04 Setembro 2026
Um apelo à maturidade do eleitorado: Dom Heiner Wilmer não deseja emitir uma recomendação para as próximas eleições estaduais na Saxônia-Anhalt. No entanto, os eleitores não devem votar em nenhum partido em particular.
A informação é de Katholisch.de, 02-09-2026.
Às vésperas das eleições estaduais na Saxônia-Anhalt, no domingo, o presidente da Conferência Episcopal Alemã (DBK), Heiner Wilmer, voltou a alertar contra o partido AfD. Embora a Igreja não queira nem possa ditar as regras eleitorais, afirmou: "Apelo aos eleitores da Saxônia-Anhalt para que exerçam sua própria consciência. Os migrantes não são um incômodo". Wilmer fez essa declaração em entrevista ao jornal "Frankfurter Allgemeine Zeitung".
Os cristãos defendem o amor ao próximo e a dignidade humana, especialmente dos membros mais vulneráveis da sociedade. "Não há alternativa a isso, nem na Alemanha nem em qualquer outro lugar", enfatizou Wilmer. "O AfD ataca esses valores fundamentais e mina nossa forma democrática de governo. A alternativa deles para a Alemanha é uma sociedade em que a liberdade, a dignidade humana e a democracia são restringidas."
Segundo as pesquisas atuais, o AfD poderá se tornar, de longe, o partido mais forte no estado da Alemanha Oriental, com mais de 40% dos votos. Em sua resolução de fevereiro de 2024, a Conferência Episcopal Alemã já havia declarado a incompatibilidade entre o cristianismo e o nacionalismo étnico, declarando, assim, o AfD inelegível para os cristãos.
Reconhecendo os desafios políticos
Wilmer atribui o sucesso dos populistas de direita, em parte, ao fato de as pessoas sentirem que não são levadas a sério pelos políticos dos partidos tradicionais. "Muitas pessoas, especialmente nas áreas rurais, sentem-se deixadas para trás", disse o bispo de Münster. Ao mesmo tempo, acrescentou, é preciso reconhecer que existem muitos desafios atuais, como guerras, a crise climática e as convulsões econômicas. "Isso pode facilmente se tornar avassalador. E respostas simplistas que prometem o mundo são tentadoras", explicou Wilmer. "Mas elas não são a solução; o que é necessário, também na política, é diferenciação e honestidade."
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Diante da crescente polarização social, Wilmer também vê a igreja como responsável. Ao mesmo tempo, está convencido de que ela continua a exercer forte influência na sociedade. "Ela é atraente porque as pessoas anseiam por comunidade em um momento de crescente fragmentação social, pois não devemos deixar a questão da nossa identidade nas mãos dos identitários", afirmou Wilmer.
Apesar da queda no número de fiéis, o bispo de Münster declarou estar convencido de que a Igreja não poderia degenerar em uma seita. "Nossa Igreja precisa ser aberta. Trata-se de origem sem arrogância, pertencimento sem exclusão e abertura sem perda de si mesmo." Wilmer já havia enfatizado o apelo da Igreja em seu discurso de posse após sua eleição como presidente da Conferência Episcopal em fevereiro.
Novas oportunidades para assumir responsabilidades
Ao mesmo tempo, ele alertou contra o uso do número de pessoas que deixam a igreja como único critério para avaliar a saúde da instituição. "Essa medida é insuficiente", disse Wilmer. "Existe outra definição de igreja." A membresia em uma igreja não é determinada apenas pelo número de pessoas que frequentam os cultos de domingo, batismos e casamentos na igreja.
"Gostaria também de encorajá-los a considerar quem, e quantas pessoas, na Alemanha alimentam os famintos, aqueles que anseiam não apenas por pão, mas também por significado e realização. Quem visita os doentes? Quantos cuidam dos sem-teto?" Mesmo que essas pessoas não sejam necessariamente membros da igreja, elas merecem respeito "por ações que estejam alinhadas com nossos valores cristãos".
Principalmente nas áreas rurais, a Igreja precisa estar presente, segundo Wilmer, e encontrar soluções para o declínio no número de padres e fiéis. "Precisamos de novas formas de compartilhar responsabilidades, em que nós, cristãos batizados, trabalhemos juntos ainda mais de perto", disse o presidente da Conferência Episcopal. Ele enfatizou a importância de se manter particularmente próximo dos jovens. "Trata-se de acompanhar os jovens pelas águas turbulentas da vida, além dos precipícios", explicou o bispo, referindo-se ao recente filme de Christopher Nolan, "A Odisseia". Ele acrescentou que o filme também traz uma mensagem para a Igreja: "Todos nós ansiamos por Ítaca, de alguma forma".
"Rejeitamos a barriga de aluguel"
Em relação à questão da barriga de aluguel, Wilmer afirmou: "Nossa posição é cristalina. Rejeitamos a barriga de aluguel." Ao mesmo tempo, o prelado refutou as acusações de que a Igreja teria se pronunciado sobre o assunto quando a discussão ressurgiu em julho.
"Muito pelo contrário", enfatizou Wilmer, referindo-se a textos relevantes da Conferência Episcopal de 2024, que declaram claramente a posição da Igreja. Isso já é de conhecimento geral, mesmo sem uma nova declaração. "Acho cansativo quando a Igreja aborda os mesmos temas a cada três ou quatro semanas", acrescentou o presidente da Conferência Episcopal.
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