‘Imperatriz alerta sobre destruição da mãe Natureza’, afirmam povos indígenas

Imagem: Marcelo Camargo/ EBC

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

19 Janeiro 2017

Além de apoiar a escola de samba, eles estudam medidas judiciais para conter onda racista, injúrias e incentivos à violência por parte do poder econômico e do agronegócio.

A reportagem foi publicada por Rede Brasil Atual, 18-01-2017.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) divulgou nota ontem (17) para manifestar solidariedade à Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, do Rio de Janeiro, pelo samba-enredo Xingu – o Clamor que Vem da Floresta, que tem sido alvo de críticas de representantes do agronegócio e da bancada ruralista. A Apib afirma que o samba-enredo faz um alerta sobre a “destruição em curso da mãe Natureza”.

Para a entidade, é sábia e corajosa a decisão de produzir e levar à Marquês de Sapucaí o samba-enredo que revoltou o agronegócio, especialmente membros da bancada ruralista, além de profissionais da “imprensa subserviente”, que reagiram indignados e iniciaram uma campanha difamatória, de desqualificação e ofensas ao samba da Imperatriz Leopoldinense e uma sequência de ataques preconceituosos, racistas e estigmatizantes contra os povos indígenas do Brasil.

A nota destaca ainda que a letra do samba dá visibilidade a atrocidades contra os povos e a natureza. E que os representantes do agronegócio mentem ao reiterar em campanhas na mídia serem responsáveis por 30% dos empregos, 40% das exportações e 22% do PIB, quando as terras indígenas nada produzem. E ressalta dados do Instituto de Pesquisa da Amazônia e da Universidade de Brasília mostrando efeitos contra o desmatamento num raio de até 10 quilômetros de seus limites.

Os povos indígenas afirmam ainda que estudam medidas judiciais cabíveis para conter a onda de ataques racistas, injurias e incentivos à violência intensificados contra os povos indígenas por parte de setores do poder econômico, donos ou representantes do agronegócio.

Militarização da Funai

Na semana passada, a Apib se manifestou contra a ocupação da presidência e diretoria da Fundação Nacional do Índio (Funai) por nomes ligados ao PSC em troca do apoio ao golpe parlamentar que levou Michel Temer à Presidência da República.

A entidade reafirma publicamente manifestações anteriores, nas quais repudiou as tentativas de militarizar e desmontar do órgão indigenista, com a nomeação de militares para presidi-lo, bem como contra a redução drástica do orçamento e do quadro de servidores, a paralisação das demarcações das terras indígenas, as mudanças por meio de iniciativas legislativas ou medidas administrativas do procedimento de demarcação e a crescente criminalização de lideranças indígenas.

Para a Apib, a decisão da Casa Civil de efetivar indicações do PSC confirma o caráter ilegítimo do governo Temer, “alavancado pelas bancadas ruralista, evangélica, da mineração, do boi, da bala e assim por diante”. A entidade afirma que o partido “é parte do batalhão de parlamentares que perseguem suprimir os direitos constitucionais dos povos indígenas, tendo votado a favor da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 215, fazendo parte da CPI da Funai/Incra por meio do deputado Bolsonaro Filho – “um partido claramente anti-indígena”.

Leia mais