A poesia social de Francisco

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20 Outubro 2021

 

Entre os hidrantes e os tubos de gás lacrimogêneo contra os no-green passes em Trieste, a Piazza San Giovanni lotada com Landini e os outros sindicatos, e as brilhantes vitórias dos candidatos de centro-esquerda em Roma e em Turim, embora com a queda acentuada dos votantes, não fica claro o que pensar do momento em que vive o país.

O comentário é de Alberto Leiss, publicado por Il Manifesto, 19-10-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Talvez a questão seja esta: se a afirmação da centro-esquerda em grandes cidades italianas e europeias como Roma, Milão, Nápoles e Turim (sem esquecer casos significativos como Varese ou Latina) pode ajudar a um despertar de capacidades de novos projetos, isso só poderá acontecer se os vencedores (e o plural masculino efetivamente fala apenas de homens) souberem ouvir o silêncio das periferias urbanas e sociais que se abstiveram de votar, e também do profundo mal-estar que não sabe mais se expressar na crise da hipótese da 5-Estrelas, ou o faz com muitas contradições nos movimentos no vax e no green pass.

Gostaria de saber, a este respeito, o que pensam os católicos Enrico Letta, vencedor do turno eleitoral, e Mario Draghi, imagino não desagradado com esses resultados, com a mensagem que o Papa enviou no último sábado no quarto encontro mundial de movimentos populares. Um discurso que a maioria dos meios de comunicação, envolvidos nos acontecimentos mencionados acima, ignoraram. Vi a notícia na Ansa e fui ler o texto na íntegra.

Palavras que me chamaram à atenção desde o início, com seu endereçamento aos movimentos com o apelido de “poetas sociais”. “É assim que gosto de chamar vocês - disse - porque vocês são poetas sociais, porque têm a capacidade e a coragem de criar esperança onde só aparece rejeição e exclusão. Poesia significa criatividade e vocês criam esperança”. E o mundo de que fala Francisco precisa de criatividade e esperança: o mundo periférico, de fato, feito de migrantes, trabalhadores precários, pobres, cuja condição se agravou ainda mais em dois anos de pandemia. Um mundo sempre excluído do profundo discurso da mídia. Para cujo resgate o pontífice dirigiu a quem tem poder, uma série de pedidos severos, todos invocados "em nome de Deus", com ênfase dramática.

Vou resumi-los brevemente: a liberalização das patentes e a distribuição de vacinas em todo o mundo; o perdão de dívidas aos países pobres; o fim da destruição das florestas e da difusão da poluição; o fim da especulação que eleva o preço dos alimentos; a cessação “total” da atividade dos traficantes de armas; o uso da internet para uma real difusão da cultura; a busca da verdade pela mídia, poluída por uma "atração doentia pelo escândalo e pelo túrbido"; o fim das agressões, embargos e sanções unilaterais por parte dos "países poderosos".

Uma acusação contra um sistema que “com sua implacável lógica de lucro, foge de todo controle humano. É hora de frear a locomotiva, uma locomotiva fora de controle que está nos levando para o abismo. Nós ainda temos tempo".

Por fim, Francisco reivindica a capacidade de "sonhar juntos" segundo os princípios da doutrina social da Igreja, e também de "agir". E as primeiras ações que ele propõe são "uma renda mínima (RMU) ou salário universal, para que cada pessoa neste mundo possa ter acesso aos bens mais elementares da vida". E a redução da jornada de trabalho: “Não pode haver tantas pessoas que sofrem por excesso de trabalho e muitas outras que sofrem pela falta de trabalho”.

Não seria um bom programa?

 

 

 

 

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