Papa NÃO está incomodado com o Pe. James Martin. Editorial do jornal National Catholic Reporter

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28 Fevereiro 2020

Uma sequência de eventos se desenrolou nos últimos dias – a intriga “O que o papa realmente disse?” – que pode ter a qualidade de uma comédia de Molière, exceto que, no fim, a campanha de sussurros ocultos deturpou o que o papa disse e tinha como objetivo destruir a reputação de um bom padre. Pior, ela alimentou ainda mais a ala mais extrema da direita católica e a sua insana fixação na homossexualidade.

Publicamos o editorial do jornal National Catholic Reporter, 27-02-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O complô teve início na recente visita ad limina ao Vaticano de bispos da Região XIII, uma área que abrange os Estados do Arizona, Colorado, Novo México, Utah e Wyoming. A visita incluiu uma conversa com o Papa Francisco.

Em seu retorno, a Catholic News Agency anunciou ao mundo que “vários” bispos, que continuam anônimos, disseram que o papa estava bastante incomodado, até mesmo zangado, com o padre jesuíta James Martin, que mantém um notável ministério junto à comunidade LGBT católica.

O objeto da preocupação do papa, disseram os vários bispos anônimos, era o modo como Martin estava caracterizando o seu célebre encontro com o papa em setembro passado. Eles também disseram que seus superiores jesuítas o haviam chamado para conversar sobre o seu ministério, e que o papa realmente havia lhe dado uma “reprimenda”.

Um pouco de clareza é necessário aqui. Não confunda a Catholic News Agency (CNA) com o Catholic News Service (CNS). A primeira, que publicou a fonte anônima que criticava de Martin, é afiliada à EWTN, que apresentamos anteriormente em nossa série sobre o dinheiro e as entidades da extrema direita católica que tentam moldar uma narrativa católica estreita para a cultura em geral. É uma narrativa que não consegue imaginar uma Igreja que abraça e celebra seus membros LGBT com o mesmo calor e entusiasmo que acolhe a outros.

O CNS, por outro lado, é o serviço oficial de notícias da Conferência dos Bispos dos Estados Unidos. Embora ele possa não se envolver em reportagens que abalem o tom institucional, ele é honesto e profissional naquilo que faz e nunca negociaria esse tipo de tentativa de péssima qualidade de manchar a reputação de alguém.

A história teve uma reviravolta surpreendente, no entanto, quando o arcebispo John Wester, de Santa Fe, Novo México, decidiu vir a público para refutar o relato da CNA.

“Nosso encontro com o papa durou quase 2h45min, por isso é difícil que alguém se lembre com precisão de tudo o que foi dito”, escreveu ele. “No entanto, o tom geral das respostas do papa às questões levantadas com ele nunca foi zangado, nem me lembro do papa dizendo ou sugerindo que ele estava descontente com o Pe. Martin ou o seu ministério.”

Ele também disse que, embora Martin e o seu ministério foram debatidos, não foi o papa quem levantou o tema, mas sim alguns bispos.

Após o relato de Wester no dia 21 de fevereiro, Dom Steven Biegler, bispo de Cheyenne, Wyoming, afirmou publicamente que a resposta de Wester “descreve com precisão o tom e a substância do breve diálogo referente ao Pe. James Martin”.

O próprio Martin, agradecendo a Wester nas mídias sociais, disse que nunca recebeu uma “reprimenda” e “nunca ouvi nada negativo dos superiores jesuítas”.

É importante entender parte dos bastidores contidos na reportagem da correspondente nacional do NCR Heidi Schlumpf sobre o incidente. O autor do “relato” foi J. D. Flynn, editor-chefe da CNA, que anteriormente trabalhou na Diocese de Lincoln, Nebraska, e na Arquidiocese de Denver, nesta última sob o comando do arcebispo Charles Chaput, um renomado crítico de Francisco.

Dias antes de o artigo da CNA aparecer, Flynn tinha escrito um texto crítico sobre Martin na publicação conservadora First Things.

É suficiente dizer aqui que sites que se autodenominam como católicos tem se engajado em gestos de homofobia absolutamente desequilibrados e fizeram de Martin o alvo principal. O fato de bispos – que, ousamos salientar, são padres companheiros – darem mesmo que a menor legitimidade a esse pensamento perigoso é horrível.

No clima atual, e dados os padrões tradicionais de sigilo e de silêncio na cultura episcopal, a Igreja deve uma profunda gratidão a Wester e a Biegler pela sua coragem em apoiar um bom padre e por esclarecerem as suas conversas com Francisco.

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