Papa Leão XIV eleva vozes pró-LGBT e pró-ordenação de mulheres a importantes cargos na Igreja

Leão XIV saúda os fiéis antes de uma audiência geral na Praça São Pedro | Foto: Vatican Media

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12 Agosto 2026

Quinze novos consultores do departamento para a vida religiosa no Vaticano incluem freiras que defendem a ordenação de mulheres. Com a aproximação das assembleias sinodais de 2027, a lista de convidados do papa é o assunto do momento.

O artigo é de Christopher Hale, jornalista, publicado pelo blog Letters from Leo, 11-08-2026. 

Eis o artigo.

Quinze novos consultores para o departamento vaticano voltado à vida religiosa incluem irmãs que querem colocar a ordenação feminina sobre a mesa. Com as assembleias sinodais de 2027 se aproximando, a lista de convidados do papa é a grande notícia. 

O Papa Leão XIV nomeou quinze novos consultores para o Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica em 6 de agosto, incluindo várias que já criticaram no passado a abordagem da Igreja em relação às mulheres.

Entre elas está a irmã Patricia Murray, religiosa irlandesa que serviu por anos como secretária executiva da União Internacional das Superioras Gerais, órgão sediado em Roma que reúne as líderes das ordens religiosas femininas em todo o mundo.

Em um encontro de 2021, ela insistiu que "também precisamos permitir que os temas que as pessoas querem discutir sejam nomeados" — e os temas que ela citou foram o diaconato feminino e o próprio sacerdócio.

A irmã María Rosaura González Casas, psicóloga mexicana que leciona na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, se junta a ela na lista; ela já afirmou que a Igreja "sistematicamente falhou com as mulheres".

Ambas passarão a assessorar o Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, o órgão vaticano que governa as ordens religiosas do mundo, presidido pela irmã Simona Brambilla, a primeira mulher a chefiar um dicastério.

O LifeSiteNews percebeu. O veículo tradicionalista soou seu alarme esta semana sobre "consultores pró-ordenação feminina, pró-LGBT", e, pela primeira vez, sua reportagem é precisa, ainda que seu horror esteja mal direcionado.

Em Washington, costuma-se dizer que o departamento pessoal é política. Leão, o primeiro papa americano, parece ter carregado esse axioma consigo até Roma.

Considere como quinze meses de suas nomeações se apresentam quando colocados lado a lado. Ele colocou a irmã Alessandra Smerilli no topo do dicastério responsável por sua agenda de paz, migração e clima, com um cardeal atuando como seu vice.

A máquina de comunicação do Vaticano foi entregue a Montse Alvarado, a primeira leiga a dirigir a mídia da Santa Sé.

A irmã Nathalie Becquart permanece entre as figuras mais poderosas do escritório do sínodo, que conduzirá os próximos três anos da Igreja.

Os bispos contam a mesma história.

Em fevereiro, Leão aceitou a renúncia de Dom Gregory Aymond em Nova Orleans, e Dom James Checchio, a quem Leão havia enviado à Louisiana como coadjutor cinco meses antes e cuja diocese em Nova Jersey fez do acolhimento aos católicos LGBT uma prioridade sinodal (seus paroquianos ainda se lembram dele demorando-se em um encontro de ministério LGBT após o massacre na boate Pulse, em 2016), assumiu o comando de uma das sés mais tradicionais do catolicismo americano.

"Ele ficou e conversou com cada pessoa — fez questão de circular para conhecê-las", relembrou uma líder de ministério. O New Ways Ministry o saudou como "mais um prelado LGBTQ-friendly".

Depois veio a Alemanha. Em julho, Leão nomeou Christian Würtz, auxiliar de Friburgo que apoiou as resoluções do Caminho Sinodal alemão favoráveis a bênçãos para casais do mesmo sexo e a um novo exame da ordenação feminina, para liderar a diocese bávara de Eichstätt; até o conservador serviço de notícias Catholic Culture reconheceu que observadores tratam Eichstätt como um termômetro da direção da Igreja.

Esses movimentos se somam ao Pe. Thomas Hennen, o padre de Iowa com uma década de ministério LGBT que Leão fez bispo no Oregon, e a  Dom Ramón Bejarano, o auxiliar de San Diego afirmativo em relação às pessoas LGBTQ que ele enviou para liderar Monterey.

O padrão se mantém também na Ásia. O Cardeal Tarcisio Isao Kikuchi, de Tóquio, saudou publicamente a nova campanha nacional do Japão para aprofundar a compreensão sobre as minorias sexuais, aprovada em 16 de junho, dizendo que uma comunidade inclusiva "não é um propósito de nossa atitude como tal; é, antes, o primeiro passo para a realização do mundo que Deus nos chama a construir".

Nada disso deveria surpreender leitores de longa data. Leão convidou 1.200 católicos LGBT a atravessar a Porta Santa de São Pedro no primeiro outono de seu pontificado, e seus assessores mais próximos confirmaram, ainda no início, que as bênçãos para casais gays permaneceriam em vigor.

