Laicato chileno se une contra a "Igreja de Karadima"

Foto: Pixabay

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

17 Abril 2018

Uma preocupação comum com o clericalismo, a marginalização das mulheres e a negligência dos pobres, tudo isso em consequência dos efeitos da Igreja, em que mandam padres e bispos formados por Karadima, uniu leigos e leigas no Chile e assumiram sua diversidade como a grande riqueza.

A reportagem é de Aníbal Pastor N., publicada por Religión Digital, 15-04-2018. A tradução é de André Langer.

Assim, neste sábado, 14 de abril, 50 leigos e leigas de diversas origens eclesiais e geográficas do país reuniram-se – em um gesto de verdadeira comunhão – para dinamizar toda a Igreja, após sua hierarquia tê-la colocado em grave crise de unidade e subsistência.

São pessoas que representam redes de leigos e leigas, redes de mulheres, comunidades eclesiais de base, paróquias, comunidades ecumênicas, movimentos apostólicos em meios populares e profissionais, espiritualidades de congregações religiosas, centros de estudos e formação espiritual, expressões do laicato em setores médios da nossa sociedade, professores e professoras de ensino religioso, pastoral mapuche, pastoral da saúde, organizações de direitos humanos ligadas à Igreja, de organizações que trabalham com pessoas com necessidades especiais, viciados em drogas e alcoólicos, leigos e leigas ligados diretamente a movimentos populares e novas expressões políticas, e homens e mulheres do mundo acadêmico da teologia.

Essas pessoas não pertencem apenas às experiências de base da capital. Houve a participação de representantes das dioceses de Santiago, Talca, Chillán, Concepción, Temuco, Valdivia, Osorno e Puerto Montt. Na última hora, veio juntar-se a eles um representante de Valparaíso.

Uma das tarefas confiadas à coordenação escolhida para se desenvolver nacionalmente é elaborar uma carta ao Papa Francisco para informá-lo sobre essa unidade laica e expressar-lhe os temores e as necessidades vividos em relação às mudanças que devem ser implementadas na Igreja chilena.

Como é do conhecimento da opinião pública, às possíveis nove mudanças episcopais que estão por vir, soma-se a preocupação dos leigos e leigas com o impacto provocado por cerca de 40 sacerdotes, que são párocos, que foram formados por Karadima e cujas ações atentam contra o verdadeiro seguimento de Jesus. Deve-se acrescentar, além disso, a formação geral do clero que em muitos lugares impõe um caminho anticonciliar da liturgia, afastando ainda mais o povo, segundo se afirmou neste encontro.

Os representantes reunidos hoje, também tiraram um plano de trabalho para fortalecer o laicato na Igreja e que contém três linhas: o desenvolvimento da autonomia dos leigos e leigas; a vivência da solidariedade, especialmente com os mais pobres, resgatando o ensino social da Igreja; e a criatividade para assumir novas linguagens, novos temas e novos meios de comunicação.

Assim, entre os eixos-chave está a promoção de novos estilos festivos de celebração e não mortificantes e culposos impostos pelos padres, a dimensão ecológica da relação com tudo o que vive no ambiente, e um novo papel das mulheres na Igreja, porque – como foi dito – não é o papel de simples sacristã e beata, mas trata-se de pessoas que gozam das mesmas condições que os varões, protagonistas do Evangelho como Maria e sujeitas ativas na vida comunitária, sacramental e litúrgica da Igreja.

Nesta linha, todos os membros desta nova entidade formada por leigos e leigas concordaram em constituir uma rede de redes, para serem inclusivos e unitários em suas propostas e para concretizarem o sonho da descentralização. De fato, já foram programados novos encontros por regiões.

A nova coordenação nacional desta rede de redes foi eleita democraticamente e é composta por: Francisco de Ferari, Mirna Pino, Larry Gárate e Roberto Sánchez (Santiago); Gustavo Madrid (Talca); Mirena Romero (Chillán); Sonia Morales (Temuco); Juan Carlos Claret (Osorno); e Daniel Parra (Puerto Montt). O encontro foi convocado pelas redes sociais desde janeiro passado, depois que o Papa deixou o Chile, por leigos e leigas católicos em uma estrutura de unidade e serviço à Igreja.

Leia mais