BR-319: ramais e estradas clandestinas avançam sobre áreas protegidas e facilitam desmatamento e mineração

Foto: Orlando K Júnior/Agência Brasil

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25 Novembro 2025

Um novo estudo realizado pelo Observatório BR-319 revelou que a abertura de ramais e estradas clandestinas no interflúvio Purus-Madeira, região cortada pela rodovia, está se expandindo sobre territórios sensíveis, incluindo áreas legalmente protegidas, como Unidades de Conservação (UCs) e Terras Indígenas (TIs). Ao todo, foram mapeados 18.897 quilômetros (km) de ramais na região, sendo que 11,8% (2.240 km) estão localizados em UCs federais e 6,8% (1.297) em TIs. A abertura de ramais ao longo da BR-319 está associada ao desmatamento, grilagem de terras e a processos minerários.

A informação é da assessoria de comunicação Observatório da BR-319, 18-11-2025.

O documento, intitulado “Abertura de ramais e estradas clandestinas como vetores de desmatamento no Interflúvio Madeira-Purus: análise com dados geoespaciais recentes”, foi elaborado no âmbito da rede Observatório BR-319. A análise, feita por meio de dados geoespaciais, revela uma maior concentração de ramais ao sul do município de Lábrea, no interior do Amazonas, principalmente nas áreas de interface com os estados de Rondônia e Acre, na região conhecida como Amacro, acrónimo para Amazonas, Acre e Rondônia, atual região de expansão da fronteira agrícola na Amazônia.

Outra região com alta densidade de ramais fica nas proximidades do entroncamento de Humaitá, onde a BR-319 cruza com a Rodovia Transamazônica, a BR-230. Também foi observado um crescimento expressivo de vias não oficiais na Região Metropolitana de Manaus, entre os municípios de Careiro e Autazes.

Outro dado importante revelado pelo estudo é que grande parte da extensão total dos ramais mapeados, aproximadamente 4.130 km, está sobreposta a áreas com processos minerários ativos ou em tramitação.

“Vale destacar que nem todos os ramais identificados são clandestinos, mas que em sua maioria são abertos sem as devidas licenças ambientais e planejamento. Essas vias estão entre os principais vetores do desmatamento na região e, agora, conseguimos também identificar uma correlação direta entre a malha viária secundária e a exploração mineral na região, sugerindo que esses ramais funcionam como vetores de acesso e suporte logístico às atividades de extração”, pontua um dos técnicos responsáveis pelo estudo.

A análise descreve a dinâmica de abertura de ramais e estradas clandestinas na região da BR-319. Estudos técnicos indicam que a densidade de ramais no interflúvio Purus-Madeira tem relação direta com as áreas com maiores níveis de desmatamento, como é o caso da Vila Realidade, em Humaitá. O avanço dos ramais sobre áreas protegidas é alarmante, pois evidencia a falta de governança e fiscalização de órgãos responsáveis, contribuindo para o aumento de atividades ilegais como desmatamento, extração de madeira, grilagem e mineração.

“Essas vias não oficiais, muitas vezes abertas sem qualquer licenciamento ambiental ou controle estatal, funcionam como corredores de penetração no interior da floresta, facilitando o acesso a áreas anteriormente isoladas. A principal motivação para a abertura desses ramais é a exploração madeireira seletiva, com foco em espécies de alto valor comercial, como também acesso a áreas com processos minerários. Após a retirada da madeira, essas áreas tendem a ser convertidas rapidamente em pastagens para criação extensiva de gado bovino, ou monocultura, configurando um padrão recorrente de desmatamento associado à especulação fundiária e ao avanço da pecuária na região”, diz trecho do estudo.

Em municípios como Lábrea e Canutama, por exemplo, a abertura de novos ramais antecede e estimula o processo de grilagem de terras públicas, enquanto em Porto Velho e Humaitá, há uma conexão direta entre a malha viária clandestina e a expansão da fronteira agrícola, afirma o estudo.

Acesse o documento completo no site.

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