O que falta para Bolsonaro ser preso? Advogado criminalista explica

Jair Bolsonaro | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil / FotosPúblicas

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

18 Dezembro 2024

Para comentar a prisão do general Walter Braga Netto (PL-RJ), o programa TVGGN 20H da última segunda-feira (16) contou com a participação do advogado criminalista Aury Lopes, a fim de entender os novos rumos dos investigados por envolvimento na trama golpista que almejou impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A reportagem é de Camila Bezerra, publicada por Jornal GGN, 15-12-2024.

Lopes explica que o processo envolvendo o general quatro estrelas preso é complexo e que ele só foi preso preventivamente porque recai sobre Braga Netto a acusação de que ele teria tentado obstruir a investigação.

Em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de quem Braga Netto foi vice na última disputa eleitoral para presidente, Lopes afirmou que o funil está se fechando.

“É muito evidente não só a participação como o conhecimento do Bolsonaro em todo esse contexto golpista. Eu li, ainda semana passada, o relatório da Polícia Federal desse inquérito. Ali me parece muito evidente que o Bolsonaro sabia”, continuou o criminalista.

Um dos pontos graves da investigação da PF, na percepção do convidado, é a de que a abolição do Estado Democrático não aconteceu por muito pouco.

“Só não se efetivou o golpe, e eu não estou falando do crime, porque o crime é tentar. Então, o crime já se consuma com a tentativa. Mas foi muito perto. A estrutura estava muito bem montada. São anos de planejamento, digamos assim, alimentando toda essa estrutura”, observa Aury Lopes. “E não saiu, a meu ver, porque o Bolsonaro, no final, não teve coragem para dar o comando, porque eles estavam esperando o comando dele.”

Ainda que Bolsonaro esteja, segundo a avaliação do criminalista, muito perto da cadeia, a reclusão só deve se efetivar se antes da condenação se surgir um fato novo, que demonstre que o ex-presidente continua tramando um golpe de Estado.

“O que que falta o Bolsonaro ser preso? Um fato novo que diga, mesmo depois de 2022, ele continuou tramando e o núcleo ainda se mantém. É que isso ainda não apareceu, só falta isso”, explica o advogado.

“Não aparecendo, vai ter que terminar o inquérito, ter o julgamento, e daí sim ele ser preso. E agora sim, a regra do jogo vale para todo mundo. Punir é necessário, punir é civilizatório e democrático dentro da regra do jogo. A regra do jogo é que as pessoas respondam ao processo em liberdade. No Brasil, a regra é você ficar em liberdade. Isso é uma revolução democrática e civilizatória. Você pode ser preso antes do trânsito julgado? Pode. Tá aí a prisão preventiva. Mas para você ter uma prisão preventiva, você tem que ter uma necessidade cautelar”, ensina o especialista.

Além da tentativa de obstrução, que levou Braga Netto para a prisão, a prisão preventiva também se justifica quando há elementos concretos que demonstrem que aquela pessoa em liberdade coloca em risco a ordem pública, a exemplo do risco de fuga.

Andamento do processo

O convidado afirmou ainda que tem 99% de certeza de que Jair Bolsonaro será denunciado pelo Procurador-Geral da República, possivelmente em fevereiro ou março. E que o processo deve se estender por cerca de dois anos.

“Se no final for condenado, aí ele vai preso quando o trânsito está em julgado. Do contrário, ele vai ficar em liberdade”, conclui.

Leia mais