Até o guarda-roupa papal carrega a mensagem. Filippo Sorcinelli, o mestre alfaiate de vestes litúrgicas que já vestiu três papas consecutivos e que fez união civil com seu companheiro em 2021, voltou ao trabalho preparando o guarda-roupa litúrgico de Leão. "Foi como um chamado, uma convocação de volta ao dever", disse ele ao Corriere della Sera neste mês.

As nomeações de consultores ocorreram semanas depois de um relatório da Universidade de Notre Dame sugerir que homens gays merecem um escrutínio especial antes da ordenação. "Do You Know Them to be Worthy?", publicado em julho pelo Instituto McGrath para a Vida da Igreja, de Notre Dame, propunha que os arquivos de seminário rastreassem a "atração pelo mesmo sexo" de um candidato ao longo do tempo, e que os formadores aprendessem a distinguir sua forma "transitória" de uma forma "profundamente enraizada".

A reação chegou em poucos dias, e veio de pessoas sérias. Escrevendo na Outreach, o Pe. James Martin observou que o próprio catecismo da Igreja chama as pessoas homossexuais à castidade e à santidade, e depois ofereceu seu próprio testemunho:

"Em meus quase 40 anos como jesuíta, conheci dezenas de padres gays celibatários que levaram o que o Papa Francisco chamou de vidas 'boas, santas e celibatárias'." Francis DeBernardo, do New Ways Ministry, acrescentou que os autores do relatório nunca consultaram os padres gays sobre os quais escreveram.

Poucas semanas após a divulgação do relatório, Leão nomeou conselheiros que passaram suas carreiras justamente fazendo as perguntas que o documento queria deixar de lado.

Quem se pergunta onde hoje se situa o centro de gravidade da Igreja americana deveria observar a cena no Gaston Hall, da Universidade Georgetown, em 20 de junho, quando o Cardeal Robert McElroy celebrou a Missa da vigília na conferência Outreach, o encontro anual de católicos LGBT fundado por Martin.

A Igreja "frequentemente feriu" a comunidade LGBT, pregou McElroy, antes de se voltar para a carta de Paulo aos Romanos: "O dom não é como a transgressão… a graça de Deus e o dom gracioso de um único homem, Jesus Cristo, transbordam para muitos".

Ele encerrou ecoando o conselho de Leão de que a unidade da Igreja não deveria se sustentar ou ruir com base em questões sexuais. Um cardeal da Igreja Romana ficou diante de um salão de católicos LGBT e pregou a graça sem ressalvas, e o momento praticamente não repercutiu como notícia — o que talvez seja a evidência mais clara de o quanto o terreno mudou.

Nada disso será resolvido apenas por nomeações papais, e Leão XIV sabe disso. Essas questões percorrem a maquinaria do sínodo há anos.

O Papa Francisco entregou as mais espinhosas delas a dez grupos de estudo em 2024, Leão prorrogou seus prazos quando o trabalho ultrapassou o calendário, e seus relatórios provisórios chegaram em novembro passado.

O Grupo de Estudo 9, o painel encarregado das questões doutrinais "controversas" (entre elas, o ministério aos católicos LGBT), entregou seu relatório final em maio. O grupo que estuda a liderança das mulheres encaminhou seu material sobre o diaconato a uma comissão papal, onde a questão agora se encontra.

Agora vem a fase decisiva.

Sob "O Caminho da Implementação", o roteiro que o escritório do sínodo divulgou em maio, dioceses ao redor do mundo realizarão assembleias de avaliação no primeiro semestre de 2027.

Assembleias nacionais e regionais seguem na segunda metade daquele ano. Os continentes se reúnem no início de 2028, e toda a jornada termina em Roma, em outubro de 2028, com uma Assembleia Eclesial realizada sob a autoridade do próprio papa. As mulheres e os homens que Leão está nomeando hoje moldarão o que essas assembleias ouvirão.

A outra metade do trabalho pertence a nós.

Essa é a razão mais profunda de uma lista de consultores. Roma decide suas grandes questões em assembleias e documentos, mas decide muito antes (às vezes anos antes) quem estará na sala quando as perguntas forem feitas. Ao colocar uma psicóloga que diz que a Igreja falhou com as mulheres ao lado de bispos que estiveram ao lado de católicos gays enlutados quando isso tinha um custo, Leão está escolhendo as testemunhas cujo depoimento a Igreja pesará.

O Evangelho tem longa memória nesse ponto. Jesus construiu seu movimento a partir de pessoas que o establishment religioso de seu tempo havia descartado, e enfrentou infindáveis críticas pela companhia que mantinha; os fariseus resmungavam que "este homem acolhe pecadores e come com eles", e dois mil anos depois a Igreja ainda vive do escândalo desse acolhimento. Um papa que preenche os mais altos conselhos da Igreja com as pessoas que seus guardiões tentaram excluir está trabalhando bem no centro dessa tradição.

A Igreja que se reunirá em Roma em outubro de 2028 está sendo montada agora, uma nomeação de cada vez. Fique de olho na lista de convidados.

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