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29 Novembro 2022

"A releitura crítica do Concílio não se exime de evidenciar algumas limitações dos textos conciliares, que por vezes têm dificuldade em articular algumas noções, como o caráter sacerdotal e apostólico dos ministérios ordenados", escreve Christel Juquois sobre o livro Un catholicisme sous pression, de Brigitte Cholvy e Luc Forestier, ed. Salvator, em artigo publicado por La Croix. 24-11-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

O livro: Un catholicisme sous pression, de Brigitte Cholvy e Luc Forestier, ed. Salvator. Qual é o ponto comum entre as questões de gênero, a violência de origem religiosa, o retorno de certos imperialismos, o impacto da tecnologia digital em nossas vidas, o Sínodo sobre o futuro da Igreja ou, ainda, a urgência do tema ecológico? Para Brigitte Cholvy, professora emérita de teologia fundamental no Institut Catholique de Paris, e Luc Forestier, professor de eclesiologia e especialista em teologia dos ministérios, são problemas que colocam “o catolicismo sob pressão”. Lançando um convite urgente à Igreja a retomar novamente a reflexão teológica ali onde estão os "sinais dos tempos", para retomar uma conhecida expressão do Concílio Vaticano II, que chegam a revirar às vezes de forma muito dramática.

Un catholicisme sous pression

Foto: Divulgação

Com as questões de gênero, é a visão católica tradicional de masculino e feminino e a maneira de pensar sobre as relações entre homens e mulheres que estão sendo questionadas. Para refletir sobre isso, a noção de “complementaridade” é pertinente? Como manter as diferenças sem criar hierarquias?

A violência das religiões, que afirmam ser universais e exclusivas, obriga a refletir sobre a fraternidade e sobre as condições de um diálogo autêntico. Mas o diálogo é compatível com o anúncio do Evangelho? O retorno dos imperialismos questiona a Igreja sobre sua "catolicidade" e sua "universalidade". Como articular Igrejas locais e primado romano, esforço de inculturação e apelo ao universal? A explosão digital questiona a relação da Igreja com a técnica, com o virtual e com o real e, em contraponto, convida à reflexão sobre a “Presença”. A sinodalidade convida a redescobrir a "estrutura apostólica dos ministérios", mais que a continuar confundindo sacerdócio e presbiterato. Finalmente, a urgência ecológica coloca o problema da salvação do conjunto da Criação.

Surpreendentemente, para abordar esses temas candentes, os autores recorreram aos textos do Vaticano II, sessenta anos após o fim do Concílio, fazendo uma "aposta" bastante audaciosa: "É inimaginável que o Concílio não tenha mais nada a nos dizer, levando em conta a autoridade que lhe reconhecemos e a atitude de amplo diálogo com as nossas sociedades a que continua a convidar-nos ainda hoje". Assim, partindo de suas "seis questões contemporâneas", os autores foram interrogar não apenas os textos do Concílio, mas também o próprio evento e os sessenta anos de história de sua recepção. Ao optar por este "método invertido", apontaram recursos até então pouco identificados, em particular "um singular recurso do Vaticano II à Bíblia". Uma obra que confirmou a sua "convicção sobre a atualidade do Vaticano II, desde que não se tenha medo de questioná-lo".

Essa releitura crítica do Concílio não se exime de evidenciar algumas limitações dos textos conciliares, que por vezes têm dificuldade em articular algumas noções, como o caráter sacerdotal e apostólico dos ministérios ordenados. Mostra também como certos avanços do Concílio, como a interpretação eclesial da noção de carisma, ou a necessidade do diálogo inter-religioso, foram acolhidos pouco ou mal.

"Deliberadamente limitado em escopo", esse livro requer, como os próprios textos do Concílio, mais "debates e prolongamentos". Cada um dos problemas tratados poderia, de fato, ter sido objeto de um livro à parte, de tão árduos e complexos que são. Mas o interesse desse livro reside precisamente na diversidade dos problemas postos à Igreja pelo mundo ocidental. Escrito em parceria, também apresenta a vantagem de cruzar duas especialidades teológicas, a antropologia e a eclesiologia, para mostrar a capacidade da Igreja de entrar em diálogo real com o mundo. Porque é "através das histórias humanas que Deus fala e se revela àqueles que querem abrir olhos e ouvidos".

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