O novo plano Trump para o Oriente Médio: sim de Israel, mas em Gaza não se vê paz

Foto: Abe McNatt | FotosPúblicas

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01 Outubro 2025

Totalmente obra de Trump o o novo plano de paz no Oriente Médio, que emergiu da Casa Branca ontem, após mais de três horas de conversas entre o presidente dos EUA e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, enquanto a invasão terrestre e os bombardeios israelenses continuavam a matar palestinos e a destruir o maior centro urbano da Faixa de Gaza. De fato, de acordo com sua proposta, será o próprio presidente da Casa Branca que liderará o órgão internacional de transição, que assumirá o controle do enclave após o fim dos combates. "Este é um dia histórico para a paz no Oriente Médio", disse ontem Trump, ao lado de Netanyahu, assegurando que a Faixa de Gaza "é apenas uma pequena parte" de sua ideia, que levará a uma "paz eterna na região" e que, segundo ele, recebeu "o consenso de muitos países", inclusive europeus. Estes, acrescentou, estiveram "muito envolvidos na elaboração do plano".

A reportagem é de Elena Molinari, publicada por Avvenire, 30-09-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.

O Conselho de Paz de Gaza incluirá outros chefes de Estado e líderes internacionais, incluindo o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o primeiro a propor a ideia de uma administração temporária sob controle não palestino de Gaza, a partilhar o comando com um comitê local. Na versão, muito semelhante, do magnata, esse grupo responsável pela gestão cotidiana dos serviços públicos será "tecnocrático e apolítico, composto por palestinos qualificados e especialistas internacionais".

Netanyahu parece ter aceito o plano, embora divirja de algumas das posições fundamentais de seu governo de extrema direita. Especificamente, a visão deixa a porta aberta para um futuro Estado palestino, que Netanyahu, na semana passada, na ONU, definiu como "suicida" para Israel. A proposta enfatiza que Israel não pretende expulsar à força os palestinos de Gaza e que eles teriam o direito de retornar se decidissem sair. O Hamas é obrigado a libertar todos os 48 reféns ainda em suas mãos, cerca de 20 dos quais se acredita estarem ainda vivos, dentro de 72 horas após a entrada em vigor do acordo, e a se desmilitarizar. Em troca, a seus combatentes seria permitido deixar Gaza e seria oferecida anistia àqueles que renunciassem à resistência. Quantidades significativas de ajuda humanitária seriam autorizadas no enclave, e Israel libertaria 250 prisioneiros palestinos que cumprem penas de prisão perpétua, bem como 1.700 cidadãos de Gaza presos após 7 de outubro de 2023. Além disso, as forças israelenses se retirariam gradualmente.

Mas tudo não passa de teoria até o sim do Hamas, que ontem, antes da coletiva de imprensa na Casa Branca, rejeitou a proposta do ex-primeiro-ministro britânico. "Tony Blair é uma figura inaceitável para o nosso povo. Não o aceitaremos a imposição de uma tutela estrangeira", declarou Taher al-Nono, assessor de imprensa do líder político do Hamas, que também afirmou não ter recebido nenhuma nova proposta do Egito e do Catar, países que teriam recebido o plano de Trump.

Durante o encontro na Casa Branca, no entanto, Netanyahu pediu desculpas por telefone ao seu colega do Catar, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, por ter violado a soberania de seu país ao atacar Doha para atingir a liderança do Hamas em 9 de setembro, prometendo não realizar ações semelhantes no futuro. O pedido de desculpas tinha como objetivo convencer o Catar a pressionar o Hamas a aceitar a proposta do governo republicano. Caso não aceitasse, disse Trump, Israel teria sinal verde dos EUA "para destruí-los".

O ceticismo é legítimo, visto que os três encontros anteriores entre o primeiro-ministro israelense e o presidente EUA também terminaram com declarações bombásticas, que não foram seguidas por nenhuma trégua. Após o anúncio de Trump, em fevereiro, da criação de uma "Riviera de Gaza", bem como após a proposta de Netanyahu de conceder ao presidente estadunidense o Prêmio Nobel da Paz em julho, apenas doze reféns foram libertados, enquanto na Faixa as pessoas continuaram a morrer, tanto de guerra quanto de fome. Mas, nas últimas semanas, a maré mudou em Washington.

Trump precisa de resultados em pelo menos um dos dois conflitos – Gaza e Ucrânia – que havia prometido resolver "desde o primeiro dia" de sua posse, e tem trabalhado para angariar consensos para sua ideia, apresentando-a aos líderes árabes na Assembleia Geral da ONU na semana passada e, em seguida, modificando-a para torná-la mais aceitável para Netanyahu. Ontem, Netanyahu aceitou os princípios da ideia de Trump, mas enfatizou que Israel manterá "a responsabilidade pela segurança e o perímetro de Gaza", que sua retirada será proporcional ao "desarmamento do Hamas" e que, se o Hamas rejeitar a proposta, Israel concluirá o trabalho.

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