Comunhão e Libertação - CL - está descarrilando?

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01 Julho 2022

 

"Não se trata apenas da não aceitação das críticas em relação ao dicastério e às suas indicações, mas também da salvaguarda da autoridade daqueles que serão chamados a dirigir o movimento nos próximos anos. E sobretudo da custódia da unidade de Comunhão e Libertação", escreve Lorenzo Prezzi, teólogo italiano e padre dehoniano, em artigo publicado por Settimana News, 30-06-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

O alarme da pergunta é proporcional à gravidade da carta do card. Kevin Farrell, prefeito do dicastério para os leigos, a família e a vida, dirigida ao presidente do movimento eclesial Comunhão e Libertação (CL), Davide Prosperi (10 de junho de 2022).

 

Visando a pretensão de alguns de deslegitimar o atual presidente em nome de uma continuidade carismática com o fundador, Luigi Giussani (1922-2005), o prelado escreve: "Gostaria de especificar que a doutrina da ‘sucessão do carisma’ - proposta e alimentada durante a última década no CL pelos responsáveis pela gestão, com desdobramentos que ainda são cultivados e favorecidos por ocasião de algumas intervenções públicas - é gravemente contrária aos ensinamentos da Igreja. Os moderadores e presidentes dos movimentos eclesiais não recebem o carisma do fundador por sucessão pessoal e, portanto, não são seus únicos intérpretes. Se assim fosse, estaríamos diante de uma tentativa indevida e enganosa de aprovação e personalização do carisma por parte daqueles que têm o papel de guia; disso derivaria uma autorreferencialidade não admissível na Igreja”.

 

“Nem mesmo o fundador pode ser considerado o ‘ponto de surgimento’ do carisma ou o ‘proprietário’ do mesmo. Ele é o meio pelo qual o Espírito Santo concedeu um carisma específico ad utilitatem de todo o povo de Deus”.

 

Convidamos a "parar qualquer ação destinada a promover esta falsa doutrina entre os membros do CL" e se censuram os responsáveis e os "influentes" que alimentam "um clima de desconfiança em relação à Igreja e de resistência às suas indicações", provocando “um forte personalismo; divisões internas e lógica manipulativa; um amplo dissenso sobre as intervenções e as decisões da autoridade eclesiástica".

 

Por isso, convidamos a "revisar ensinamentos, práticas, métodos de governança e formas de organização da vida interna que se mostraram inadequados ou até prejudiciais". Como prova de confiança no presidente Prosperi, seu mandato, originalmente de um ano, é estendido para cinco anos.

 

A recepção em questão

 

A comunicação do presidente ao movimento é muito sofrida. “Não escondo o fato de que sinto uma dor profunda, prenunciando que as palavras do cardeal serão para muitos de nós causa de novas perguntas ou talvez até de desorientação. Estou mortificado em particular pelo fato de que esta nova iniciativa do cardeal tenha sido provocada por atitudes imaturas de alguns de nós, e compreendo a perturbação que poderia gerar naqueles que desejam seguir com simplicidade a proposta do movimento em comunhão com o Papa Francisco".

 

"Não devemos temer este passo que a Igreja nos pede". "A correção que recebemos, como indica o cardeal, não questiona, portanto, a substância de nossa experiência, a autenticidade do carisma, a profunda estima por Dom Giussani e a obra que dele nasceu, nem a confiança que a Igreja deposita em nós".

 

Após as disposições canônicas relativas à escolha dos moderadores e do conselho dos movimentos eclesiais (11 de junho de 2021) e a apresentação das mesmas em um encontro entre o Papa e os responsáveis em 16 de setembro, na qual a ausência dos vértices do CL foi observada, em relação ao movimento foram tomadas algumas decisões importantes.

 

No dia 24 de setembro a Santa Sé nomeia D. Filippo Santoro como delegado da Memores Domini (forma de vida comum de CL); em 15 de novembro, dom Julián Carron, sucessor de Giussani, renunciou à presidência; em 25 de novembro, o dicastério dos leigos nomeia Davide Prosperi como presidente interino.

 

Três articulações

 

O que está acontecendo na difícil transição de um "sistema hereditário" do carisma para um modelo "colegial e sinodal" do mesmo?

 

Três possíveis articulações podem ser percebidas. A primeira é aquela ressaltada pela carta: a resistência daqueles que acreditam que a herança espiritual de Giussani seja "propriedade" do grupo original e dos colaboradores mais próximos. Estes não estão dispostos a reconhecer ao conjunto do movimento e às suas várias associações a tarefa de reelaborar e renovar o dom espiritual recebido.

 

Eles não compartilham a concepção do Papa Francisco e da tradição eclesial que reconhece como critério essencial do carisma "a capacidade de uma comunidade, de um instituto de integrar-se na vida do povo santo de Deus" (intervenção de Francisco na plenária do dicastério dos religiosos, 11 de dezembro de 2021).

 

A segunda articulação é a relativização da exposição política e civil. Carron, em conformidade com as indicações do Papa e como consequência dos graves escândalos dos políticos do CL (sobretudo Formigoni) e do sectarismo de algumas exposições do movimento, privilegiou decisivamente a dimensão eclesial e formativa do CL, para tirar espaço à acusação frequente de comercialismo. Uma curvatura que um certo número de militantes percebeu como uma infidelidade ao empenho histórico-civil do fundador e da primeira geração.

 

A terceira articulação é a possível deslegitimação da atual direção do movimento ou daquela que os órgãos internos competentes deverão eleger num futuro próximo. Não se trata apenas da não aceitação das críticas em relação ao dicastério e às suas indicações, mas também da salvaguarda da autoridade daqueles que serão chamados a dirigir o movimento nos próximos anos. E sobretudo da custódia da unidade de Comunhão e Libertação.

 

Sobre a unidade dos movimentos, e na transparência do CL, o cardeal insistiu no encontro teológico sobre a identidade dos movimentos e das novas comunidades (Roma, 20 de junho; para a palestra teológica de P. Coda cf. SetimanaNews, aqui).

 

Além da fidelidade dinâmica, da sinodalidade e do espírito missionário, o prefeito insistiu muito na unidade dos movimentos, diante dos perigos da cisão. Em um discurso na revista América, Farrell enfatizou a necessidade de que a "primeira geração" dos membros deixe espaço para a criatividade e responsabilidade dos jovens.

 

 

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