Além do “esgotamento eclesial”. Artigo de Andrea Lebra

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08 Agosto 2026

"O futuro do cristianismo não depende, antes de tudo, do número de fiéis, nem do prestígio das Igrejas, nem de sua influência política, mas de sua capacidade de ser um sinal crível do Reino de Deus."

O artigo é de Andrea Lebra, leigo católico italiano, publicado por SettimanaNews, 07-08-2026.

Eis o artigo. 

De certo modo, parece que o cristianismo representa a tentativa de limitar um monoteísmo que concentra todo o poder no único Deus e que obriga os crentes a temer e esperar desse mesmo Deus todo o seu destino. Jesus Cristo, ao contrário, é aquele homem de Deus que pode nos dizer, a nós, seus irmãos e irmãs: "Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas chamo-vos amigos" (Jo 15,15), amigos e amigas que podem partilhar aquela familiaridade com Deus que o próprio Jesus vive […]. Jesus Cristo é o referencial da fé cristã porque nele Deus se tornou presente e concreto, em forma humana, para a salvação e o cuidado dos seres humanos, para que possam se apoiar nele em meio à miséria de sua humanidade e na busca de uma vida humana em plenitude (Jürgen Werbick, Dio-Umano. Una cristologia elementare, Editrice Queriniana, Brescia 2022, p. 11 e p. 21).

Na Alemanha, o livro havia sido publicado em fevereiro de 2023 com um título decididamente provocador — "Christentum – kann das weg? Glauben in Zeiten der KirchenErschöpfung" (literalmente: "Cristianismo – Pode ser jogado fora? Crer em tempos de esgotamento da Igreja") — e com uma capa que trazia uma cruz jogada em uma lata de lixo.

A editora Queriniana, de Brescia, publicou recentemente a tradução italiana (a cargo de Fabrizio Iodice), com um título menos impactante: "Il Cristianesimo può scomparire? Credere in un tempo di esaurimento ecclesiale", e uma capa inofensiva.

Trata-se do mais recente ensaio do teólogo alemão Jürgen Werbick, nascido em 1946, professor emérito de teologia fundamental na Faculdade de Teologia Católica de Münster, já amplamente traduzido na Itália: um autor capaz de dialogar sem complexos com a modernidade, com o objetivo de tornar o Evangelho compreensível aos homens e mulheres de hoje, sobretudo às muitas pessoas que "riscaram as Igrejas de suas vidas" (p. 16).

Sobre o livro, o SettimanaNews de 24 de julho de 2026 já publicou uma bela apresentação de Duilio Albarello, professor de teologia fundamental na Faculdade Teológica de Milão e no Instituto Superior de Ciências Religiosas de Fossano (CN).

Trata-se de uma coletânea de dez ensaios sobre outras tantas temáticas teológicas:

(1) a relação entre a perda das Igrejas e a perda da fé cristã;

(2) o conceito de tradição na doutrina cristã;

(3) dizer hoje redenção, libertação e resgate;

(4) e se Deus estivesse se afastando de sua Igreja?;

(5) de que modo Deus nos salva?;

(6) dizer de modo crível os fundamentos da fé cristã;

(7) o nosso além é Deus;

(8) a oração na vida dos cristãos e das cristãs;

(9) a Eucaristia, fonte e ápice de toda a vida cristã;

(10) trabalhar com empenho pelo futuro desta nossa Igreja em ruínas.

Cada ensaio pode ser lido de forma autônoma. Todos têm em comum o confronto com aquilo que Jürgen Werbick chama, no subtítulo de seu livro, de "esgotamento da Igreja", cujas consequências catastróficas (p. 152) do grave escândalo dos abusos "sozinhas não bastam para explicar" (p. 13); incluído aí o escândalo do abuso de Deus, que pode significar não apenas se servir de seu nome para exercer o poder sagrado, mas também considerar os homens e as mulheres como súditos, colocando "sob controle a sua vida, o seu pensamento e o seu sentir" (p. 119).

Para o autor, de fato, a primeira responsável pela redução do cristianismo a uma espécie de lixo a ser descartado não é a maldade dos tempos (Ef 5,16), mas a instituição eclesial, aflita tanto pela perda de autoridade e credibilidade quanto, sobretudo, pela dificuldade e pelo esforço em cumprir sua missão insubstituível, que é "tornar vivas as experiências, as esperanças, os compromissos de vida e as apostas da fé, tal como testemunhadas pelas fontes da Bíblia e da tradição eclesial" (p. 18): tradição a "acolher e perseguir criativamente" e a colocar em prática "de modo participativo" (p. 53) e envolvente (p. 39), superando decididamente a tendência a congelá-la em formas imutáveis e museológicas e a confundi-la — como havia dito o papa Francisco em 22 de novembro de 2022, ao encontrar os membros da Comissão Teológica Internacional — com o "retrocessismo".

