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19 Novembro 2016

As pessoas podem perdoar um sacerdote em tudo, mas não o apego ao dinheiro, nem os maus-tratos. Então, “que Deus nos dê a graça da pobreza cristã”, para que possamos ser sacerdotes como esses operários que “ganham o justo e não pretendem mais”. Foi o que disse o Papa Francisco hoje, 18 de novembro de 2016, pela manhã, durante a missa na Capela da Casa Santa Marta, segundo apontou a Rádio Vaticana.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada por Vatican Insider, 18-11-2016. A tradução é do Cepat.

Diante da presença dos secretários dos núncios apostólicos, que se encontram no Vaticano em razão do Jubileu dos colaboradores e representações pontifícias (organizado pela Secretaria de Estado), o Pontífice refletiu sobre o Evangelho do dia, no qual se lê quando Jesus expulsa os mercadores do templo, transformado em uma “cova de ladrões”.

Cristo “nos faz compreender onde está a semente do anticristo, a semente do inimigo, a semente que arruína seu Reino”. O apego ao dinheiro. O coração apegado ao dinheiro, destacou Bergoglio, “é um coração idólatra” e recordou que Jesus disse que “não é possível servir a dois senhores, a dois patrões”, a Deus e ao dinheiro. E acrescentou que o dinheiro é “o anti-Senhor”, embora possamos escolher: “o Senhor Deus, a casa do Senhor Deus, que é casa de oração. O encontro com o Senhor, com o Deus do amor. E o senhor-dinheiro, que entra na casa de Deus, sempre procura entrar. E estes que intercambiavam o dinheiro ou vendiam coisas, alugavam aqueles postos dos sacerdotes... Alugavam dos sacerdotes, depois informava o dinheiro. Este é ‘o senhor’ que pode arruinar nossa vida e que pode nos levar a terminar mal nossa vida, inclusive sem felicidade, sem a alegria de servir ao verdadeiro Senhor, que é o único capaz de nos dar a verdadeira alegria”.

Trata-se de “uma escolha pessoal”, recordou o Papa, que perguntou aos presentes: “Como é sua atitude com o dinheiro? Estão apegados ao dinheiro?”. “O povo de Deus tem uma grande intuição, tanto para aceitar, no fato de canonizar, como no de condenar – porque o povo de Deus tem capacidade de condenar –, perdoa tantas fraquezas, tantos pecados dos sacerdotes; mas há dois que não pode perdoar: o apego ao dinheiro, quando vê o sacerdote apegado ao dinheiro, não perdoa, ou o maltrato às pessoas, quando o sacerdote maltrata os fiéis. Isto o povo de Deus não pode digerir, e não perdoa. As outras coisas, as outras fraquezas, os outros pecados... sim, não estão bem, mas pobre homem, está só, é isto... e procura justificar. A condenação não é tão forte e definitiva e o povo de Deus sabe compreender isto.

O Pontífice recordou os “terafins”, os ídolos que Raquel, a esposa de Jacó, tinha escondidos: “é triste ver um sacerdote que chega ao final de sua vida, está em agonia, está em coma e os sobrinhos como abutres ali, vendo o que podem unhar. Deem este deleite ao Senhor: um verdadeiro exame de consciência. ‘Senhor, Tu é meu Senhor ou – como Raquel – este ‘terafim’ escondido em meu coração, este ídolo do dinheiro?’. E sejam valorosos, sejam corajosos. Façam escolhas. Dinheiro suficiente, o que tem um trabalhador honrado, a poupança suficiente, o que tem um trabalhador honrado. Mas, o juro não é lícito, isto é uma idolatria. Que o Senhor dê a todos nós, hoje, a graça da pobreza cristã”.

“Que o Senhor – concluiu o Papa – nos dê a graça desta pobreza de operário, daqueles que trabalham e ganham o justo e não pretendem mais”.

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