Portugal: 1700 jesuítas em prisão domiciliar têm propriedades confiscadas no dia 19-01-1759.

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21 Janeiro 2014

No último domingo (19-01-2014), completaram-se 255 anos desde que o marquês de PombalSebastião José de Carvalho e Melo – intensificou sua campanha contra os jesuítas ao ordenar o confisco das propriedades da Ordem. As comunidades jesuítas já haviam sido cercadas por tropas para “proteger” os religiosos da multidão indignada, pondo-os efetivamente em prisão domiciliar. Por que o povo estaria indignado? Poucos meses antes houve um grave ataque ao rei. Mistérios cercavam o ataque, e rumores se espalharam rapidamente dizendo que poderia ter sido algo feito por inimigos da Companhia de Jesus, jogando sujo para acusar os jesuítas de regicídio.

A informação é publicada pelo sítio Jesuit Restoration 1814, 20-01-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Membros da família nobre De Távora foram presos, torturados e brutalmente executados. Com base em “confissões” extraídas sob tortura, 10 jesuítas foram presos e levados a julgamento em 11 de janeiro como conspiradores contra José I, Rei de Portugal.

Os membros das tropas enviadas para “proteger” as comunidades agora se tornaram carcereiros.

Três meses depois, a ordem de confisco das propriedades se tornaria uma ordem para o exílio. O Vaticano não havia se convencido pelo que eram consideradas acusações oportunistas feitas contra a Companhia; o núncio papal Acciaioli e o secretário de Estado sob o Papa Clemente XIII tentaram obter um relato claro do cardeal Saldanha, que havia sido enviado para visitação aos jesuítas. Ambos ficaram frustrados porque Saldanha estava completamente submetido a Pombal.

Portugal foi o primeiro país a agir sistematicamente contra os jesuítas. O principal protagonista contra a Companhia de Jesus foi o marquês de Pombal, e assim é visto, por muitos, como o grande arquiteto e orquestrador da Supressão. Seu veneno e ódio para com a Companhia eram ferozes. Tendo sido muito influenciado pela Igreja Anglicana durante sua estada em Londres como diplomata, ele fez questão de seguir este modelo de subversão da Igreja do Estado. Os jesuítas estavam particularmente difundidos em Portugal e eram influentes. Portanto, tornaram-se seu principal inimigo.

O contexto da Supressão Jesuíta em Portugal

Dois eventos em particular foram desfavoráveis à reputação da Companhia de Jesus em Portugal. Em primeiro lugar, o país estava emergindo como uma potência mundial. No cenário internacional, ele estava indo além de suas forças; apesar de ser um pequeno país, estava desenvolvendo um grande império marítimo na África, Ásia e América do Sul, especificamente no Brasil. Isso trouxe ao país riqueza e poder assim como tensões com os missionários jesuítas que estavam menos interessado na exploração e mais na educação dos povos indígenas. Este fato serviu para estourar a Guerra das Sete Reduções Jesuíticas na América do Sul em 1756, retratada no filme “A Missão” ganhador da Palma de Ouro.

A guerra lançou as bases para a propaganda antijesuíta na corte de Lisboa. Pombal e outros ficaram indignados com o envolvimento dos jesuítas no trabalho lucrativo das “reduções” e na defesa dos povos guarani. Os membros da Ordem eram vistos como um empecilho no caminho de Portugal, que tanto queria saquear as riquezas da região.

Em segundo lugar, houve o famoso terremoto de Lisboa em 1755. A cidade emergente no cenário mundial, Lisboa, foi destruída e muitos foram mortos no tsunami que se seguiu ao abalo sísmico.

Supreendentemente, o abalo aconteceu no Dia de Todos os Santos, às 9h40min da manhã, quando muitos estavam na igreja. Os fiéis estavam entre os mais propensos a morrerem devido à queda de construções e ao fogo. Coincidiu com um período em que o iluminismo estava ganhando espaço, com seus sentimentos antirreligiosos. As pressões secularizantes cresceram devido ao momento infeliz deste desastre, já que muitos entraram em crise de fé.

De forma impressionante e eficiente, Pombal coordenou a reconstrução de Lisboa e cresceu em estatura e em poder por causa disso. O famoso jesuíta Malagrida pregou e publicou que a calamidade advinda do terremoto era a punição de um Deus justo sobre um povo pecador.

Remanescência de pregadores fundamentalistas e obscurantistas modernos, este discurso não favoreceu a reputação jesuíta, rendendo a seus inimigos motivos políticos para um golpe. Pombal ficou ressentido com a crítica implícita ao governo. Malagrida foi executado de forma bárbara e a Companhia exilada de Portugal.

Ironicamente, ao assim proceder, Pombal, o grande defensor do “iluminismo”, estava prestes a desmantelar o sistema educacional mais efetivo e prestigiado no mundo português – 20 colégios em Portugal e 30 em suas colônias. Foi um estranho ato de automutilação, particularmente numa época em que tanto a Inglaterra quanto a Holanda haviam eclipsado a influência e o poder portugueses.

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