Legionários de Cristo profanam Maria Madalena. E o papa se insurge

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08 Setembro 2014

Quando o Papa Francisco soube, parece que ele pulou na cadeira. Santa Maria Madalena comparada a um padre pedófilo em série? Inaceitável sob todos os pontos de vista. O rumor de mais este "papelão", à beira da provocação, que levou um dos membros da cúpula dos Legionários de Cristo a comparar a figura de Maria Madalena ao fundador dessa ordem religiosa, o padre Marcial Maciel Degollato, punido pelo Papa Ratzinger em 2006 por ter estuprado dezenas de seminaristas e até mesmo abusado de dois dos seus filhos naturais, além de ter enganado, corrompido e semeado joio na Cúria, reabriu velhas feridas na Igreja. Feridas ainda não curadas, apesar de já se terem passado seis anos desde o falecimento do padre Maciel, um sacerdote mexicano com um cursus honorum de bastidores tão ímpio e criminoso a ponto de ser comparado ao diabo, a um dos piores delinquentes da história, ao mal.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no jornal Il Messaggero, 02-09-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A aproximação entre Maciel e Santa Maria Madalena feita pelo padre legionário Juan Solana só poderia dar origem a uma sequência de polêmicas e reações assustadas. Como é possível tolerar tal comparação? As cartas de denúncia começaram a afluir ao Vaticano sinalizando o episódio.

O clima de férias que ainda habita nos escritórios do outro lado do Tibre não impediu uma intervenção de cima. O "papelão" feito por uma das principais ordens religiosas da América Latina, muito influente especialmente durante o pontificado de Wojtyla, foi enfrentada de peito aberto.

Poucos dias depois da publicação do livreto contendo a inaceitável comparação, veio a advertência, e o padre Solana foi obrigado a recuar, a engolir tudo o que anteriormente havia escrito (isto é, que "as iniciais Marcial Maciel são MM, as mesmas de Maria Madalena, que teve um passado problemático antes da sua conversão. Nisso – escreveu – existe um paralelo. O nosso mundo tem um padrão duplo quando se entra no campo da moral. Alguns têm uma vida formal e pública, mesmo que, nos bastidores, tenham outra. Quando acusamos alguém e jogamos pedras contra ele, devemos nos lembrar que todos nós temos problemas e defeitos. É fácil matar a reputação de alguém. Devemos ser mais prudentes e menos julgadores").

Poucos dias depois, com as cinzas sobre a cabeça, os legionários emitiram um comunicado para pedir desculpas. "Estou profundamente arrependido pelo que eu escrevi no livreto publicado neste verão pelo Magdala Center em Jerusalém, administrado pela Legião".

Provavelmente, padre Solana não imaginava tanta repercussão; talvez não tivesse lido sequer uma das proibições desejadas por Ratzinger para livrar a Legião de Cristo do seu diabólico fundador. E isso que as regras eram precisas: ninguém, no futuro, jamais poderia fazer menção a Maciel, nem citá-lo em um documento, nem publicizá-lo.

Em relação aos comportamento indignos de Maciel, os legionários continuaram afirmando que não tinham conhecimento, até depois da sua morte, em 2008. Ratzinger, no entanto, não estava convencido disso, já que, em torno de Maciel, havia se constituído um sistema de poder e de defesa que talvez ainda sobrevive.

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