O fim do paradigma da Igreja defensiva

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12 Novembro 2015

A Igreja italiana, entendida durante décadas como "força motriz" da sociedade, é chamada a mudar de pele. Francisco disse isso nessa terça-feira em Florença: a única "força motriz" é o Evangelho.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 11-11-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Uma indicação simples e, ao mesmo tempo, exigente, que, embora sem qualquer processo no passado, encerra, de fato, aquela longa temporada que teve como protagonista absoluto o cardeal Camillo Ruini (foto), a temporada wojtyliana-ratzingeriana que começou em 1985, no Congresso Eclesial de Loreto, e encontrou a sua confirmação em Palermo, em 1995 e, depois, em 2006, em Verona.

A reviravolta, em 1985, foi um convite decidido aos católicos italianos a retomarem "um papel de liderança na sociedade", com o consequente lançamento do "projeto cultural de orientação cristã", em uma Itália onde, com o declínio da Democracia Cristã, os bispos assumiam um papel de protagonistas.

Foram anos de colateralismo com a política e, em particular, com a centro-direita de Silvio Berlusconi e de protagonismo na cena pública com batalhas pelos "valores inegociáveis", que desembocaram em lutas sobre bioética e a família, com uma praça que teve o seu apogeu no Family Day de 2007, com muitos movimentos eclesiais mobilizados na primeira fila.

Para que se entenda, essa ideia de Igreja foi abandonada não nessa terça-feira: antes mesmo do advento de Bergoglio ao sólio de Pedro, o cardeal Angelo Bagnasco traçou um caminho diferente, uma Igreja menos barricada na defensiva, menos combativa e mais espiritual.

Mas é evidente que, a partir dessa terça-feira, uma longa temporada teve o seu fim. O papa convidou a Igreja italiana a tomar um caminho diferente, não obcecado pelo poder, sinal de uma Igreja simples e que sabe assumir os sentimentos de Jesus.

Enrico Galavotti, historiador do cristianismo de Chieti, autor do recente Il pane e la pace. L'episcopato di Loris Capovilla in terra d'Abruzzo (Ed. Textus), diz: "Francisco sancionou o fim do paradigma de Loreto. Não buscar mais posições de poder significa abandonar uma estratégia, realizada através dos movimentos eclesiais, de pressões sobre os partidos e sobre as referências políticas. Certamente, ainda não está claro como essa nova estrada vai ser modulada. Francisco, creio eu, deseja que sejam os bispos, e não ele, que encontrem uma aplicação prática disso. Como se dissesse: 'Assumam as responsabilidades de vocês e façam isso colegialmente'. Em todo o caso, não acabaram nem a pessoa de Ruini, nem um modo de gerir a Conferência Episcopal, um homem só no comando a ditar uma linha à qual todos devem se adequar".

Os movimentos eclesiais, durante anos como postos avançados da Igreja, sempre em batalha com o mundo exterior, também são chamados a mudar de pele. De carismas identitários a comunidades não mais autorreferenciais: "Pensamos também – disse ainda Francisco – na simplicidade de personagens inventados, como Don Camillo, que faz par com Peppone".

Para Luca Diotallevi, sociólogo da Universidade Roma Tre, "Francisco fez e faz muito bem a pars destruens, a desconexão da Igreja com um mundo que termina. Porém, resta a pergunta sobre o que significa construir hoje. Ou seja, ter a coragem de buscar uma encarnação do Evangelho boa para hoje, diferente daquela que era boa ontem e daquela que será amanhã. Francisco quer essa nova estrada seja encontrada pela Igreja italiana sozinha, reavaliando as paróquias e as associações. No entanto, resta o caráter terno e, ao mesmo tempo, enganoso do exemplo de Don Camillo. Enganoso, porque o povo não existe mais. Há um conjunto de pessoas, uma diferente da outra. E não se pode dizer que esse é um passo atrás, não podemos ter nostalgia do povo".

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