Um livro de leitura não muito fácil. Devido ao seu argumentar, por vezes, bastante prolixo e envolvido, exige uma leitura atenta e exigente, que tem, no entanto, o mérito de estimular reflexões sobre aquilo que é verdadeiramente fundamental para redescobrir a vocação mais profunda do cristianismo em tempo de crise, para "manter aberto o horizonte de Deus" percorrendo o seu caminho (p. 296) e para "trazer à luz o potencial humano da fé" (p. 70): tarefa, esta última, não só da teologia, mas do povo de Deus em seu conjunto.

Muitas perguntas que esperam respostas convincentes

Uma análise — a de Jürgen Werbick — honesta e corajosa: de grande relevância sobretudo para crentes em dúvida, para pessoas que se afastaram da Igreja, para homens e mulheres que se fazem perguntas — como, aliás, faz o próprio autor, que utiliza mais de 350 vezes o ponto de interrogação! — e não se resignam ao status quo.

De uma coisa nosso autor está profundamente convencido: "Contra o desprezo do humano por parte do narcisismo de autoafirmação das instituições eclesiais, as cristãs e os cristãos vão querer colocar em relevo o elemento profundamente humano do Evangelho. Deus e o gênero humano vão necessariamente juntos. Isso caracteriza uma fé que tem em seu centro o messias Jesus, homem Deus, aquele que viveu e comunicou Deus de modo profundamente humano" (pp. 25-26).

Apesar do título, portanto, trata-se de um livro encorajador, que explora questões decisivas. Que recursos de fé não devem ser desperdiçados? O que já não funciona mais, tendo perdido sua legitimação bíblica e não conseguindo fazer com que isso seja compreendido pelas pessoas que levam a sério sua fé cristã? (pp. 7-8). O que devemos considerar perdido, e o que, nessa perda, pode ser um ganho? (p. 19). "Como a fé se torna perceptível de modo novo na atual mudança de nossas culturas e de nossas autocompreensões?" (p. 29). "Uma confiança fundamental em Deus ainda pode, de alguma forma, vencer a enormidade do mal que aflige a humanidade ao nosso redor, entre os vizinhos, nas margens da Europa e no mundo"? (p. 58). Como a consciência de fé, inspirada biblicamente, pode falar de modo crível "da presença de Deus que redime, que liberta e resgata com poder impotente"? (p. 85). Em um contexto eclesial de esgotamento e de fim da cristandade, como pode a fé cristã nos encher de esperança e nos tornar capazes de agir, evitando resignar-se ao "caminho do declínio"? (p. 124).

Lamentar-se do esgotamento eclesial "não serve para nada. O perigo de fundo é o de se esgotar no lamento e fazer depender a própria fé da experiência de Igreja, em vez de se colocar a questão claramente mais importante e enfrentá-la: a saber, se o esgotamento eclesial talvez seja o sinal de um esgotamento da fé, um esgotamento do Espírito e de Deus" (p. 56).

"O imperativo do momento é opor-se a essa perspectiva fatal com toda a força da fé e a fantasia criativa que ainda nos restam" (p. 56), na profunda convicção de que, mesmo que algumas formas históricas de Igreja venham a desaparecer, a mensagem evangélica conserva uma extraordinária capacidade de falar às pessoas quando é acolhida e vivida de modo autêntico.

Um verbo para enquadrar o livro: ultrapassar

No livro de Jürgen Werbick, o verbo ultrapassar ou ir além — que "não significa desprezar" (p. 8) — representa a categoria interpretativa que atravessa toda a obra (p. 5).

O autor parte da constatação de que uma determinada forma histórica de Igreja está perdendo força, credibilidade e capacidade de orientação. Sua proposta, contudo, não é nem a de lamentar o passado nem a de abandonar o cristianismo, mas sim a de ir além (ultrapassar) essa fase para redescobrir o núcleo essencial da fé cristã.

Werbick distingue o Evangelho das formas institucionais que ele assumiu ao longo dos séculos. Se uma forma eclesial chegou ao fim, isso não implica o fim da fé cristã. É preciso atravessar essa crise sem identificar o cristianismo com sua configuração histórica atual.

É urgente ultrapassar o clericalismo. A clericalização da fé bíblica acabou, de fato, por aprisionar sua riqueza. Ultrapassar o clericalismo significa imaginar uma Igreja mais participativa e mais sinodal, na qual os carismas e a corresponsabilidade tenham um papel decisivo. O que fascina na imagem da comunidade entendida como conjunto de carismas que forma um único corpo (1Cor 12) é o fato de que eles se colocam a serviço uns dos outros "não porque se assemelham entre si, mas justamente porque são diferentes" (pp. 46-47).

