“Não se evangeliza como quem impõe uma nova obrigação”, diz o Papa Francisco

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Por: André | 19 Novembro 2013

É uma mensagem dirigida à América Latina, mas também poderia ser interpretada como uma síntese eficaz destes oito meses de Pontificado e do anúncio dos conteúdos da exortação pós-sinodal sobre a Nova Evangelização. Ao dirigir-se aos participantes da Peregrinação-Encontro no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, na Cidade do México (convocada no contexto do Ano da Fé pela Pontifícia Comissão para a América Latina e pelos Cavaleiros de Colombo), o Papa Francisco explicou o que significa anunciar o Evangelho em nossos dias.

 
Fonte: http://bit.ly/17ZulWJ  

A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada no sítio Vatican Insider, 16-11-2013. A tradução é de André Langer.

Bergoglio recordou que a Igreja “esteve permanentemente em missão” e que “toda a atividade habitual das igrejas particulares” deve ter um caráter missionário. “A intimidade da Igreja com Jesus – explicou Bergoglio – é uma intimidade itinerante, supõe um sair de si, um caminhar e semear sempre de novo, sempre além. Vamos para o outro lado para pregar às aldeias vizinhas porque é para isso que viemos, dizia o Senhor. É vital para a Igreja não fechar-se em si mesma, não se sentir já satisfeita e segura com o que conseguiu. Caso isso acontecer, a Igreja adoece, adoece de abundância imaginária, de abundância supérflua, se empanturra e se fragiliza. Devemos sair da própria comunidade e atrever-nos a chegar nas periferias existenciais que necessitam sentir a proximidade de Deus”.

Deus, explicou o Papa, “não abandona ninguém e sempre mostra sua ternura e sua misericórdia inesgotáveis, pois é isto o que devemos levar a todas as pessoas”. Devemos tratar de fazer chegar a todos, “sem excluir ninguém e tendo muito em conta as circunstâncias de cada um”. “Devemos chegar a todos e compartilhar a alegria de ter se encontrado com Cristo. Não se trata de ir como quem impõe uma nova obrigação, como quem fica na reprovação ou na queixa diante do que se considera imperfeito ou insuficiente”.

Evangelizar “supõe muita paciência, muita paciência”, o evangelizador “cuida do trigo e não perde a paz pela cizânia. E também sabe apresentar a mensagem cristã de maneira serena e gradual, com cheiro a Evangelho, como o fazia o Senhor. Sabe privilegiar em primeiro lugar o mais essencial e mais necessário, isto é, a beleza do amor de Deus que nos fala em Cristo morto e ressuscitado. Por outro lado, deve esforçar-se por ser criativa em seus métodos, não podemos ficar fechados nos tópicos do “sempre se fez assim”.

Francisco voltou a falar sobre os bispos, que conduzem “a pastoral na Igreja particular” e o fazem “como o pastor que conhece as suas ovelhas, guia-as com proximidade, com ternura, com paciência, manifestando efetivamente a maternidade da Igreja e a misericórdia de Deus”. O verdadeiro pastor não tem a atitude do “príncipe ou do mero funcionário atento principalmente ao disciplinar, ao regulamentar, aos mecanismos organizacionais”, porque “isto sempre leva a uma pastoral distante das pessoas, incapaz de favorecer e obter o encontro com Jesus Cristo e o encontro com os irmãos”.

“O povo de Deus que lhe é confiado necessita que o bispo vele por Ele cuidando, sobretudo, daquilo que o mantém unido e promove a esperança nos corações. Necessita que o Bispo saiba discernir, sem calá-lo, o sopro do Espírito Santo que vem de onde quer, para o bem da Igreja e da sua missão no mundo”.

E estas atitudes entre os bispos, explicou Francisco, “irão calar muito fundo também nos outros agentes de pastoral, de modo especial nos presbíteros. A tentação do clericalismo, que tanto mal faz à Igreja na América Latina, é um obstáculo para que se desenvolva a maturidade e a responsabilidade cristã de boa parte do laicato”.

O clericalismo “implica em postura autorreferencial, uma postura de grupo, que empobrece a projeção para o encontro com o Senhor, que nos torna discípulos, e para o encontro com os homens que esperam o anúncio”. O Papa aludiu, depois, à importância da formação de sacerdotes “capazes de proximidade, de encontro, que saibam entusiasmar o coração das pessoas, caminhar com elas, entrar em diálogo com suas esperanças e seus temores”. Um trabalho que os bispos não podem delegar, mas devem assumir “como algo fundamental para a vida da Igreja sem poupar esforços, atenções e acompanhamentos”. A cultura de nossos dias “exige uma formação séria, bem organizada”, e Bergoglio perguntou-se se os seminários pequenos, que “sofrem da falta de formadores”, são capazes de enfrentar esta exigência.

O Papa também falou dos religiosos e das religiosas, e pediu-lhes que “sejam fiéis ao carisma recebido, em seu serviço à Santa Mãe Igreja hierárquica”, sem deixar que se desvaneça “essa graça que o Espírito Santo deu aos seus fundadores e que devem transmitir em toda a sua integridade”.

Para concluir, o Papa voltou a convidar à missão cada um dos crentes batizados. “Peço-lhes, como pai e irmão em Jesus Cristo, que assumam a fé que receberam no Batismo. E assim como o fizeram a mãe e a avó de Timóteo, transmitam a fé aos seus filhos e netos, e não apenas a eles. Este tesouro da fé não é para uso pessoal. É para dá-lo, para transmiti-lo, e assim vai crescer. Façam conhecer o nome de Jesus. E se fizerem isto, não estranhem o fato de que em pleno inverno floresçam as rosas de Castilla. Porque vocês sabem, tanto Jesus como nós, temos a mesma Mãe!”.

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