Dois papas, dois santos? Entrevista com Massimo Faggioli

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28 Abril 2014

O dia de 27 de abril será um evento mundial. Para a dupla canonização de dois papas, João XXIII e João Paulo II, são esperados cinco milhões de peregrinos. Para entender um pouco mais a fundo esse acontecimento, entrevistamos Massimo Faggioli, professor de História do Cristianismo Moderno na University of St. Thomas, em Minneapolis (EUA).

A reportagem é de Pier Luigi Mele, publicada no blog Confini Rai News, 23-04-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

A canonização de João XXIII e João Paulo II seguramente é um ato muito significativo do Papa Francisco. Qual é o significado histórico-teológico dessa dupla canonização?

São dois papas ligados à história do Concílio, especialmente João XXIII. A mensagem é que a Igreja e o papado de hoje não são compreensíveis sem o Vaticano II – especialmente sem João XXIII, que teve a ideia de convocá-lo. Mas a dupla canonização serve para dar um equilíbrio para dois rostos da Igreja contemporânea complementares, mas diferentes.

Para um observador "malicioso", no entanto, não pode escapar que, de um lado, se proclama santo Giuseppe Roncalli, o papa da ternura e do Concílio Vaticano II, o Concílio da abertura da Igreja ao mundo. E, de outro, se proclama santo Karol Woitjla, o papa, em alguns aspectos, da "restauração"; o termo é deliberadamente forte. Não se corre o risco de uma contradição?

Também é uma contradição, mas, se quisermos, é menos contraditório do que o primeiro par de papas santos em que Paulo VI pensou em 1965, ou seja, Pio XII e João XXIII. A diferença entre os dois não está no nível da santidade pessoal, mas sim em termos de memória da Igreja sobre a sua ação na Igreja como papas. A partir desse ponto de vista, não há dúvida de que a canonização de Wojtyla deixe alguns perplexos, se pensarmos em alguns casos ainda em aberto e controversos, como a questão dos Legionários de Cristo.

Roncalli tinha uma "sapientia cordis" capaz de romper as barreiras entre as pessoas. Esse é o lado mais imediato e popular de João XXIII. Qual é a mensagem "perene" para a Igreja?

Eu diria duas coisas: o "remédio da misericórdia" (que Roncalli aprendeu sobre si mesmo depois dos anos do seminário) e os "sinais dos tempos" (a necessidade de que a Igreja seja consciente do mundo, porque a Igreja existe para a salvação do mundo). Não por acaso são elementos muito visíveis no Papa Francisco também.

Wojtyla foi um homem "dramático", obviamente no sentido nobre do termo. O seu cristianismo era militante, muito "político", a sua batalha epocal contra o comunismo. Certamente, um papa que na fase final da sua vida testemunhou com força a sua fé. Em suma, o longo pontificado de Wojtyla tem suas grandes luzes e as suas sombras, por exemplo, a incompreensão em relação a Dom Romero. Aqui, também, qual é a mensagem "perene" para a Igreja?

A mensagem perene, eu diria, é a vontade de um papa de reagir a grandes transformações em curso no mundo do fim do século XX: o fim da Guerra Fria, as mudanças biotecnológicas, a questão do gênero. Nesse sentido, a mensagem deixada por João Paulo II é ainda difícil de julgar historicamente: muito do seu ensinamento em matéria de moral (ainda?) não foi recebido pela Igreja, e, em certas partes da Igreja (como nas Américas), ele é acusado de ser a causa de muitos problemas de hoje – não menos importante, a repressão da teologia da libertação na América Latina.

Em suma, duas "eclesiologias" se confrontam. Von Balthasar, o grande teólogo suíço, afirmava que "a Verdade é sinfônica". Há, no entanto, um ponto crítico no cristianismo wojtiliano: o dos grandes encontros. No entanto, a secularização "galopou" muito no mundo contemporâneo. O Papa Francisco, que goza de imensa popularidade, está consciente desse "risco"?

Acho que Francisco está consciente, mesmo que o instrumento que ele deve usar – o papado midiático – não seja diferente. Mas se vê que o estilo de Bergoglio é diferente do de Wojtyla: certamente mais roncalliano do que wojtyliano.

Última pergunta: a partir do seu observatório norte-americano, como essa dupla canonização é vivida pelos católicos dos EUA?

A figura de João XXIII é mais próxima dos católicos leigos de uma certa geração, a do Concílio e da primeira fase do pós-concílio. João Paulo II é mais próximo do clero e dos bispos de hoje, e da geração que o viu na televisão e em solo americano entre os anos 1980 e 1990. Mas, para todo o catolicismo norte-americano, João XXIII é o último papa realmente popular, acima das polêmicas. Para os norte-americanos, depois da encíclica de Paulo VI Humanae vitae, de 1968, sobre a contracepção, o papa [a sua figura] não foi mais o mesmo.

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