Trump: a IA é a galinha dos ovos de ouro. Xi concorda, mas teme pela segurança

Foto: White House/ Flickr

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18 Setembro 2026

"A regulamentação levanta outra questão: se um agente autônomo realizar um ataque cibernético, uma fraude ou um dano material, quem é responsabilizado? Quem treinou o modelo, quem o usou ou quem falhou em supervisionar suas potencialidades? No entanto, esses pedidos partem de laboratórios que operam com um alto grau de sigilo. Apenas as próprias empresas conhecem plenamente os resultados dos testes internos, os comportamentos inesperados observados em seus modelos e os sinais que as levam a pedir limites mais rigorosos. Essa posição de observadores privilegiados inevitavelmente amplifica o impacto público de seus alertas."

O artigo é de Arcangelo Rociola, jornalista italiano, no La Stampa, 15 de setembro de 2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Nenhum passo para trás. Nenhuma desaceleração. Nenhuma moratória. Os Estados Unidos e a China firmes na necessidade de continuar aprimorando os modelos de inteligência artificial. Não concordam quanto aos riscos, mas compartilham um ponto: nenhum dos dois pretende permitir que a segurança se transforme numa vantagem para o rival.

Após dias de debate mundial, fica claro que a IA se tornou o principal campo de batalha na competição tecnológica entre as duas superpotências. E nenhuma delas está disposta a ceder um centímetro do terreno conquistado. Ontem, Donald Trump atacou o que chamou de "conspiração doentia" contra a IA, algo de que "a única feliz é a China". O alvo de polêmica: as empresas estadunidenses que pedem mais regras diante dos avanços inesperados e potencialmente perigosos dessa tecnologia.

Trump descarta esses receios e pedidos, apresentando-se, na prática, como o único detentor do poder de controle sobre empresas e produtos. "A única medida de proteção de que a IA precisa é um presidente forte e inteligente, com um QI alto, e os Estados Unidos têm isso de sobra", escreveu Trump em sua rede social, a Truth. E acrescentou: "A única razão pela qual o boom da IA e dos centros de dados está acontecendo é que os Estados Unidos detêm uma evidente liderança sobre qualquer outro país. Não matem a galinha dos ovos de ouro."

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Palavras que encontraram eco direto na posição oficial de Pequim. Pequim não contesta os riscos da IA em abstrato, mas ataca os alertas disparados pelos laboratórios estadunidenses, acusando-os de querer apenas frear o desenvolvimento chinês. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, respondeu indiretamente ao apelo feito por Dario Amodei, da Anthropic, e Sam Altman, da OpenAI: "Alarmismo e competição apenas obstaculizam o processo de governança global da IA."

A mídia estatal chinesa foi além, classificando a estratégia de Amodei e Altman como uma "tática de Guerra Fria" calculada para "conter o desenvolvimento tecnológico chinês". Por sua vez, o chefe de inteligência Chen Yixin alertou a nação: "A IA representa uma ameaça à segurança nacional. Potências estrangeiras poderiam explorá-la para criar riscos diretos à segurança política, institucional e ideológica da China."

A mensagem é clara: Pequim deve manter-se vigilante e não pode se permitir nenhuma desaceleração ou passo para trás. Justamente como Washington. Em meio a esse clima de desconfiança mútua, perdem força todos os pedidos por regulamentação feitos por gigantes do setor dos EUA, acusados tanto pelo governo estadunidense quanto pelo chinês de ameaçarem suas respectivas seguranças nacionais.

Pedidos que poderiam se transformar num "cavalo de Troia" alerta o vice-presidente dos EUA, JD Vance. "Acho bastante estranho que tantas empresas de tecnologia de IA estejam recorrendo ao governo, praticamente implorando para serem regulamentadas", disse Vance. "Precisamos ter cuidado." A preocupação de Vance não é apenas aquela de um Estado demasiado intrusivo. Na verdade, teme que as empresas já dominantes, como Anthropic, OpenAI, XAI e Google, possam usar a segurança para garantir regras que só elas têm condições de cumprir, criando assim barreiras para potenciais novos concorrentes. E não só isso.

A regulamentação levanta outra questão: se um agente autônomo realizar um ataque cibernético, uma fraude ou um dano material, quem é responsabilizado? Quem treinou o modelo, quem o usou ou quem falhou em supervisionar suas potencialidades? No entanto, esses pedidos partem de laboratórios que operam com um alto grau de sigilo. Apenas as próprias empresas conhecem plenamente os resultados dos testes internos, os comportamentos inesperados observados em seus modelos e os sinais que as levam a pedir limites mais rigorosos. Essa posição de observadores privilegiados inevitavelmente amplifica o impacto público de seus alertas.

Ontem, o CEO da OpenAI, Sam Altman, reiterou seus avisos sobre o que considera os dois maiores riscos da IA: primeiro, que ela possa sair de controle; segundo, que o poder possa ficar excessivamente concentrado nas mãos de um único indivíduo ou empresa. Enquanto isso, o CEO da Palantir, Alex Karp, admitiu: "Os riscos existem. Se não tivéssemos adversários, eu interromperia totalmente essa tecnologia. Mas temos." Novamente, a China.

Uma reunião entre Trump e Xi Jinping está agendada para 24 de setembro próximo em Washington. A IA deve se tornar um dos temas dominantes à medida que cresce a preocupação dos investidores. Ontem, as ações de tecnologia fecharam em baixa em todo lugar. Caíram em Nova York, Xangai e Tóquio, bem como nas principais bolsas europeias.

A ONU também se manifestou sobre a IA, alertando para o "risco existencial" que o desenvolvimento descontrolado representa para as democracias. Espera-se que uma reunião do Conselho de Segurança dedicada a esse tema ocorra já na próxima semana.

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