Índia, maior poluidor do mundo, festeja “vitória” na COP26

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16 Novembro 2021

 

Em Glasgow, a Índia fez o papel do maior poluidor do mundo, anunciando que chegará a zero emissões somente em 2070, depois da Europa, Estados Unidos e China. Mas, enquanto isso, à espera da aprovação da Suprema Corte para um confinamento total, a capital, Delhi, está afundando em um semi-lockdown imposto por uma poluição que mata mais de um milhão de vítimas indianas todos os anos, com doenças respiratórias, complicações pulmonares, infartos, diabetes e doenças infantis desencadeadas por aquela grande nuvem de veneno asfixiante que paira no ar, bloqueada pela cordilheira do Himalaia. As partículas finas em Delhi, a capital mais envenenada da Terra, vão muito além dos limites da OMS.

 

A reportagem é de Carlo Pizzati, publicada em La Repubblica, 14-11-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

Enquanto o primeiro-ministro, Narendra Modi, pede pomposamente ao Ocidente um trilhão de dólares para as energias alternativas, anunciando, porém, dezenas de novas usinas a carvão, o governador da capital, nesse sábado, teve que ordenar o fechamento de escolas e repartições públicas por pelo menos uma semana, bloqueando os trabalhos de construção e pedindo que os entes privados deixassem seus funcionários em casa, para limitar o tráfego. Tráfego que não é o único culpado pelo grande massacre ambiental que abala, do outono à primavera, a planície do Ganges, cercada pelas montanhas do Himalaia, onde ficam aprisionados os venenos mefíticos em uma gigantesca câmara de gás que causa olhos vermelhos, tosse, falta de ar.

Assim, não há nada mais a ser feito senão fugir ou entrincheirar-se em casa, esperando que os purificadores não emperrem. “Você fica cansado assim que sai da cama”, diz Angad Daryani, inventor de uma engenhoca que transforma a graxa poluente em ladrilhos de carvão.

Certamente, os carros poluem tanto quanto as usinas de combustível fóssil, mas também os agricultores dos Estados de Punjab e de Haryana, que no outono queimam a palha para preparar as safras dos anos seguintes, emanando nuvens mortais sopradas sobre as metrópoles já nubladas pelos fogos de artifício da festa de Diwali, celebrada este ano no dia 4 de novembro.

A Autoridade para a Prevenção e Controle Ambiental ordenou que as máscaras também fossem usadas em casa. Não devido à Covid, mas pelas partículas finas.

Das 30 cidades mais poluídas do mundo, 22 estão na Índia, onde 18% das mortes são atribuíveis à poluição, com cerca de 1,7 milhão de vítimas em 2019 (dados da revista médica Lancet), ou seja, antes que os lockdowns pandêmicos dessem um pouco de fôlego, novamente tirado assim que as cidades redespertaram, as indústrias se reanimaram e o tráfego voltou a fluir.

Em Delhi e nos Estados limítrofes, as pessoas vivem 10 anos menos devido à poluição. “Os dados indicam que os nossos filhos estão crescendo com pulmões menores do que o normal. Uma em cada três crianças indianas tem os pulmões prejudicados, e um número muito elevado de crianças tem hemorragias pulmonares devido ao smog”, disse Anumita Roy Chowdhury, diretora do Centro de Ciências Ambientais.

Por que milhões de vidas são envenenadas com tais níveis de partículas finas? Porque a economia indiana deve gerar meio milhão de postos de trabalho para uma população de 1,4 bilhão de pessoas, metade das quais tem menos de 25 anos. E é preciso muito carvão para gerar eletricidade e muitos motores de combustão que queimam gasolina: os mortos da poluição morreram de desenvolvimento. A escolha, afirma-se na Índia, é entre morrer asfixiados ou morrer porque não há trabalho.

A Índia, portanto, é o envenenador do mundo pelo crescimento a todo o custo? “Vamos devagar”, disse o escritor Amitav Ghosh, “é deplorável que a Índia em Glasgow tenha diluído os acordos sobre o ambiente, mas não devemos torná-la um bode expiatório. O presidente estadunidense, Biden, também acaba de emitir novas licenças para as usinas de combustível fóssil, como muitos outros líderes. É verdade, emitir 55 novas licenças para centrais movidas a carvão, como fez o governo de Modi, é uma decisão terrível, até porque vai expulsar das suas terras centenas de milhares de populações Adivasi. Mas a Índia não está sozinha nisso. Há muito greenwashing, muito ambientalismo de fachada em todo o mundo.”

 

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