Papa Francisco, o reformador? Historiador diz que Papa tem inimigos dentro e fora da Igreja

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04 Março 2015

O Papa Francisco é um reformador radical que está enfrentando inimigos – dentro e fora da Igreja – que se opõem a, pelo menos, algumas partes de sua agenda, disse um destacado historiador da Igreja.

Massimo Faggioli, especialista no Concílio Vaticano II e autor de vários livros, disse que o papa não é um liberal que exalta o indivíduo como o centro do mundo e que vê um papel minúsculo da Igreja na vida pública.

A reportagem é de Glen Argan, publicada pelo sítio da revista America, 03-03-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Em vez disso, o pontífice considera a Igreja como tendo uma função na sociedade e, na verdade, “em tudo o que os seres humanos se propõem a fazer”, disse Faggioli na série anual de palestras “Anthony Jordan”, ocorrida no Seminário St. Joseph, em Alberta, Canadá, no último dia 28.

“Não se trata de um pensamento liberal; é um pensamento cristão radical”.

Faggioli é professor na University of St. Thomas, em Minnesota, e autor de vários livros, incluindo “Pope Francis: Tradition in Transition” [Papa Francisco: Tradição em transição, em trad. livre], que será publicado pela Paulist Press em maio nos EUA.

As palestras anuais Anthony Jordan são organizadas pela Newman Theological College com apoio dos Oblatos de Maria Imaculada.

O Papa Francisco, disse Faggioli, vê a si mesmo como tendo dois mandatos de reforma.

O primeiro ele recebeu dos cardeais no Conclave de março de 2013, que o escolheu como papa. Este mandato é para lidar com os problemas das finanças vaticanas, com a corrupção, com os escândalos envolvendo abusos sexuais e a reforma curial.

Há um consenso quanto à necessidade de se levar a cabo este tipo de reforma, e o papa não enfrenta uma oposição significativa em sua implementação, afirmou.

“Desde o começo, no entanto, ele deixou claro que tinha um outro mandato e que este não decorria do Conclave nem da instituição”. Este é o seu “mandato popular”, afirmou Faggioli, o qual se deu a partir da sua experiência como arcebispo de Buenos Aires.

O mandato popular, continuou o palestrante, define-se neste seu comentário: “Quem sou eu para julgar?”, em referência a uma pessoa gay “que esteja buscando Deus e que tenha boa vontade”.

“Este é o verdadeiro desafio que ele está oferecendo à Igreja. É aí onde ele está fazendo alguns inimigos”.

Este mandato também inclui lidar com novas as questões que surgiram desde o Concílio Vaticano II, tais como o papel das mulheres na Igreja, a família e o matrimônio, disse ele. Mais adiante, incluiu também a criação do Conselho dos Cardeais, que se reúne a cada dois meses para ajudá-lo a governar a Igreja.

A criação deste Conselho, prosseguiu Faggioli, “significa basicamente dizer à Cúria Romana: ‘Você está demitida’”.

No passado, sempre que algo novo era criado na Igreja, era criado dentro da Cúria, disse o palestrante. Hoje, diferentemente, seis dos nove membros do Conselho papal são cardeais que chefiam dioceses ou que delas se aposentaram recentemente.

Alguns bispos no Vaticano II, em 1963, quiseram criar um conselho semelhante a este que o Papa Francisco lançou, mas receberam uma carta secreta enviada pela secretaria de Estado do Vaticano dizendo-lhes que não tinham o direito de propor uma tal coisa, disse Faggioli.

“O Papa Francisco tem mudado algumas coisas. É uma espécie de mudança que vem produzindo uma série notável e preocupante de reações”.

Alguns que aqui fazem oposição vêm de dentro da Cúria, mas Faggioli disse que o “poder absoluto” da Cúria é mais “um mito do que algo real”.

“Nós projetamos que eles são poderosos e eles não são”, disse.

Um cardeal dizendo que resistiria ao papa se este minasse/enfraquecesse a unidade da Igreja é “algo novo, é inédito”, falou sem nomear algum cardeal em específico.

O historiador disse que nunca viu uma oposição assim ao papa nos últimos pontificados.

“É algo que me preocupa”, acrescentou.

Geralmente, aqueles que se opõem ao Papa Francisco são os mesmos que “vêm dizendo, há décadas, que a coisa mais importante sobre ser católico é obedecer ao papa. Mas quando eles têm um papa de quem não gostam, tornam-se católicos liberais”, concluiu.

Em sua palestra, Faggioli também falou da oposição ao papa na Europa que vem do “establishment não católico intelectual econômico”, que inclui corporações e líderes nos mais variados meios de comunicação.

Estas pessoas enxergam o Papa Francisco como um teólogo da libertação que desafia “uma certa maneira de compreender o mundo através do ponto de vista do establishment ocidental”.

Faggioli previu que os próximos meses serão um período crítico para o Papa Francisco. A sua encíclica sobre o meio ambiente deve ser publicada no meio do ano, em setembro a sua visita aos EUA “vai ser a visita mais delicada do pontificado até o momento” e o Sínodo dos Bispos sobre a família irá acontecer em outubro.

Nota da IHU On-Line: Massimo Faggioli estará na Unisinos, nos dias 19 a 21 de maio, participando do Colóquio Internacional sobre os 50 anos da conclusão do Concílio Vaticano II.

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