Dom Carlos Castillo, cardeal-arcebispo de Lima, pede aos bispos peruanos que purifiquem sua missão: "Nem dinheiro, nem fama, nem orgulho"

Foto: Dom Carlos Castillo | Wikimedia

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25 Agosto 2026

Caminhar juntos proclamando o Evangelho exige acordos, diálogo e compreensão da realidade. Precisamos voltar ao cerne da questão.

A reportagem é de Paola Calderón, publicada por Religión Digital, 21-08-2026.

Os bispos da Conferência Episcopal Peruana celebraram o 300º aniversário da canonização de São Toribio de Mogrovejo na Basílica Catedral de Lima, em 20 de agosto. Uma solene Eucaristia foi presidida pelo Cardeal Carlos Castillo, como parte das atividades programadas para a 130ª Assembleia Plenária do Episcopado.

O cardeal convidou os bispos a examinarem suas consciências quanto às suas vocações, que, insistiu ele, devem estar livres de qualquer interesse ou ambição pessoal, a fim de abraçarem o verdadeiro zelo missionário. Após destacar a obra evangelizadora de São Toríbio de Mogrovejo na região andina, o prelado enfatizou que sua missão foi vivida por meio da proximidade e da escuta direta das comunidades indígenas.

Toribio é como a encarnação de Jesus em nossas terras. Ele dedicou sua vida a visitar as dioceses, e não se tratava de uma visita burocrática; segundo documentos e testemunhos históricos, ele vivia entre o povo”, afirmou. A esse respeito, o Arcebispo de Lima desafiou os bispos a não perderem a autenticidade no exercício de seu ministério episcopal, pois sua missão “deve nascer da graça e da humilde aceitação de suas próprias limitações”.

"Tudo o que discutimos nestes últimos dias nos lembra da primeira pergunta que devemos nos fazer: nós, como bispos, vivemos esse dom da graça, onde tudo o que fazemos é livre, como Toribio?", questionou ele.

Um apelo à consciência

Segundo o Primaz do Peru, o episcopado deve purificar seu trabalho eclesiástico diante de situações relacionadas à busca de poder, renome ou vantagem material, e ele os exortou a recuperar a credibilidade institucional em tempos complexos.

“Trabalhemos em nós mesmos, guiados pelo Espírito Santo que Toribio nos transmitiu, como uma Igreja missionária, livre e generosa, que nada pede em troca, que não pensa em quanto vai ganhar com isso, nem dinheiro, nem fama, nem orgulho, nem vaidade, nem ascensão na hierarquia eclesiástica; mas sim, a partir dessa experiência de amor livre, disposta a continuar nesse caminho”, afirmou.

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Referindo-se ao caminho sinodal que está sendo trilhado pela Igreja universal e ao próximo encontro entre a sociedade peruana e o Papa Leão XIV, o arcebispo insistiu na necessidade de reinserir o Evangelho na realidade do país, marcada pela diversidade social e cultural.

"Examinemos nossas consciências para ver como podemos ampliar a força de Toribio dentro de nós e fazer de nossa Igreja uma testemunha do amor de Deus em tempos tão difíceis para a humanidade."

Caminhando na diversidade

Para o cardeal, o Peru pode ser como o mundo, “unido na diversidade, na unidade da paz que nos foi proposta pelo nosso amado Papa Leão XIV, uma paz desarmada e que desarma”, concluiu.

A celebração eucarística contou com a presença de autoridades eclesiásticas locais, como o presidente da Conferência Episcopal Peruana, D. Carlos García Camader, e o Núncio Apostólico, D. Paolo Gualtieri.

A celebração recordou com carinho São Toribio de Mogrovejo, arcebispo espanhol do século XVI que se tornou uma figura fundamental na história da Igreja no continente e que é reconhecido como um defensor ferrenho dos direitos humanos, interessado em aprender línguas indígenas e promover a tradução de textos religiosos.

As sessões de trabalho e discernimento da 130ª Assembleia Plenária deverão ser concluídas em 21 de agosto.

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