O Sínodo começa seus trabalhos com um pedido de perdão pelos abusos na Igreja

Abertura da XV Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos. Foto: Vatican Media

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05 Outubro 2018

A primeira sessão do Sínodo dos Bispos sobre os Jovens constata a obstrução do canal de comunicação entre os jovens e a instituição.

A reportagem é de Hernán Reyes Alcaide, publicada por Religión Digital, 04-10-2018. A tradução é de André Langer.

Com a presença do Papa Francisco na Aula, o primeiro dia de intervenções do Sínodo dos Bispos dedicado ao temaOs jovens, a fé e o discernimento vocacional”, começou hoje no Vaticano com “pedidos de perdão” dos padres sinodais pelos comportamentos inapropriados da Igreja, incluindo os casos de abusos sexuais.

Entre os temas abordados no primeiro dia, em que 25 padres sinodais tomaram a palavra, estava “o perdão que a Igreja pede pelas vezes que não esteve à altura das suas responsabilidades, incluindo a temática dos abusos, mas não apenas”, disse nesta quinta-feira o prefeito do Dicastério da Comunicação, Paolo Ruffini, presidente da comissão de informação sinodal.

“Foi um dos temas, não ‘o’ tema. Foi tratado em algumas intervenções”, disse Ruffini ao dar o primeiro briefing do Sínodo a jornalistas credenciados no Vaticano.

“Cinco ou seis intervenções trataram isso com força”, acrescentou Chiara Giaccardi, socióloga da secretaria geral do Sínodo.

Ao repassar os temas que apareceram nas primeiras intervenções, Ruffini destacou que se falou de como, “às vezes, o canal de comunicação entre os jovens e a Igreja pode parecer obstruído. Precisamos recuperar a capacidade de escuta da Igreja e sua paternidade”, propôs o prefeito.

Nessa linha, o responsável pela comunicação do Sínodo, que vai até o dia 28 de outubro, acrescentou que, no primeiro dia, “também se falou sobre a família como um lugar para a transmissão da fé”.

“Talvez uma das questões mais comoventes foi quando se falou da migração e de como a maioria dos migrantes são jovens”, disse Ruffini, destacando outro eixo.

O bispo de Quilmes, na Argentina, Carlos Tissera, destacou o “clima muito participativo” do primeiro dia e asseverou que “a juventude não é uma ameaça para nós, mas uma bênção de Deus”.

Nessa linha, o também presidente da Cáritas em seu país convocou a Igreja para estar com “um ouvido no povo e o outro no Evangelho. Ouvir os clamores que às vezes são gritos e os clamores silenciosos dos jovens de hoje. Há silêncios nos jovens que são silêncios dolorosos, que falam”.

“Os jovens não estão perdidos; quem está perdido é a sociedade, que não sabe como lhes mostrar o caminho para se realizarem, não sabe ouvi-los, não sabe abrir a porta para eles”, disse Tissera, que ressaltou a presença de Jorge Bergoglio durante as intervenções, inclusive “no intervalo para lanche, quando tomou café conosco”.

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