Mas também devem ser ultrapassadas as imagens inadequadas de Deus e da tradição. Werbick convida a se perguntar o que deve ser conservado e o que, em vez disso, deve ser purificado. Ele não propõe uma ruptura com a tradição, mas um discernimento crítico dela: o que é autenticamente evangélico deve emergir com maior clareza.

É preciso, por fim, ultrapassar o medo do declínio. A diminuição do peso social das Igrejas não é lida apenas como uma perda, mas também como uma ocasião de conversão.

Ultrapassar, portanto, é o verbo que enquadra o livro, porque expressa seu movimento fundamental: não simplesmente conservar, não destruir, mas atravessar um fim para alcançar um novo início. Werbick não almeja um cristianismo "além" do Evangelho, mas um cristianismo além de suas formas históricas esgotadas, para que o Evangelho possa se tornar novamente compreensível e vivível no presente. É uma ideia que remete à dinâmica pascal: a vida cristã não evita a crise, mas a atravessa. Nessa perspectiva, "ultrapassar" não é um gesto de abandono, mas um ato de fidelidade criativa ao coração da mensagem cristã.

Se uma pessoa crê porque confia apenas em sua própria Igreja, quando essa Igreja entra em crise, corre o risco de perder também a fé. Se, ao contrário, crê antes de tudo em Deus, colocando-se na sequência de Jesus, pode continuar a viver a fé mesmo atravessando as crises, os limites e os escândalos da instituição eclesial.

E a fé continua a ser significativa apenas se for encarnada em pessoas e comunidades que tornam visível o amor de Deus por meio da justiça, da misericórdia, da solidariedade e da esperança. Em suma, trata-se de crer além da Igreja, "de suas pretensões, de sua presunção, de seu narcisismo institucional, do fracasso de suas instituições de fé, de seu esgotamento" (p. 57).

Um verbo que delineia o fio condutor do livro: relativizar

Outro verbo atravessa o livro em vários níveis: relativizar. O autor propõe, de fato, distinguir entre aquilo que, no cristianismo, é absoluto e aquilo que é historicamente condicionado. Não se trata de sustentar o relativismo (ou seja, de que todas as verdades se equivalem), mas de relativizar tudo aquilo que pretende ser absoluto sem sê-lo.

Werbick parte da constatação de que o cristianismo, como realidade histórica, não coincide com o Evangelho. As instituições eclesiásticas, as linguagens doutrinais, as práticas litúrgicas, os modelos culturais são todos produtos da história. Eles têm um valor, mas não são eternos.

Relativizá-los significa reconhecer que podem mudar e podem até desaparecer, sem que, por isso, desapareça necessariamente aquilo a que remetem, isto é, a verdadeira missão da Igreja que, "na sequência do diácono Jesus (cf. Mc 10,44-45)", é a de "dar à humanidade o testemunho de uma vida libertada, plena de Deus e dedicada ao humano" (p. 29).

Um dos pontos mais importantes do livro consiste em recusar toda identificação absoluta entre a Igreja e o reino de Deus. A Igreja, "graça que se fez cotidianidade" (p. 299), é sinal, sacramento, testemunho, mas não coincide com o Reino de Deus. Essa relativização da Igreja é profundamente bíblica: a Igreja existe em função do Reino, não o contrário. Às Igrejas "não é permitido existir sobretudo para si mesmas e se preocupar apenas consigo mesmas. Se elas não servem para que os seres humanos possam crer, esperar, confiar e amar, não servem para nada, sua liturgia permanece um enfeite e sua pregação, apenas tagarelice" (p. 292)

A boa vontade de Deus — isto é, o Reino de Deus — se realiza onde o poder do amor é mais forte que o poder da morte, onde a humanidade se põe a caminho em vez de se refugiar na resignação, onde as pessoas ousam a convivência com os outros em vez de pensar apenas em si mesmas (p. 262).

O futuro do cristianismo não depende, antes de tudo, do número de fiéis, nem do prestígio das Igrejas, nem de sua influência política, mas de sua capacidade de ser um sinal crível do Reino de Deus.

Deus deve ser visto não como uma "apólice de seguro de vida, mas como desafio vital de esperar, crer, viver projetados naquela realidade que, no anúncio de Jesus, quer significar o senhorio de Deus: isso seria crer segundo Jesus" (p. 97).

Werbick insiste, ainda, no fato de que o cristianismo vive da verdade de Deus, mas não a possui como um objeto. O que é relativizado não é a verdade, mas a pretensão humana de possuí-la definitivamente. A fé é sempre escuta, interpretação, busca, oração, conversão. Por isso, também a teologia deve manter uma atitude autocrítica. Também o discurso teológico sobre Deus deve ser relativizado, já que a realidade de Deus "supera de modo infinito tudo aquilo que é crido e ensinado a seu respeito de modo demasiado humano" (p. 180).

