01 Setembro 2026
Dan Driscoll apresentou sua renúncia na segunda-feira após meses de tensão com o chefe do Pentágono, Pete Hegseth.
A reportagem é de Juan Gabriel García, publicada por El Diario, 01-09-2026.
O secretário do Exército, Dan Driscoll, renunciou ao cargo na segunda-feira, anunciou a Casa Branca. Driscoll, que era visto como o provável sucessor do atual secretário de Defesa, Pete Hegseth, deixou o cargo após meses de tensão com seu superior e em um momento particularmente delicado para o governo republicano: em meio à campanha no Oriente Médio e a apenas dois meses das eleições de meio de mandato. A saída de Driscoll aprofunda ainda mais o vácuo de liderança que assola o Pentágono há meses.
“O secretário Driscoll tem sido extremamente eficaz em promover a agenda do presidente Trump para fortalecer novamente os Estados Unidos no Departamento do Exército, demonstrando uma liderança excepcional durante operações militares históricas, restaurando a ênfase na prontidão e letalidade, auxiliando nas negociações entre a Rússia e a Ucrânia e muito mais”, disse a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, em um comunicado à Associated Press.
O Washington Post havia noticiado recentemente que Driscoll estava considerando renunciar devido a diversos desentendimentos com Hegseth. Apesar de seu importante papel no setor civil do Pentágono, Driscoll e o secretário de Defesa não se falavam há meses, segundo a mesma publicação. O secretário do Exército era um aliado de longa data de JD Vance, a quem conheceu durante seus anos na Faculdade de Direito de Yale e para quem trabalhou como conselheiro. Foi o vice-presidente quem o promoveu ao cargo que agora está deixando.
A saída de Driscoll se soma à crescente lista de perdas que o Pentágono acumulou nos últimos meses, desde que Hegseth demitiu o chefe do Estado-maior do Exército, Randy George, em abril passado. O general George foi uma figura-chave no comando militar das forças americanas durante um de seus períodos mais ativos desde as guerras no Iraque e no Afeganistão. Ele também era um aliado de Driscoll, com quem tinha uma relação muito melhor do que com o secretário de Defesa.
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Assim como no caso do cargo de George, o Pentágono provavelmente também terá dificuldades para substituir Driscoll. A alta rotatividade de figuras experientes na liderança militar está deixando Hegseth com poucas opções para selecionar candidatos qualificados. A vaga para liderar o Comando de Transformação e Treinamento do Exército, que supervisiona o reabastecimento de mísseis Patriot e outros sistemas militares críticos, também permanece em aberto desde agosto.
Em junho passado, Hegseth forçou o general Christopher T. Donahue, o principal comandante militar dos EUA na Europa, a se aposentar. A decisão foi um grande revés para aqueles que o consideravam uma figura de destaque no esforço militar para se adaptar a um futuro campo de batalha dominado por drones e inteligência artificial.
A saída de Driscoll é mais um sintoma do fortalecimento do poder de Hegseth no Pentágono, onde ele unilateralmente expurgou uma parcela significativa da liderança militar. Como explicou Carrie A. Lee, pesquisadora sênior do think tank German Marshall Fund, ao elDiario.es, esse processo arbitrário de demissões fomentou uma cultura de medo que pode estar interferindo nas recomendações recebidas tanto pelo Secretário de Defesa quanto pelo Presidente dos EUA. "E essa é a receita para receber informações erradas e estar constantemente despreparado", alerta Lee.
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