O Rito Amazônico toma forma a partir de baixo e das Igrejas locais

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27 Novembro 2023

  • “Receber na liturgia muitos elementos típicos da vivência dos povos indígenas em seu contato íntimo com a natureza e estimular as expressões nativas em cantos, danças, ritos, gestos e símbolos”.

  • “A questão é complexa e desafiadora, pois não é apenas uma questão litúrgica, mas envolve também teologia, espiritualidade e estruturação eclesial”.

  • “Elaboração dos rituais dos Sacramentos e Sacramentais, bem como buscar inculturar o Ano Litúrgico e os ministérios na região amazônica”.

A reportagem é de Luis Miguel Modino, publicada por Religión Digital, 23-11-2023.

A diversidade dos ritos é algo que faz parte da vida e da história da Igreja. Existem vários ritos atuais, há outros que vigoraram em diferentes épocas e hoje estão extintos. Há também ritos que estão sendo desenvolvidos para serem submetidos a exame e aprovados pela Santa Sé.

Foto: CEAMA | Religión Digital

Rito Amazônico, uma proposta do Sínodo para a Amazônia

Um deles é o rito amazônico, uma das 157 propostas do Documento Final do Sínodo para a Amazônia, fruto da Assembleia Sinodal realizada em outubro de 2019, que posteriormente seria recolhido na Querida Amazônia pelo Papa Francisco. O documento nascido da assembleia fala da necessidade de “constituir uma comissão competente para estudar e dialogar, segundo os usos e costumes dos povos originários, o desenvolvimento de um rito amazônico que recolha o patrimônio litúrgico, teológico, disciplinar e espiritual da Amazônia”, inspirado nas orientações da Lumen Gentium para as Igrejas Orientais.

No Documento Final do Sínodo para a Amazônia, este rito amazônico é definido como mais um dentro dos já existentes, “enriquecendo o trabalho de evangelização, a capacidade de viver a fé na própria cultura e o sentido de descentralização e colegialidade que a catolicidade da Igreja pode mostrar”, destacando o cuidado dos povos amazônicos em relação aos seus territórios e águas.

Na exortação pós-sinodal, o Papa Francisco, falando da Eucaristia, diz que ela pode ser “uma fonte de luz e de motivação para as nossas preocupações com o meio ambiente, e levar-nos a ser guardiões de toda a criação”. Em suas palavras, abre a possibilidade de “receber na liturgia muitos elementos típicos da vivência dos povos indígenas em seu contato íntimo com a natureza e estimular as expressões nativas em cantos, danças, ritos, gestos e símbolos”. Uma urgência, do ponto de vista do pontífice, porque “o Concílio Vaticano II solicitou este esforço para inculturar a liturgia nos povos indígenas, mas já se passaram mais de cinquenta anos e poucos de nós fizemos progressos nesse sentido”, palavras que consulte o que foi dito na Sacrosanctum Concilium, a Constituição sobre a Liturgia do Vaticano II.

Comissão promovida pelo CEAMA

A Igreja da Amazônia criou uma comissão para desenvolver um Rito Amazônico, apoiada pela Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA). Um rito que se constrói a partir de baixo e das Igrejas locais. Não podemos esquecer que foram as comunidades eclesiais encarnadas no território, que procuraram exprimir e viver a sua fé segundo as culturas do seu povo, que moldaram aquela Igreja de rosto amazônico.

Esta comissão trabalha há dois anos e meio, buscando construir novos caminhos para a Evangelização na região pan-amazônica, e quis compartilhar os passos dados com as Igrejas locais da Amazônia, mostrando os resultados obtidos até agora. O trabalho baseou-se em informações coletadas no território a partir do que emergiu no processo de escuta do Sínodo para a Amazônia, no Documento Final e na Querida Amazônia.

Uma questão complexa e desafiadora

Segundo Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar de Manaus e vice-presidente do CEAMA, “o tema é complexo e desafiador, pois não é apenas uma questão litúrgica, mas envolve também teologia, espiritualidade e estruturação eclesial”. O bispo brasileiro destacou que “o Núcleo estabelecido conseguiu dar os primeiros passos e, após um processo de recebimento de dados, desenvolveu algumas referências básicas para um rito amazônico nas perspectivas socioantropológica, histórico-cultural, teológico-eclesial e ritual”.

Neste sentido, destacou a importância dos dois encontros virtuais que permitirão “receber e discutir estas referências”. Refere-se ao realizado de 20 a 23 de novembro com as Igrejas locais da Amazônia “de língua espanhola” e outro de 27 a 30 de novembro com as Igrejas locais da Amazônia brasileira, Guiana Francesa, Guiana Inglesa e Suriname. que, segundo o vice-presidente do CEAMA, “constitui um marco na construção da identidade de uma Igreja de rosto amazônico, conceito que permeia tanto o Documento Final do Sínodo quanto a exortação Querida Amazônia. às iniciativas dos “Outros centros que abordam questões de interculturalidade e ministerialidade. Será essencial ouvir as Igrejas locais, protagonistas por excelência da continuidade do processo sinodal na Pan Amazônia”.

É procurado pelo CEAMA; envolver mais diretamente as Igrejas locais neste processo, para que possam fornecer registros das práticas de inculturação dos Sacramentos, dos Sacramentos (bênçãos e funerais) e dos diferentes Ministérios existentes. “É nesta base, nascida da vida de comunidades eclesiais inculturadoras, que daremos o próximo passo com a elaboração dos rituais dos Sacramentos e dos Sacramentais, bem como procuraremos inculturar o Ano Litúrgico e os ministérios na região amazônica”, destacam da Conferência Eclesial da Amazônia.

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