Patriarca de Moscou vê “providência divina” nas armas nucleares russas

Foto: Alexei Nikolsky | Wikimedia Commons

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11 Agosto 2026

O Patriarca de Moscovo e líder da Igreja Ortodoxa Russa considerou recentemente que o arsenal nuclear que a Rússia detém, desde os tempos da União Soviética, se devem à “providência divina”, permitindo àquele país manter-se livre e independente.

A reportagem é publicada por 7Margens, 09-08-2026.

A afirmação foi feita, segundo o site da Letónia Meduza e várias outras fontes, no mosteiro de São Serafim, na festa da descoberta e reconhecimento oficial das relíquias deste santo, que ocorre em 1 de agosto.

O patriarca Cirilo nomeou dois físicos soviéticos que lideraram a equipa de investigadores que criaram a arma atómica. “Eles criaram a arma sob a sombra de São Serafim de Sarov, porque, pela inefável providência de Deus, esta arma foi criada no mosteiro de São Serafim”, declarou o patriarca.

Ainda que a posição do patriarca de Moscovo acerca das armas nucleares tenha sido já glosada, no passado, o facto de ele ter apoiado e legitimado ativamente a atual guerra de invasão e agressão contra a Ucrânia amplificou-as ainda mais.

As reações têm-se sucedido. O chefe da Igreja Ortodoxa Finlandesa, arcebispo Elias, recordou que a ortodoxia convoca a Igreja a orar pela paz em todo o mundo, e não pela vitória das armas de qualquer país. Nessa linha, manifestou profunda preocupação com a forma como o patriarca Cirilo utiliza a retórica cristã para justificar as armas nucleares e respetivo uso.

E foi certamente também a pensar nas posições do patriarca Cirilo que o Núncio papal na Ucrânia comentava, numa entrevista ao Vatican News, na última quarta feira, 5 de agosto, contrapondo à importância dos apelos à paz que vêm sendo feitos por Leão XIV:

“Quem pode justificar a guerra? Quem ousa afirmar que a guerra tem algum sentido? Creio que ninguém. Por isso, é preocupante ouvir que ainda há quem procure distorcer a realidade, atribuir valor moral à guerra ou mesmo abençoá-la. É por isso que rezamos pela conversão dos nossos irmãos e irmãs”.

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