Falta de investimento em saneamento causou 6 mil demissões na Região Metropolitana de Porto Alegre

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Por: Guilherme Tenher e Marilene Maia | 29 Agosto 2019

A queda de 66% na renda gerada pelos investimentos em saneamento entre 2010 e 2017 na Região Metropolitana de Porto Alegre indica o desligamento de mais de 6 mil cidadãos das atividades ligadas a esta política ao longo deste período. Dados como estes, coletados no Instituto Trata Brasil, revelam importantes movimentações no impacto econômico e social que esta retração pode causar na realidade das pessoas direta e indiretamente envolvidas com o saneamento básico, principalmente na geração de renda e na melhoria na qualidade de vida das mesmas.

O que é saneamento?

Segundo o Instituto Trata Brasil, “saneamento é o conjunto de medidas que visa preservar ou modificar as condições do meio ambiente com a finalidade de prevenir doenças e promover a saúde, melhorar a qualidade de vida da população e a produtividade do indivíduo e facilitar a atividade econômica”. 

O Instituto também aponta que “no Brasil, o saneamento básico é um direito assegurado pela Constituição Federal e definido pela Lei nº. 11.445/2007 como o conjunto dos serviços, infraestrutura e instalações operacionais de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, drenagem urbana, manejos de resíduos sólidos e de águas pluviais”.

Saneamento, renda e emprego

“A expansão da infraestrutura urbana de saneamento implica a realização de investimentos em construção civil volumosos, os quais têm efeitos econômicos expressivos nas áreas em que as obras são realizadas e durante o período de sua realização. Os investimentos em construção criam empregos e expandem a renda da economia”, aponta o Trata Brasil.

“Em termos conceituais, esses impactos são classificados como diretos, indiretos e induzidos e têm efeitos locais e nacionais. De forma direta, a realização de obras requer a contratação de uma construtora e de empregados, que recebem salários”, conclui.

O número total de empregos gerados pelos investimentos em saneamento na Região Metropolitana de Porto Alegre passou de 9.346 em 2010 para 3.184 em 2017. Esta movimentação contabiliza uma perda de 6.162 postos de trabalho. Isto equivale a aproximadamente duas demissões por dia durante os sete anos aqui analisados.

No ano de 2010, estimava-se que os investimentos em saneamento empregavam, diretamente, 2.501 pessoas na Região Metropolitana de Porto Alegre. Este número baixou para 852 trabalhadores em 2017, isto é, uma variação negativa de 65,9% no número de cidadãos admitidos nestas atividades. Da mesma forma, os empregos indiretos gerados por este tipo de investimento eram de 1.214 contratados em 2010, passando para 414 em 2017. Tal movimentação equivale também a uma perda de 65,9% no número de empregados. Ademais, contabilizou-se uma perda de 3.713 postos de trabalho entre 2010 e 2017 no número de empregos induzidos por investimentos em saneamento.

A renda total gerada pelos investimentos em saneamento, a preços de 2010, era de R$ 1.241.995.676,80 (lê-se um bilhão, duzentos e quatorze milhões, novecentos e noventa e cinco mil, seiscentos e setenta e seis reais e oitenta centavos); já em 2017, este valor passou para R$ 423.005.191,19 (lê-se quatrocentos e vinte e três milhões, cinco mil, cento e noventa e um reais e dezenove centavos). Esta movimentação representa uma queda de 66% na renda gerada em apenas sete anos.

Se dividido o número total pela renda direta gerada pelos investimentos em saneamento, tem-se que o valor passou de R$ 180.818.100,09 em 2010 para R$ 61.583.946,25 em 2017, isto é, um registro três vezes menor que no início da década. Já a renda induzida por estes investimentos apresentou uma queda de 77% no valor, passando de R$ 805.645.515,87 para R$ 274.390.838,74 entre 2010 e 2017.

Agora, analisando os dados totais sobre os empregos gerados pelas operações em saneamento, tem-se uma diminuição mais branda que aquela observada para os investimentos com saneamento. Assim, de 9.568 empregados em 2010, as atividades operacionais contrataram 8.619 cidadãos em 2017, contabilizando uma variação de -9,9%. Deste total, os mais atingidos foram os empregos induzidos, com uma perda de 389 postos no período 2010-2017. Em seguida, os empregos diretos, com 369 desligamentos nestes sete anos. Por último, os empregos indiretos passaram de 1.921 para 1.730 pessoas, registrando uma variação negativa de 191 contratações.

Diferentemente dos dados acerca do número total da renda direta gerada pelos investimentos em saneamento, o valor da renda oriunda das operações de saneamento apresentou um aumento de 4,6%. Em termos absolutos, de R$ 1.921.264.978,59 em 2010, o valor passou para 2.009.101.431,61 em 2017. Deste montante, 49% advinha de renda direta, 30% da renda total era induzida e 21% era gerada indiretamente. Entretanto, analisando a movimentação no biênio em que a recessão foi acentuada (2015-2016), a queda na renda foi de 14,2%. Em termos absolutos, houve uma diminuição de R$ 333.775.274,72 entre 2015 e 2017.

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