#O tatu. Artigo de Gianfranco Ravasi

Foto: Joe Lemm | Unsplash

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22 Agosto 2022

 

Chama-se profecia de tatu qualquer previsão otimista baseada em elementos subjetivos e irracionais que se passam como lógicos e objetivos, destinada a alimentar decepção, frustração e arrependimentos, para todo o sempre. Amem.

 

O comentário é do cardeal italiano Gianfranco Ravasi, prefeito do Pontifício Conselho para a Cultura, publicado por Il Sole 24 Ore, 21-08-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Com o corpo coberto de placas ósseas semelhantes a uma armadura, o tatu é um curioso mamífero da América Central e do Sul que foi arrolado como profeta pelo conhecido artista Zerocalcare em sua primeira história em quadrinhos (2011), que também virou filme. Como se sabe, desde a antiguidade os animais foram assumidos como mestres simbólicos dos humanos e até na Bíblia há uma jumenta que é mais sábia que o seu dono, o profeta Balaão (Números 22,22-35). A lição do tatu é clara, especialmente se olharmos para o fluxo incessante das avenidas da informática.

 

“Entrelinhas pontilhadas”, de Zerocalcare. (Foto: Divulgação)

 

Nelas postam traficantes não apenas de uma dependência de drogas, mas também da falsidade proclamada como verdade. O viajante para, ouve, convence-se e o resultado não é apenas o engano que ilude por um determinado período, mas no final “a decepção, a frustração e o arrependimento”.

 

É preciso, portanto, vacinar-se contra o irracional exaltado como lógica, o engodo transformado em negócio, a impostura elevada à veracidade. O grande Blaise Pascal afirmava: “Trabalhemos, pois, para bem pensar; eis o princípio da moral”.

 

O escrutínio crítico deve ser como uma sentinela que interrompe o passo para a armadilha.

 

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