Papa Francisco ao Congresso dos EUA: O capitalismo deve mudar

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18 Mai 2015

O Papa Francisco denunciará as desigualdades do capitalismo quando se tornar o primeiro pontífice a discursar ao Congresso estadunidense em sua visita ao país no mês de setembro, segundo o seu assessor mais próximo.

A reportagem é de John Follain e Flavia Rotondi, publicada pela Bloomberg, 13-05-2015.
A tradução de Isaque Gomes Correa.

O Cardeal Óscar Andrés Rodriguez Maradiaga, colega latino-americano apontado pelo papa argentino para assessorá-lo no comando da Igreja, disse em entrevista em Roma que Francisco falará “não como um inimigo do sistema ou da cultura”, mas “como um pastor que quer fazer um mundo melhor, especialmente para aqueles que não têm voz”.

Ao ser escolhido como líder de 1,2 bilhão de católicos, Francisco pediu uma “Igreja pobre para os pobres”, dando um tom mais humilde para o seu papado, que começou com a sua decisão de morar numa residência modesta. Ao mesmo tempo, ele estabeleceu uma agenda política ambiciosa, que inclui desde o lobby por um acordo climático mundial até uma condenação do abismo, cada vez maior, entre ricos e pobres.

Aos parlamentares americanos, Francisco se apresentará com a “mesma forma de pensamento com que se expressou” na Evangelii Gaudium, a sua primeira encíclica publicada em 2013, que, na opinião de Maradiaga, é o principal escrito deste papa até o momento. Nele, Francisco atacou a “idolatria do dinheiro” e o sistema financeiro “de exclusão e desigualdade”, acrescentando: “Esta economia mata”.

As leis de livre mercado visam “produzir a maior receita possível e os menores custos possíveis”, afirmou Maradiaga, de 72 anos, nesta quarta-feira (13). “Uma mudança se faz necessária, para que o capitalismo se torne mais humano. Do contrário, as desigualdades continuarão crescendo, e elas geram violência, frustração, dor e especialmente insegurança, em todos os sentidos”.

“Corações abertos”

Maradiaga, arcebispo de Tegucigalpa, Honduras, expressou as suas esperanças de que o Congresso, de maioria republicana, ouça o papa com “corações abertos”.

Francisco, 78, viajará a Cuba entre os dias 19 e 22 de setembro, depois a Washington, onde irá se reunir com o presidente Barack Obama na Casa Branca, a Nova York, onde discursará à Assembleia Geral da Nações Unidas, e finalmente à Filadélfia.

A Casa Branca disse, em um comunicado, que a conversa entre Francisco e Obama incluirá os “cuidados aos marginalizados e pobres” e os “avanços das oportunidades econômicas para todos”.

Como porta-voz do Vaticano sobre a dívida dos países em desenvolvimento com o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, Maradiaga ajudou a negociar uma baixa contábil para Honduras, seu país de origem, na década de 1990. A pressão continuada para o perdão destas dívidas culminou numa ação de 2005 encabeçada pelos líderes do G8 que visava a erradicação das dívidas externas de 26 dos países mais pobres do mundo.

Grécia

Embora tenha preferido não comentar sobre se a Grécia – o país mais endividado da Europa – deveria receber um tratamento parecido, Maradiaga disse que as políticas de austeridade associadas à crise estavam pesando injustamente sobre os pobres.

“É necessário também que as corporações ricas possam pagar parte do preço”, disse ele. Aos bancos que precisam de resgate, “todo o dinheiro do mundo está disponível”, no entanto “não há dinheiro para os pobres”.

Prestes a deixar a presidência da Caritas Internationalis, organização católica dedicada a caridade, Maradiaga também coordena uma comissão de nove cardeais nomeados para reformular a administração da Igreja.

Maradiaga, que fala seis idiomas e sabe pilotar helicópteros, disse que se aprofundou no estudo da economia depois de escutar, de funcionários de organizações internacionais, que ele, com padre, não sabia nada sobre a disciplina.

“Para nós, na Igreja, a pobreza é a face concreta do povo”, disse Maradiaga. “Para a economia, ela é apenas números”.

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