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19 Mai 2011

"O Cardeal Juan Luis Cipriani, arcebispo de Lima, me parece representar a pior tradição da Igreja, a autoritária e obscura, Torquemada, a Inquisição", denunciou esta semana o prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, em sua coluna dominical La Hora de la Verdad.

A reportagem está publicada no sítio Religión Digital, 19-05-2011. A tradução é do Cepat.

A declaração do escritor peruano se deve a um artigo e declarações do religioso sobre "Os irrenunciáveis Direitos Humanos", onde o prelado desmente que tenha dito que eles são uma "estupidez", mas que a frase era dirigida, precisamente, à coordenadora de Direitos Humanos do Peru.

Mario Vargas Llosa recorda a Cipriani que Pilar Coll, a ex-religiosa espanhola que atende essa instituição do país, realizou uma admirável campanha de denúncias de crimes, torturas e desaparecimentos cometidos durante a ditadura fujimorista, sob o pretexto dessa administração de lutar contra o grupo Sendero Luminoso.

Assim mesmo, Vargas Llosa, escreveu que o cardeal não é tão discreto quando se trata de protestar contra os preservativos, o aborto ou em relação àqueles que "no segundo turno das eleições presidenciais, no dia 5 de junho, apóiam Ollanta Humala" contra a filha do ex-presidente que fora condenado pela flagrante violação dos direitos humanos, Keiko Fujimori, a qual também está concorrente à presidência do país.

Também se referiu aos métodos criminosos de esterilização em que, cerca de 300.000 camponesas, enganadas pelo Ministério da Saúde, foram obrigadas a fazer ligações de trompas ou castradas, quando na verdade eram informadas de que se tratava de vacinas ou medidas temporais. Diante destes fatos, argumenta Llosa, a crítica do cardeal se fez de maneira privada e não pública naquele momento para não destoar do poder, nem converter-se em seu crítico.

O cardeal, por sua vez, chateado com a coluna de Vargas Llosa, expressou que dizer a um cardeal que não se importa com os direitos humanos constitui um gesto similar ao de maltratar a mãe. A mídia peruana, por sua vez, a partir de sua postura conservadora e aferrada aos altos poderes de direita, qualifica Cipriani como figura notória do Opus Dei na América Latina, ao empregar suas investiduras para proteger o crime e esquecer-se do mandato de Jesus Cristo de amparar os pobres e necessitados do povo.

A Província Franciscana do Peru, por sua vez, rechaçou "os qualificativos injuriosos" que Mario Vargas Llosa dirigiu contra o Arcebispo de Lima (Peru), Cardeal Juan Luis Cipriani, a quem expressaram sua solidariedade como cabeça visível da Igreja no país.

Os franciscanos assinalaram que "o cardeal Cipriani, como primaz da Igreja católica e como pessoa humana, merece o mesmo respeito que todos os seres humanos, pois somos filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança", e indicaram que as divergências nunca devem levar "ao insulto e ao impropério".

"A sociedade humana em geral e o Peru, em especial, necessitam viver de maneira solidária, sempre ao amparo do amor ao próximo que inspira nosso senhor Jesus Cristo", expressaram no comunicado.

Os franciscanos recordaram que Vargas Llosa "está chamado a ser uma voz de sensibilização e orientação da sociedade em aras da paz, evitando criar conflitos contra nenhuma autoridade".

"Os peruanos necessitam viver de maneira solidária e tendo como fundamento a verdade e o respeito para conseguir a justiça social, metas com as quais os franciscanos, à luz da mensagem de Jesus Cristo, também estão comprometidos", afirmaram.