a implementação em conjunto com professores e equipe gestora para que o projeto tenha sentido na escola e seja efetivamente incorporado no dia a dia dos alunos. Muitas das inovações acabam não conseguindo chegar na ponta, pois esta costura não é feita adequadamente", afirma ele, que lembra ainda as dificuldades de infraestrutura. "A questão de conectividade não é uma realidade nas escolas brasileiras."

Cultura digital. Mesmo que a informatização não seja uma realidade nas escolas, houve uma mudança no centro do debate. Enquanto na década de 1990 a preocupação era levar as máquinas às escolas, o que se impõe hoje é a chegada da cultura digital na sala de aula. "Ou a escola inserida na cultura digital", como diz a coordenadora de projetos do Instituto Educadigital, Giulliana Bianconi.

A internet e o acesso à informação fazem com que os alunos cheguem às escolas com outras habilidades e, segundo Giulliana, a discussão da tecnologia não é mais só uma questão de ferramenta. "Essa cultura digital, da construção, compartilhamento e remix, é muito mais enraizada na sociedade. E a escola, como um ambiente para aprender, ficou esvaziada."

Segundo ela, em uma realidade em que muita gente ainda não tem acesso à tecnologia e internet, o problema da educação se torna ainda maior. "É um grande desafio para que as distâncias na educação não fiquem ainda maiores."

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