Por que não se reconciliam? A pesquisa de uma revista jesuíta

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05 Janeiro 2012

Uma aprofundada investigação da revista dos jesuítas italianos Popoli reconstrói a aversão dos católicos tradicionalistas ao Vaticano II.

A reportagem é do sítio Vatican Insider, 05-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No número da revista missionária internacional dos jesuítas italianos Popoli, uma investigação busca lançar luz sobre a relação conflitante entre os católicos da "tradição" e o Concílio.

Partindo de uma capela da Universidade Católica de Milão, em que se celebra a missa em latim, a investigação sobre o mundo dos católicos tradicionalistas está significativamente intitulado Não me re-Concílio [Non mi riConcilio]. Na universidade milanesa, "encontramos dois dos nossos guias para a galáxia dos católicos integrais, como preferem ser chamados", relata Michele Ambrosini na sua reportagem. "Elas nos acolhem na pequena sala utilizada como sede da sua associação, em que uma bandeira do Vaticano e um pôster que retrata os zuavos do exército papal fazem uma bela demonstração de si".

Os dois estudante têm as ideias claras. "Sentimo-nos como os vandeanos, como os últimos defensores da fé. A escolha da Igreja, sancionada pelo Concílio Vaticano II, de ir ao encontro do mundo, não só modificando o rito litúrgico, mas também por meio do diálogo, consideramos como uma ofensa a Deus. Como a Igreja é expressão terrena de Deus, que é perfeito, então ela também só pode ser perfeita e, portanto, não modificável".

É rico o panorama do dossiê, com opiniões e análises a partir de um artigo do historiador da Igreja Alberto Melloni, que explora origens, estratégias e objetivos das correntes fundamentalistas católicas: "O tradicionalismo cismático – esclarece Melloni – não tem como inimigo um grupo, uma espiritualidade, uma encíclica, um livro, uma pessoa, mas nada menos do que um concílio, o Vaticano II". Concílio que, em 2012, a Igreja celebra os 50 anos.

Mas é sobretudo na França, como demonstra o episódio do bispo cismático Lefebvre e o movimento por ele fundado, que o catolicismos tradicionalista e anticonciliar afunda suas raízes. Nicolas Senèze, jornalista do jornal católico La Croix, explica os motivos dessa peculiaridade, partindo de um caso noticioso: os protestos de alguns grupos franceses contra dois espetáculos teatrais considerados blasfemos.

Completa a investigação um aprofundamento sobre a questão da liturgia e sobre as contestação, das quais se demonstra a sua falta de fundamento, dirigidas pelos tradicionalistas ao rito introduzido pelo Concílio Vaticano II.