O Evangelho contra “a identidade cristã”. Artigo de Marie-Alix de Crombrugghe

Foto: Aaron Burden/Unplash

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08 Agosto 2026

"Não buscamos Cristo nos discursos de ódio ou nos entrincheiramentos identitário: não está ali. Ao contrário, Cristo está onde as feridas são curadas, onde o estrangeiro é acolhido e onde se ousa buscar a reconciliação quando tudo nos impele à guerra", escreve Marie-Alix de Crombrugghe, em artigo publicado por Baptises, julho de 2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Marie-Alix de Crombrugghe é escritora e resenhista ligada a movimentos de reflexão católica na Europa francófona.

Eis o artigo.

Esse pequeno livro chama a atenção para os desvios de comportamento que são definidos como cristãos, mas que na verdade são fundamentalmente distantes do coração do Evangelho. O autor identifica várias causas para esses desvios: políticas, sociológicas e individuais. O livro é escrito como uma narrativa contínua, sem divisões em capítulos. Após apresentar-se, o autor relata diversos encontros, procurando com cuidado identificar e denunciar o que há de “errado” em cada um deles. E mostrar, nas páginas seguintes, um caminho diferente.

A causa de Cristo: o Evangelho contra "a identidade cristã", de Benoist de Sinety. (Grasset, 2026)

A primeira metade do livro é escrita em primeira pessoa, e situa a análise no ambiente mais próximo ao autor. Na sequência é mostrado o que o Evangelho levou, e continua a levar, ao coração de cada ser humano, em todos os lugares e pela longa história da humanidade, sem jamais se cristalizar, desde o alvorecer do cristianismo. Profundamente preocupado com os desvios, o autor ousa traçar analogias com os papéis negativos presentes nas narrativas evangélicas. A tensão então se dissipa quando ele recorda outro caminho, aquele da experiência agostiniana e do encontro com Cristo em cada ser humano, frágil, certamente, mas também habitado por sua dignidade em Deus e criado não para os antagonismos, mas para a fraternidade.

“Para muitos ensaístas, políticos e mídia, a defesa de uma suposta ‘identidade cristã’ tornou-se uma luta, uma obsessão. A ponto de acreditar que estamos vivendo um choque de civilizações e que a Igreja não presta atenção e é ingênua. Esses comentaristas são vendedores de ilusões e cínicos que instrumentalizam o sagrado. São falsários que mentem sobre a mensagem do Evangelho. Não buscamos Cristo nos discursos de ódio ou nos entrincheiramentos identitário: não está ali. Ao contrário, Cristo está onde as feridas são curadas, onde o estrangeiro é acolhido e onde se ousa buscar a reconciliação quando tudo nos impele à guerra. Está na mão estendida ao necessitado, um gesto que, por si só, derruba os ídolos da força”.

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