O livro leva muito a sério a crise do cristianismo ocidental. A diminuição dos fiéis e das vocações ao ministério ordenado e/ou à vida religiosa, ou o enfraquecimento da influência social das Igrejas, não é interpretada automaticamente como o fracasso do cristianismo. Aqui Werbick introduz uma relativização decisiva: o sucesso sociológico não coincide com a fidelidade ao Evangelho. Uma Igreja menor poderia até ser mais evangélica. A sobrevivência institucional não é o critério último.

Para Werbick, a relativização não é apenas um método crítico, mas uma disposição espiritual. Ela implica humildade, disponibilidade para a reforma contínua, capacidade de aprender com os outros, diálogo com a modernidade, diálogo com as outras religiões, recusa de toda forma de triunfalismo eclesiástico.

Nesse sentido, a relativização é uma forma concreta de conversão permanente ao Evangelho do Senhor Jesus, na consciência de que — como escrevia Gregório de Nissa (século IV) em suas Homiliae in Canticum — a vida cristã é um recomeçar sempre, um ir de início em início, através de inícios que nunca têm fim.

Centralidade da pessoa de Jesus

Tudo aquilo que, no cristianismo, é humano, histórico e institucional deve ser continuamente relativizado, para que possa emergir com maior clareza aquilo que é verdadeiramente absoluto: Deus, que se revelou em Jesus de Nazaré (Jo 1,18).

É "sobre os passos do Filho do homem" que nós "experimentamos o desafio de participar de Deus e de sua vida" (p. 45). "Jesus, o Cristo, é a pessoa de referência da fé cristã" (p. 151), porque nele Deus quis habitar em toda a sua plenitude (Cl 1,19). Em Cristo Jesus, nosso Senhor, Deus, "ao qual nada de humano permanece estranho", desceu entre nós "para que possamos acessar e participar da vida divina" (p. 174).

Fundamentalmente, a fé cristã é sempre "um avançar às apalpadelas seguindo Jesus" (p. 11). "Inspirar-nos em nosso irmão Jesus de Nazaré", perguntar-nos "de vez em quando como ele teria falado, agido, como ele se manifestaria agora?" (p. 100), viver com ele, familiarizar-se com seu testemunho, senti-lo e crê-lo dentro de nós (p. 151), experimentar "como a vida muda quando é animada pelo grande sopro de Deus", perceber "o que isso implica em termos de liberdade contra o apego àquilo que se considera irrenunciável, de fantasia para amar mais, de sensibilidade pelo próximo, de disponibilidade ao serviço gratuito, de coragem para se desprender das evidências sem fundamento, de confiança no fato de que Deus não nos decepciona se ousamos aquilo a que seu Filho nos desafia e para o qual quer nos dar força com seu Espírito" (p. 100)… Tudo isso significa ser cristãos críveis hoje.

"O tornar-se efetivo de Deus por meio do Espírito em Jesus Cristo põe em movimento uma dinâmica que pode libertar os seres humanos do domínio do poder do pecado. Em Cristo, Deus fez a coisa decisiva e continua a fazê-la por meio do Espírito Santo, ou seja, quebrar a dynamis do pecado, e não permite mais que o mal arraste consigo os seres humanos e os impulsione a fazer ainda mais mal" (p. 79). "O mal é uma força, uma energia que destrói e arruína, enquanto o bem é uma energia que cura e fortalece" (p. 83).

Aliás, "o profeta Jesus de Nazaré não tinha pronto um modelo alternativo de sociedade, mas havia falado de como seriam as coisas se fossem boas, se correspondessem à boa vontade de Deus. Ele se compreendeu como um semeador e anunciou o Evangelho segundo o qual, agora, pode-se começar aquilo que leva ao bem, pois Deus é aliado daqueles que o começam, e porque não deixa que esse começo seja em vão. Ter confiança nesse evangelho pressupõe uma imensa ingenuidade, a ingenuidade da fé, mas também a engenhosidade da fé" (p. 284).

"O anúncio de Jesus é, em todo caso, fundamentalmente mal compreendido se se pensa que ele quisesse desviar seus discípulos do aquém, e fazê-los esperar em uma perspectiva de paraíso celeste no além. Jesus, ao contrário, pregou o senhorio/reino de Deus que começa agora, entre nós. Jesus quer que se abram os olhos para o fato de que a boa vontade de Deus pode se cumprir agora, se as pessoas se abrem a ela e colaboram com ela: e veem que a vida floresce, que os pecadores se convertem, que as pessoas se reconciliam entre si e com a própria vida, que se realizam coisas incríveis, que se é animado pela busca de uma vida em plenitude, que se torna capaz de futuro" (p. 194).

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