Redução da maioridade penal põe especialistas contra a opinião da rua

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

22 Abril 2015

O debate sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos sobe de tom à medida que o Congresso retoma a discussão sobre o assunto. A justificativa de quem votou a favor da proposta na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados no final de março é de que é preciso dar uma resposta à sociedade para os graves problemas de segurança pública. De acordo com pesquisa do Instituto Datafolha realizada esta semana, 87% da população brasileira, no entanto, defende que jovens a partir de 16 anos sejam tratados como adultos perante a lei.

A reportagem é de Camila Moraes, publicada no jornal El País, 18-04-2015.

Mas, os especialistas no assunto garantem que se trata de uma falsa resposta, uma vez que a redução não resolve o problema de um sistema carcerário incompetente. “Reduzir a maioridade penal significaria reproduzir para menores de 18 anos um sistema que funciona muito mal para adultos. Sozinho, o Direito Penal não tem esse poder de transformar a realidade. Isso é uma ilusão”, diz André Mendes, professor da FGV Direito Rio.

Mendes lembra que, contando as pessoas detidas em prisão domiciliar, o Brasil tem a terceira população carcerária do mundo. “Um déficit de mais de 350.000 vagas no sistema, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça. Essa política criminal de encarceramento em massa não tem produzido mais segurança e nem reduzido a criminalidade”, explica.

Mesmo quem votou a favor da proposta, como o deputado Bruno Covas (PSDB-SP), diz que a intenção vai além do apoio. “O importante é promover o debate”, diz ele. Outros parlamentares, porém, são radicalmente contra a manutenção das regras como agora. “Antigamente, a criança era ingênua; hoje, não. O nosso código penal, que é de 1940, precisa ser atualizado ao nosso tempo”, acredita a deputada Keiko Ota (PSB-SP).

As legendas PT, PSOL, PPS, PSB e PCdoB votaram contra a proposta, que foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da casa no final de março. A presidenta Dilma também já se manifestou diversas vezes contrária à medida. Outras 13 legendas, incluindo PSDB, DEM e PV, votaram a favor, enquanto outras se dividiram, entre prós e a favor (PMDB, PDT, entre outros).