“O Papa, os jovens e o pacto sobre o planeta. Devemos ouvi-los”. Entrevista com Domenico Sorrentino

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26 Setembro 2022

 

"A beleza do que está acontecendo está no incrível entusiasmo desses jovens que não se rendem ao que já existe, não param de sonhar e prometem fazer um ‘pacto’ entre si e com o Papa”. O arcebispo de Assis Domenico Sorrentino, de 74 anos, receberá hoje Francisco na cidade do santo cujo nome o pontífice escolheu. Em Assis aconteceu a terceira edição da Economia de Francisco", a primeira presencial após a pandemia, com cerca de mil jovens de 120 países.

 

A entrevista com Domenico Sorrentino é de Gian Guido Vecchi, publicada por Corriere della Sera, 24-09-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis a entrevista.

 

Excelência, enquanto esses jovens se reuniam em Assis, dezenas de milhares de estudantes na Itália e em todo o mundo se manifestavam nas Fridays for Future, a greve global pelo clima. Parece uma geração mais consciente do que seus pais e avós, mas pouco ouvida pela política. O que se pode fazer?

 

Os jovens podem fazer muito. Porque as apostas em jogo dizem respeito a eles diretamente. Eles sabem que o planeta que nós devastamos é aquele que eles habitam e terão que habitar. Sabem que a distribuição desigual de recursos que deixa milhões de seres humanos à margem do banquete da vida não é mais tolerável, por razões éticas, mas também econômicas. Ao se manifestar, eles dizem que são protagonistas e expressam uma esperança de que os adultos também precisam. Devemos ouvi-los.

 

De que se falou em Assis?

 

Depois de três anos de trabalho remoto, uma verdadeira rede de jovens em todos os continentes, reunidos em ‘aldeias temáticas’, foram abordadas todas as principais questões da economia. Colocamos os assuntos em dia. Experiências, ideias, iniciativas, indicações que não querem ser ‘respostas’, mas pistas para o caminho. É um processo. Deveria resultar um empenho coletivo e generativo. Quanto sairá disso, só o tempo dirá.

 

Hoje chega o Papa, o que se espera?

 

O Papa vai ouvir os jovens, eles esperaram três anos por ele. Eles falarão de sua esperança de que este tempo dramático - da crise ambiental e energética, à do desemprego, às ameaças de uma guerra global - ainda possa ser um tempo ‘redimível’, no qual a esperança possa vencer o desespero. Francisco apelará à capacidade dos jovens de serem, com a ajuda de Deus, um pouco como Davi contra Golias. Sua carta de 1º de maio de 2019 já era um texto apaixonado e franco. As duas mensagens de vídeo dos últimos anos nos acompanharam. Esperamos uma indicação de direção, porque ‘A Economia de Francisco’ não pode e não quer se encerrar neste evento. Tem o futuro pela frente.

 

Em Assis também havia jovens ucranianos e russos, um sinal?

 

É claro. Entre jovens - pelo menos entre jovens como esses, cheios de paixão e sonhos – a guerra não teria ocorrido. Este incrível drama da invasão e do conflito na Ucrânia nasceu em mentes e corações que carregam o cansaço da história e o fardo de um ser humano ‘envelhecido’. É preciso dar à história uma injeção de juventude, e ‘A Economia de Francisco’ tem essa ambição.

 

O senhor escreveu um livro, “La porta di Francesco”, aquela que leva à Sala da espoliação, símbolo universal de radicalidade evangélica...

 

Nestes dias tenho visto jovens passarem pela porta com lágrimas nos olhos. Exumada por importantes escavações arqueológicas, é exatamente o local onde, há oito séculos, Francisco de Assis entrou como o mais rico da cidade e saiu como o mais pobre, agora pobre com os pobres, para colocar a condição dos últimos no centro da atenção da humanidade. Assim ele lançou a semente de uma nova economia não engessada na lógica do lucro, mas fecundada pela lógica do dom, da solidariedade, da fraternidade.

 

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