A economia de Francisco: um novo modelo de desenvolvimento

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26 Setembro 2022

 

Mais de mil jovens economistas, empresários e ativistas sociais com menos de 35 anos de mais de cem países de todo o mundo se reuniram por três dias em Assis para o encontro internacional "Economia de Francisco", promovido pelo Papa Bergoglio, presente ontem para a conclusão do encontro. Um confronto de ideias e experiências para promover "uma economia de paz e não de guerra", que "contraste a proliferação das armas", que "toma conta da criação e não a deprede", que "combate a miséria em todas as suas formas" e “reduz as desigualdades”, como lemos no documento final, também assinado pelo pontífice.

 

A reportagem é de Luca Kocci, publicada por Il Manifesto, 25-09-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

O percurso da "Economia de Francisco" - onde Francisco não indica o Papa, mas sim Francisco de Assis - começou há três anos, quando Bergoglio, com uma carta datada de 1º de maio de 2019, convocou jovens economistas e empresários que estudam e praticam uma economia alternativa ("que faz viver e não mata, inclui e não exclui, humaniza e não desumaniza") com o objetivo de elaborar "um pacto para mudar a economia atual e dar uma alma à economia de amanhã". Depois veio a pandemia, que impediu as reuniões presenciais, tornando possível trabalhar apenas remotamente, em grupos temáticos e videoconferências gerais. Até o encontro destes últimos dias, concluído ontem pelo pontífice, que em um amplo discurso reiterou uma série de pontos de seu próprio magistério social, nos moldes já delineados nas encíclicas Laudato si' e Fratelli tutti.

 

"Nossa geração legou-lhes muitas riquezas, mas não conseguimos cuidar o planeta e não estamos cuidando da paz", disse Bergoglio, indicando o buen vivir como perspectiva, "que não é a doce vida", mas "aquela mística que os indígenas nos ensinam a ter em relação à terra”.

 

Sem demora, à espera da "próxima cúpula internacional, que pode não servir: a terra está queimando hoje, e é hoje que temos que mudar, em todos os níveis". E sem propostas minimalistas. "Não basta a maquiagem, é preciso questionar o modelo de desenvolvimento", exortou o Papa, "porque se falamos de transição ecológica, mas permanecemos dentro do paradigma econômico do século XX, que depredou os recursos naturais e a terra, as medidas que adotarmos serão sempre insuficientes ou doentes na raiz”.

 

A questão ambiental, como amplamente expresso na Laudato si' - não por acaso inspirada em Francisco de Assis - está intimamente ligada à questão social. “A poluição que mata não é só a do dióxido de carbono, também a desigualdade polui mortalmente o nosso planeta. Não podemos permitir que as novas calamidades ambientais apaguem da opinião pública as antigas e sempre atuais calamidades da injustiça social, e também das injustiças políticas”, continuou Bergoglio. “Nós, homens, nos últimos dois séculos, crescemos às custas da terra. Ela pagou a conta! Muitas vezes a saqueamos para aumentar o nosso bem-estar, e nem mesmo o bem-estar de todos, mas de um pequeno grupo”. Mas "enquanto o nosso sistema produzir descartes e nós operarmos de acordo com esse sistema, seremos cúmplices de uma economia que mata".

 

Uma perspectiva de mudança que, no entanto, não parece estar atrás da esquina porque, acrescentou o Papa, "contentamo-nos em pintar uma parede mudando de cor, sem mudar a estrutura da casa", enquanto "não se trata de aplicar pinceladas de tinta, não: a estrutura deve ser mudada".

 

Falta uma palavra no discurso de Bergoglio, talvez porque esteja implícita, ou talvez porque seja indizível, e é "capitalismo". Ou melhor, está lá, mas do capitalismo se critica frontalmente apenas a "insustentabilidade espiritual" e, aliás, afirma-se - de uma forma realmente pouco compreensível - que "o nosso capitalismo quer ajudar os pobres, mas não os estima". O Papa, por outro lado, é claro quanto à questão energética: abandonar as “fontes fósseis” e “acelerar o desenvolvimento de fontes de impacto zero ou positivo”. E sobre o desarmamento: falei com um jovem engenheiro que se recusou a trabalhar em uma fábrica de armas, "esses são os heróis de hoje".

 

 

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