Dinamarquesas são incentivadas a faltar ao trabalho até 2015 em protesto contra diferença salarial

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11 Novembro 2014

Sindicatos dinamarqueses que representam mais de 1,1 milhão de trabalhadores dos setores público e privado, o equivalente a pelo menos metade da força de trabalho do país, estão incentivando seus membros femininos a fazerem exatamente isso — meio a sério, meio em tom de brincadeira — para protestar contra uma diferença salarial de 17% em relação aos homens.

A reportagem foi publicada por Bloomberg News e reproduzido pelo jornal O Globo07-11-2014.

— É um modo de acabar com a brecha salarial entre os gêneros num piscar de olhos — disse Lise Johansen, diretora da campanha da Confederação de Sindicatos Dinamarqueses, em entrevista pelo telefone. — Vão passar o resto do ano numa ilha tropical!

Embora “todos saibam que é uma brincadeira”, o protesto, que agora está em seu quinto ano, destaca os desafios enfrentados pela Dinamarca, apesar de a nação estar entre os países com as menores disparidades salariais, disse Johansen.

Os países escandinavos foram os mais bem-sucedidos na redução da diferença entre os gêneros, de acordo com um relatório do Fórum Econômico Mundial publicado na semana passada. A Dinamarca ficou em quinto lugar em uma pesquisa com 142 países, atrás da Islândia, da Finlândia, da Noruega – onde o governo implementou há pouco tempo o serviço militar obrigatório para mulheres – e da Suécia.

No entanto, em termos de igualdade salarial para trabalhos semelhantes, a Dinamarca ficou em 38º lugar, de acordo com o relatório.

Os salários médios por hora das dinamarquesas estão quase um quinto abaixo dos salários recebidos pelos homens, apesar de que um número maior de mulheres possui diplomas superiores, de acordo com a confederação. O grupo é um dos cinco sindicatos que organizam o protesto “Último dia de trabalho das mulheres”. A diferença reflete discrepâncias estruturais do mercado de trabalho dinamarquês e encolhe para cerca de 7% ao comparar os salários para o mesmo trabalho, disse Johansen.

Auditoria de gênero

— Ainda temos uma discrepância salarial em relação a gênero e as mulheres daqui têm o maior nível de formação acadêmica do mundo, inclusive um nível mais elevado do que o dos homens — disse Johansen, citando a pesquisa do Fórum. — Por que o salário para trocar o óleo de um carro deve ser mais alto do que o salário para cuidar de crianças?

É provável que as mulheres não sigam o conselho dos sindicatos e continuem levando um bolinho para seus colegas, disse ela, referindo-se ao costume dinamarquês de levar um bolo ao trabalho um dia antes de sair de férias.

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A Dinamarca, onde cerca de três quartos de todos os funcionários públicos e privados estão afiliados a um sindicato, vai exigir que as empresas com dez ou mais funcionários realizem a partir de janeiro uma “auditoria de gênero” para comparar os salários dos homens com os das mulheres.

O requisito amplia uma diretriz anterior que se aplicava apenas às empresas com 35 ou mais funcionários, a fim de abarcar a maior parte da força de trabalho. Ele também possibilita que os representantes dos sindicatos discutam os resultados, de acordo com a confederação.

— Esperamos que mais transparência possa provocar algum efeito sobre a diferença salarial entre os gêneros — disse Johansen. — Nós trabalhamos com isso há muitos anos – por exemplo, oferecendo bons serviços de creche –, mas a situação continua se repetindo. Isso faz com que a questão seja ainda mais estranha e provocadora.

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