O futuro próximo, segundo o organismo que alertou para uma pandemia nesta década

Manifestação em Brasília contra o Governo Temer e pela convocação de eleições diretas em 2017 (Fonte: Wikimedia Commons)

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21 Abril 2021

 

O Conselho de Inteligência dos Estados Unidos prognosticou, há quatro anos, uma pandemia que restringiria a mobilidade e aconteceria no ano de 2023. Uma situação – agora tão familiar – que descreveu, embora sem aprofundar em suas consequências, no último relatório sobre tendências globais. No último dia 8 de abril, este organismo dependente do governo estadunidense que supervisiona e dirige a implementação do Programa de Inteligência Nacional, publicou a quarta edição deste estudo, agora relativo ao período de 2030 a 2040.

A reportagem é de Alba Mareca, publicada por La Marea, 19-04-2021. A tradução é do Cepat.

A nova publicação se concentra no futuro próximo, mas também analisa a desigualdade e os conflitos que a Covid-19 exacerbou, cujo impacto qualifica como “a mais significativa e singular perturbação global desde a Segunda Guerra Mundial, com implicações sanitárias, econômicas, políticas e de segurança que se estenderão nos próximos anos”.

Neste sentido, acrescenta que, “assim como nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, é provável que a pandemia de Covid-19 produza mudanças que serão sentidas nos próximos anos e que modificarão a forma como vivemos, trabalhamos e governamos em nível nacional e internacional”. Ainda que o Conselho Nacional de Inteligência também reconheça ter “mais perguntas do que respostas”:

“Os efeitos da pandemia nos lembram como o futuro é incerto, tanto a longo como a curto prazo. Como pesquisadores e analistas, devemos estar sempre em alerta, fazendo perguntas melhores, desafiando frequentemente nossas suposições, comprovando nossas tendências e observando qualquer sinal de mudança”. Por isso, o relatório repete, ao menos 30 vezes, a palavra “incerteza”.

As chaves do colapso

O clima em mutação, a concentração de pessoas nas áreas urbanas e o surgimento de novas tecnologias são três dos principais desafios que perfilam as perspectivas de futuro, segundo o Centro Nacional de Inteligência.

Apesar das incógnitas, o relatório lança alguma certeza, sobretudo nesses termos. Durante os próximos 20 anos, o crescimento da população mundial vai desacelerar e esta sofrerá um envelhecimento, o que, dizem, terá efeitos sobre o crescimento econômico, sobretudo na Europa – especialmente na Grécia, Itália e Espanha – e Ásia Oriental, regiões nas quais se espera um envelhecimento mais rápido. Algo que pode afetar o sistema de saúde e a educação, apesar destes dois setores terem melhorado nos últimos anos.

Os impactos do aquecimento global se intensificarão nas próximas duas décadas, especialmente na de 2030, quando o aumento da temperatura mundial trará consigo mais eventos meteorológicos extremos, como tormentas, secas e inundações, assim como um aumento do nível do mar. Na Europa, a zona mais afetada será o sul, especialmente a região mediterrânea.

A mudança climática, como já evidenciam inúmeras pesquisas científicas, afetará “desproporcionalmente” as regiões mais empobrecidas, cuja degradação ambiental “exacerbará os riscos já existentes” nessas áreas, como a segurança alimentar, o acesso à água e a segurança energética. Da mesma forma, as medidas de adaptação à mudança climática deixarão algumas populações – muitas vezes com menor renda – para trás. O relatório também alerta sobre o aumento das migrações por motivos climáticos.

Polarização, populismo e intensificação dos protestos

O Centro Nacional de Inteligência alerta que, nos próximos anos, “o desajuste entre as capacidades dos governos e as expectativas da sociedade provavelmente conduzam a uma crescente polarização e maior populismo dentro dos sistemas políticos”. Uma das principais consequências será o aumento do ativismo e dos movimentos de protesto que, conforme detalha o relatório, já vêm experimentando um aumento desde o ano 2010. Nas próximas duas décadas, não obstante, a violência e os conflitos internos se intensificarão.

A capacidade de cada estado em oferecer respostas aos protestos, a ideologia e as histórias prévias de mobilização determinarão até que ponto o descontentamento pode causar o colapso em alguns deles. Ao mesmo tempo, os governos enfrentarão um aumento das pressões econômicas.

Outra advertência: “Os rivais estatais – e não estatais – competirão pela liderança e o domínio na ciência e a tecnologia com possíveis riscos e implicações em cascata para a segurança econômica, militar e social”.

 

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