07 Mai 2026
Nesse novo ataque de Donald Trump ao Papa Leão impressiona a escolha dos tempos: justamente na véspera da chegada a Roma de seu Ministro das Relações Exteriores, Marco Rubio, que deveria reduzir as tensões. E como o mundo católico estadunidense está reagindo? Perguntamos a Michael J. O'Loughlin, diretor da revista National Catholic Reporter, com quinze anos de experiência na revista jesuíta America, The Jesuit Review.
A entrevista é de Mario Platero, publicada por Corriere della Sera, 06-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis a entrevista.
Lembro-lhe que o Papa já respondeu a Trump de forma significativa: "Espero ser ouvido pelo valor da palavra de Deus".
Resposta perfeita do Papa, lembra que ele é um líder religioso, enquanto Trump o trata como qualquer líder político que o critica em suas escolhas: imediatamente parte para o ataque. Mas ele é reincidente; antagonizar os católicos não é uma boa ideia. Acredito que ele esteja fazendo isso também porque o Papa é estadunidense e desfruta de índices de aprovação mais altos do que ele, sente a pressão da concorrência, tudo muito ilógico, mas essa é a natureza de Trump.
Até que ponto é difícil a missão de Rubio?
O presidente não lhe fez um favor. Mas o sentido da missão não muda. Trump é impulsivo, mas não quer uma escalada. A missão do Secretário de Estado é mais importante do que as repetidas declarações de Trump. O próprio fato de o encontro estar acontecendo mostra que tanto o Vaticano quanto a Casa Branca querem virar a página.
Que linha escolherá Rubio?
Rubio é leal a Trump. Ele tentará reduzir as tensões, reconhecendo a diferença de papéis entre a missão da Igreja e seu líder espiritual e a de um presidente que precisa enfrentar desafios no plano militar e econômico. Acho que eles se acertarão; compartilham uma cultura latino-americana comum.
Existe alguma implicação de política interna?
Sim, Rubio é profundamente católico e quer demonstrar sua proximidade com o Papa, especialmente tendo em vista as eleições presidenciais de 2028. Já se destaca como um dos principais candidatos na corrida republicana, e é significativo que J.D. Vance tenha ficado em casa. Rubio tem uma vantagem: faz parte do mundo trumpiano, mas também de uma coalizão mais tradicional do pensamento republicano. O vice-presidente, por outro lado, surgiu apenas por meio do movimento MAGA e do trumpismo.
Está surpreso que o Papa Leão tenha escolhido responder a Trump?
Sim, um pouco. A abordagem de seu papado até agora tem sido mais cautelosa, institucional, eu diria, diferente daquela do Papa Francisco, que era mais reativo. Aqui, o Papa Leão revela algo novo. Inicialmente, o papel de comunicar-se com a frente interna estadunidense cabia aos arcebispos e bispos locais. Agora, o Papa esclareceu que também pretende ser um protagonista direto no diálogo político nos EUA. E esse é um desenvolvimento importante.
Que diferença vê entre católicos e cristãos evangélicos?
Os evangélicos estão mais alinhados com o trumpismo. Fazem parte daquela base eleitoral de cerca de 40% que está pronta para apoiar o presidente a qualquer custo. O voto católico é mais fragmentado. Os 80 milhões de católicos são geralmente mais favoráveis à justiça social, querem proteger os imigrantes e têm se alternado entre democratas e republicanos. John Kennedy, o primeiro presidente católico, era democrata.
Havia um convite para o Papa vir celebrar o 250º aniversário da Independência estadunidense, mas ele não aceitou...
O Vaticano nunca agendou uma visita a um país antes de uma eleição, e as eleições de meio de mandato em novembro serão um evento muito importante. O Papa optou por se manter fora disso.
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