O inimigo do meu inimigo? Artigo de Jorge Alemán

Foto: Altamart/Pexels

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

06 Janeiro 2026

"Chegou a hora de um novo internacionalismo que envolva os diversos atores que não atuam em favor da dominação imperial", escreve Jorge Alemán, psicanalista e escritor, em artigo publicado por Página/12, 06-01-2026.

Eis o artigo.

É impossível aceitar que os serviços de inteligência chineses e russos não soubessem nada sobre o sequestro de Maduro e a violação do direito internacional.

Mais uma vez, confirma-se que a relação entre as potências mundiais — Estados Unidos, Rússia e China — deve ser analisada com muita atenção, através de uma lente que nos permita decifrar a nova geopolítica global. Essa geopolítica não pode mais ser discutida usando a lógica da Guerra Fria ou assumindo a existência de um mundo multipolar. Não existe multipolaridade, nem existem órgãos reguladores internacionais eficazes.

O capitalismo unificou o mundo por meio de um processo desigual, porém contínuo, de separação entre capitalismo e democracia e, consequentemente, da substituição das tradições liberais por uma estratégia belicosa e neoliberal na construção da realidade. A interação das relações de poder e seus mecanismos adentrou um mundo de cumplicidade entre os que detêm o poder e de tensões com desfechos imprevisíveis.

Isso demonstra, mais uma vez, uma situação trágica para a América Latina e humilhante para a Europa.

Chegou a hora de construir uma frente global marcada pelos ideais de democracia, soberania e justiça social, sem que nada garanta a possibilidade desse compromisso decisivo.

Esperar uma proteção decisiva e firme da China ou da Rússia sobre a América Latina é uma ingenuidade anacrônica que nos impede de compreender como se desenrolam as relações de poder entre os diferentes neoimperadores, suas zonas de influência e a exploração de recursos.

Chegou a hora de um novo internacionalismo que envolva os diversos atores que não atuam em favor da dominação imperial.

Leia mais