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06 Agosto 2014

Tinha passado pouco mais de um ano do conclave, do qual, no dia 21 de junho de 1963, ele saíra com o nome de Paulo VI, quando Montini concluiu a sua primeira encíclica, programática do pontificado, na qual ele se pôs a trabalhar logo depois da eleição.

A reportagem é de Giovanni Maria Vian, publicada no jornal L'Osservatore Romano, 06-08-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A intenção era de publicá-la antes da reabertura do Concílio, interrompido, segundo o direito, com a morte do predecessor e que o novo papa tinha decidido retomar, com urna das suas primeiras decisões, já no dia 29 de setembro seguinte.

O tempo não foi suficiente. Mas basta uma rápida comparação entre o longo discurso proferido naquele dia por Paulo VI diante dos Padres conciliares e a Ecclesiam suam, publicada quase um ano depois, no dia 10 de agosto de 1964, para se dar conta de que a encíclica, em linhas gerais, foi antecipada naquela intervenção.

O discurso traçava com lúcida energia o percurso do Vaticano II, e não por acaso o novo papa se referiu ao texto do dia 29 de setembro nas primeiras linhas do seu documento programático.

Além de um grupo de apontamentos preparatórios, conserva-se da encíclica (e foi reproduzido em fac-símile em 1998) o texto autografado, escrito na íntegra por Paulo VI. São 80 folhas, longamente meditadas e depois redigidas nos primeiros meses de 1964, depois da viagem surpresa à Terra Santa, realizada para "assumir o ensino da autenticidade cristã" e da qual, no texto, ele recorda "o encontro repleto de caridade e não menos de nova esperança" com o patriarca Atenágoras, em Jerusalém.

A encíclica manifesta o pensamento do papa e o apresenta segundo uma dupla tripartição. Na visão montiniana, a Igreja deve aprofundar a consciência de si mesma. comprometer-se na renovação, abrir-se ao "diálogo". Tema de quase metade do texto, o diálogo se estende a três grandes círculos concêntricos ao seu redor: o primeiro, imenso, constituído pela humanidade enquanto tal; o segundo, vasto mas menos distante, pelos crentes não cristãos; e o terceiro, mais próximo, pelos não católicos.

A meio século de distância, para além de persistentes ideologizações e resistências, foram em grande parte diluídos os contrastes sobre o Vaticano II. E, se os debates do Concílio inevitavelmente ofuscaram a meditação apaixonada de Montini, parece cada vez mais claro o seu papel, respeitoso, mas decisivo.

Diante da "surpreendente novidade do tempo moderno", escreve o papa, a Igreja "com ingênua confiança debruça-se sobre os caminhos da história, e diz aos homens: eu tenho aquilo que vós procurais".

Ler 50 anos depois a Ecclesiam suam e a escrita nítida de Paulo VI leva a compreender que ela é mais do que uma encíclica, muito mais do que um documento programático. Prova disso é outro apontamento escrito e autografado pouco depois: "Talvez a nossa vida – anota o papa – não tenha uma característica mais clara do que a definição do amor pelo nosso tempo, pelo nosso mundo, pelas almas das quais pudemos nos aproximar e nos aproximaremos: mas na lealdade e na convicção de que Cristo é necessário e verdadeiro".

Meditação coerente nascida de uma vida inteira, o texto montiniano foi concluído no dia 11 de julho de 1964. "A data oficial – anotou Paulo VI no fim do manuscrito – poderia ser: 'Do Vaticano, 6 de agosto de 1964, na festa da Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo'".

Quatorze anos mais tarde, em 1978, na noite daquele dia, o papa quietamente se apagava, depois de se ter despedido com um aceno de mão, rezando até o último momento com as palavras do Pater noster.

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