Gaza: Reino Unido suspende negociações comerciais com Israel, que promete não ceder à pressão

Foto: Anadolu agency

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21 Mai 2025

O Reino Unido anunciou, nesta terça-feira (20), a suspensão das negociações sobre um acordo de livre comércio com Israel e convocou sua embaixadora em Londres, Tzipi Hotovely, em resposta à intensificação da ofensiva na Faixa de Gaza. O governo israelense minimizou os anúncios e afirmou que não cederá à pressão internacional.

A reportagem é publicada por RFI, 20-05-2025.

Em um discurso contundente diante da Câmara dos Comuns, o ministro das Relações Exteriores britânico, David Lammy, indicou que a escalada na Faixa de Gaza é "moralmente injustificável, totalmente desproporcional e contraproducente". Segundo ele, "esta guerra deixa uma geração de órfãos e traumatizados, prontos para serem recrutados pelo Hamas".

Por isso, Londres "suspendeu as negociações com o governo israelense sobre um novo acordo de livre comércio", anunciou Lammy. De acordo com o ministro, o Reino Unido vai reexaminar a cooperação com Israel. "As ações do governo Netanyahu tornaram isso necessário", reiterou o britânico, condenando também os atos de "colonos extremistas na Cisjordânia".

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores britânico anunciou sanções, incluindo restrições financeiras e proibições de viagens, a colonos israelenses por agressões na Cisjordânia. Entre as pessoas visadas estão Daniella Weiss, sionista ortodoxa de extrema-direita, considerada a líder dos extremistas. Duas organizações também são alvo das medidas.

"As sanções ocorrem após um aumento dramático nas violências na Cisjordânia", afirma ainda o documento. Desde 01-01-2024, a ONU registrou mais de 1.800 ataques de colonos contra comunidades palestinas.

Segundo o governo britânico, Israel ocupava a 44ª colocação entre os parceiros comerciais do Reino Unido em 2024. Os dois países trocaram 5,8 bilhões de libras (R$ 44 bilhões) em bens e serviços no ano passado. As negociações para concluir um acordo de livre comércio foram iniciadas em 2022.

O secretário de Estado britânico encarregado do Oriente Médio, Hamish Falconer, também indicou que a embaixadora israelense, Tzipi Hotovely, será convocada. O objetivo, segundo ele, é protestar contra "a escalada totalmente desproporcional da atividade militar em Gaza".

Obsessão anti-israelense

Logo após os anúncios, Oren Marmorstein, porta-voz do ministro das Relações Exteriores de Israel, acusou Londres de ter uma "obsessão anti-israelense" e minimizou os anúncios. "As negociações sobre o acordo de livre comércio não estavam de forma alguma avançadas", afirmou.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel ainda indicou que "as pressões externas não afastarão Israel de seu caminho", frisando que o objetivo do país é "defender sua existência e segurança contra inimigos que buscam destruí-lo". "Se, devido à sua obsessão anti-israelense e a considerações políticas internas, o governo britânico estiver disposto a prejudicar a economia britânica, isso é seu direito", reiterou.

Logo depois, o governo israelense convocou seus negociadores líderes no Catar "para consultas", mas com a permanência de uma equipe em Doha. Já o Exército de Israel indicou que ampliará sua ofensiva terrestre e ocupará novas áreas na Faixa de Gaza.

Socorristas do enclave palestino contabilizaram a morte de pelo menos 44 pessoas em bombardeios israelenses nesta terça-feira. Desde o início da campanha militar lançada em represália aos ataques do grupo Hamas de 07-10-2023, Israel matou pelo menos 53.573 pessoas, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, que a ONU considera confiável.

Também nesta terça, após quase três meses de bloqueio à ajuda humanitária, Israel indicou que 93 caminhões carregando suprimentos puderam entrar no enclave palestino. Segundo o Cogat, escritório do Ministério da Defesa israelense, entre os produtos enviados estão farinha, comida para recém-nascidos, equipamentos médicos e remédios.

UE revisará seu acordo de associação com Israel

A trágica situação humanitária na Faixa de Gaza levou a União Europeia (UE) a anunciar nesta terça-feira que revisará seu acordo de associação com Israel. "Lançaremos este exercício e, enquanto isso, cabe a Israel desbloquear a ajuda humanitária. Salvar vidas deve ser a nossa prioridade máxima", disse a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, ao final de uma reunião de ministros das Relações Exteriores da UE em Bruxelas.

Segundo Kallas, a reunião ministerial desta tarde "mostra claramente que há uma grande maioria a favor da revisão do artigo 2 do nosso acordo de associação com Israel". O texto se refere à necessidade de as partes signatárias do acordo se comprometerem a respeitar os direitos humanos.

Ao chegar à reunião, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares Bueno, anunciou que Madri, junto a outras três nações do bloco, assinou uma carta que pedia uma revisão do acordo. Para Albares, a situação humanitária na Faixa de Gaza é "insustentável, insuportável e desumana". "O tempo das palavras acabou. É hora das ações", ressaltou o ministro espanhol.

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