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26 Abril 2016

A resistência a Jorge Bergoglio pelo “rigoristas que se agarram apenas à letra da lei”, como disse Francisco, é liderada por quatro supercardeais, “ministros” de congregações chave. “O tempo está feio. O Papa está na metade do rio”, disse Marco Politi, um dos melhores vaticanistas.

"A Alegria do Amor", o documento escrito por Francisco, reflete os equilíbrios internos da Igreja como ato de governo do Papa. E neste sentido, “os sinais das freadas impostas são vistosos”. Após a derrota do primeiro documento, que foi uma grande vitória dos conservadores no meio do Sínodo de 2014, despontaram as propostas centrais do caminho penitencial dos divorciados novamente casados que lhes permitia ter acesso à comunhão. “As paradas súbitas” resultaram em um texto com ambiguidades, o qual, por exemplo, não diz nada sobre o acesso aos sacramentos, exceto em uma nota de rodapé na página número 351, a qual se deve encontrar com a lupa. Nem se fala, é claro, da comunhão aos divorciados novamente casados.

A reportagem é de Julio Algañaraz, publicada por Clarin, 24-04-2016. A tradução é de Evlyn Louise Zilch.

Todas as outras questões que poderiam ser da ordem de trabalhos do dia foram mudadas de lugar. A questão dos casais homossexuais, que na primeira proposta aludia ao caráter positivo de um casal homossexual. Além disso, o papel das mulheres na Igreja, que Bergoglio quer que seja “decisivo”. Ou assuntos delicados como a contracepção e a fertilidade assistida, ou a coabitação de casais, uma realidade que se espalha entre as “famílias, tais como são”, segundo o próprio pontífice.

O Papa Francisco, envolvido em constantes atritos com o guardião da ortodoxia, o prefeito para a Doutrina da Fé, cardeal Gerhard Müller, alemão, fez elevar a exortação ao Arcebispo de Viena, o Cardeal Christian Schonborn, a quem apresentou como “um grande teólogo”. Müller, que chegou a afirmar publicamente que a preparação teológica de Bergoglio era insuficiente e precisava de ajuda, enfatiza, como os outros cardeais da Cúria na linha rigorista, que “o casamento é indissolúvel por vontade divina e ninguém, nem um papa, pode alterar essa doutrina”.

Ao apresentar o documento do Sínodo, praticamente em nome do Papa, Schonborn disse que o exame “caso a caso” cria uma situação inevitável. “Um confessor estará mais disposto, outro será mais severo... é o discernimento”.

Uma novidade favorável à linha de Bergoglio – quando era cardeal em Buenos Aires favorecia que os padres dessem os sacramentos aos casais “não santos” –, chegou ao Vaticano das Filipinas, o país católico mais importante da Ásia. A conferência episcopal afirmou que “a misericórdia não pode esperar”.

Na África, onde mais cresce o catolicismo, as coisas são vistas de outra ótica. Há um líder que critica aos ocidentais, velhos colonizadores, mas que defendem a linha ortodoxa da Igreja. O cardeal Robert Sarah é um rigorista de forte peso intelectual. Da Guiné veio ao Vaticano e Francisco promoveu-o a “ministro” para a Educação Católica e a Disciplina dos Sacramentos. Sarah não aceita a menor concessão na indissolubilidade do matrimônio sacramental.

Na linha de Müller e Sarah ressalta-se também ao cardeal Marc Ouellet, titular do estratégico dicastério encarregado de nomear e controlar aos bispos. Ouellet foi um “papável” quando em março de 2013 o conclave elegeu a Jorge Bergoglio. Já ameaçou ao menos uma vez em renunciar porque afirma que o Papa argentino modifica as listas de seleção de candidatos a bispos. O pontífice costuma dar vida a bispos “com cheiro de ovelhas”, invariavelmente na linha progressista.

O mesmo afirma o quarto supercardeal que resiste a Francisco. Mas a diferença é que sua figura está debilitada. O Papa colocou o arcebispo de Sidney, Austrália, cardeal George Pell, na área econômica e financeira. Foi a primeira mudança profunda na reorganização da Cúria. Mas o superministro da economia vaticana tem dado muitas dores de cabeça ao pontífice. Sua estratégia é considerada um fracasso por alguns colaboradores do Papa.

Além disso, Pell deu muito que falar quando teve que responder em videoconferências que foram acompanhadas por toda a imprensa mundial, aos questionamentos de uma comissão australiana pelas acusações de que o cardeal encobriu a ação de vários sacerdotes pedófilos em seu país.

 

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